sexta-feira, 16 de julho de 2010

Meditação Puritana: O Portão da Mente para o Coração



Stephen Yuille


Uma definição

Sobre o tema da meditação puritana, James Packer escreve: “Sabendo que eles próprios eram criaturas de raciocínio, afeições, e vontade, e sabendo que o caminho de Deus para o coração humano (a vontade) é através da cabeça humana (a mente), os puritanos praticaram a meditação, discursiva e sistemática, em todo escopo da verdade bíblica conforme viam-na sendo aplicada a eles mesmos”. De forma similar, Horton Davies descreve a meditação puritana como um “mover das questões intelectuais ao exercício das afeições do coração, a fim de libertar a vontade para se conformar a Deus”.
Esta abordagem à meditação advém da convicção puritana que a vontade é uma faculdade “cega”. De acordo com Edward Reynolds (1599-1676), a vontade “não pode enxergar o bem devido que deveria influenciar sem a assistência de um poder informador” e nem “pode ver o caminho correto que deveria tomar para alcançar aquele bem, sem a direção de um poder condutor”. Este poder “informativo” e “condutor” é o entendimento: a faculdade principal da alma. Quando esta “mais nobre faculdade”, como Stephen Charnock (1628-1673) chama, é “empregada para o objeto mais excelente”, ela informa e conduz a vontade através das afeições para escolher o “bem correto”.
Com este paradigma firmemente reconhecido, George Swinnock (1627-1673) define a meditação como “uma séria aplicação da mente a algum assunto sagrado, até que as afeições sejam aquecidas e despertadas, e a resolução elevada e fortalecida através disso, contra aquilo que é mal, e por aquilo que é bom”.
O método da meditação
De acordo com a definição de Swinnock, o método da meditação é uma séria aplicação da mente… até que as afeições sejam aquecidas e despertadas. Este método remonta a Joseph Hall (1574-1656), que afirma que “a prática da verdadeira piedade” depende da meditação – “o melhor aprimoramento do cristianismo”. Ele define essa meditação como “um voltar da mente para algum objeto espiritual, através de diversas formas de discurso, até que nossos pensamentos cheguem a uma conclusão”. Este voltar-se da mente se manifesta de duas formas: “extemporânea” e “deliberada”. Hall foca-se no segundo, buscando descrever o seu “processo”.
Resumindo, a meditação deliberada “começa no entendimento, e termina na afeição; começa no cérebro, desce ao coração; começa na terra, ascende aos céus, não de repente, mas por determinados passos e degraus até que estejamos no topo”. Hall divide estes “passos e degraus” em duas seções. A primeira se refere à prática da meditação no entendimento. Ela envolve o estudo das verdades divinas de acordo com determinadas “cabeças”: descrição, divisão, efeitos, assuntos, qualidades, contras, comparações, títulos e testemunhos. A segunda se refere à prática da meditação nas afeições. Para Hall, essa “é a própria alma da meditação, para a qual todas as coisas anteriores sevem apenas como um instrumento”. Ela envolve pressionar as verdades divinas sobre as afeições através de sete passos: experimentação, queixa, desejo do coração, confissão, petição, aplicação e confiança. James Ussher (1581-1656) também recomenda essa abordagem dupla, afirmando que o “trabalho” da meditação consiste de “duas faculdades principais da alma. Primeiro, o entendimento, o qual atribuo à memória; em segundo lugar a vontade, o qual atribui às afeições”. A primeira envolve um “chamado à mente”, onde as verdades bíblicas são lembradas e debatidas. A segunda envolve “depositar no coração” essas verdades.
Swinnock descreve este “depositar no coração” como “uma consideração séria” ou “um ato de entendimento prático, mediante o qual reflete sobre suas ações e intenções, compara-as com a regra da palavra, e continua para colocar o seu mandamento sobre a vontade e afeições, a fim de colocar o que é bom em ação”. Essa “reflexão” geralmente consiste de solilóquios, que Richard Baxter (1615-1691) define como “questões despertadoras”. Seu objetivo é fazer com que as pessoas sintam a pulsação de sua alma com o propósito da auto-avaliação. Para Ussher, este é o “assunto mais importante” da meditação – “ver como a matéria se encontra entre Deus, e minha própria alma”. Com este objetivo em mente, ele sugere: “Primeiro olhe para trás, e diga, o que eu fiz? Depois olhe para frente e diga, o que farei?” De forma similar, William Gurnall (1617-1679) escreve: “Reflita sobre si mesmo, e pense seriamente sobre o seu próprio comportamento – o que ele tem sido diante de Deus e dos homens ao longo do dia”.
O objeto da meditação
Em sua definição, Swinnock descreve o objeto da meditação como “algum assunto sagrado”. De sua parte, Hall fala “daquelas questões divinas que podem mais que tudo produzir compulsão no coração e levar-nos à devoção”. Ao todo, existem sete assuntos “sagrados” que aparecem de forma proeminente na meditação puritana.
O primeiro é a majestade de Deus. “Acima de tudo”, escreve Swinnock, “medite na infinita majestade, pureza e misericórdia daquele Deus contra quem tens pecado”. Charnock concorda: “Tenham sempre em vista as excelências de Deus”. Gurnall encoraja seus leitores a meditarem na “infinita santidade de Deus”. Similarmente, Baxter direciona seu público a “mergulhar nas meditações do Todo-Poderoso”, adicionando: “Alguém pensaria que se eu não lhes desse nenhuma outra tarefa, e nem falasse de nenhuma outra questão para a meditação, esta seria suficiente; pois esta é, de certa forma, tudo”. A urgência de Baxter origina-se de sua convicção que o “melhor cristão” é aquele “que tem a mais plena impressão sobre a sua alma, pelo conhecimento de Deus em todos os seus atributos”.
O segundo assunto é a severidade do pecado. Para os puritanos, o conhecimento do pecado e o conhecimento de Deus estão inescapavelmente relacionados. Swinnock explica: “O homem nunca chega ao conhecimento apropriado de si mesmo, que miserável deplorável e abominável ele é, até que chegue ao conhecimento apropriado de Deus, a saber, que incomparável majestade Ele é”. Charnock concorda: “Na consideração da santidade de Deus somos relembrados da nossa própria impureza… de forma que sua imensidão deveria nos fazer, segundo nossa própria natureza, parecer pequenos aos nossos próprios olhos”. Em outras palavras, as pessoas chegam a um entendimento apropriado da escuridão do pecado somente à luz da santidade de Deus, porque é então que podem enxergar seu pecado como um ataque contra Deus. Com isto em mente, Joseph Alleine (1634-1668) insta seu público a meditar sobre o “número”, “gravidade”, “deformidade”, e “torpeza” de seus pecados.
O terceiro assunto é a beleza de Cristo, que só pode ser devidamente apreciada sobre o pano de fundo da majestade de Deus e a severidade do pecado. De acordo com Alleine: “Enquanto os homens não estiverem cansados e oprimidos, e com seus corações aflitos, não buscarão a cura em Cristo nem perguntarão sinceramente: ‘O que devemos fazer?’”. Quando chegarem a esse ponto, eles verão a beleza do amor de Cristo conforme ele tapa a distância imensurável entre um Deus glorioso e uma criatura pecadora. Isso leva Gurnall a declarar: “Banhe a tua alma com a freqüente meditação do amor de Cristo”.
O quarto assunto é a certeza da morte. “Se deseja se exercitar na santidade”, escreve Swinnock, “pense com freqüência no dia da sua morte”. Robert Bolton (1572-1631) direciona seus leitores a ponderar na certeza de que “todos os prazeres, tesouros, e confortos desta vida… precisam todos, diante do choque da morte… ser súbita, completa e eternamente deixados para trás.”
O quinto assunto é a finalidade do julgamento. Gurnall lembra: “Certamente você não poderá dormir facilmente enquanto este trompete, que chamará toda a humanidade a julgamento, estiver tocando em seus ouvidos. A razão porque os homens dormem tão tranqüilamente em segurança é que ou não acreditam, ou pelo menos não pensam nisso com a seriedade que se espera”. Com esta letargia em mente, Bolton instrui as pessoas a ponderarem sobre como será dar um relato exato de “todas as coisas feitas na carne”, de testemunhar a revelação de todos os “pecados secretos” e as “vilanias escondidas”, e “ouvir a terrível sentença de condenação a tormentos e horrores eternos”.
O sexto assunto é a miséria do inferno. Swinnock descreve o inferno como uma miséria “pessoal”, porque os pecadores perdem os “prazeres terrenos”, os “contentamentos carnais”, o “favor espiritual”, “a sociedade de todos os piedosos”, a “esperança”, a sua “preciosa alma” e “o Deus infinitamente bendito”. Da mesma forma, Bolton fala da “privação da gloriosa presença de Deus, e a separação eterna daquelas alegrias, felicidades e bem-aventurança eternas”. Swinnock também descreve o inferno como uma miséria “positiva”, por causa do que os pecadores ganham, explicando que “os perversos deverão no outro mundo se separar de Cristo para o fogo… Eles não somente serão privados de tudo o que é bom… mas também serão cheios de tudo o que é mau”. Nesse momento, eles ganharão uma “perfeição de pecado” e uma “plenitude de angústia”.
O sétimo assunto é a glória do céu. Em termos de ganho “pessoal”, Swinnock diz que os cristãos obterão liberdade do mal do pecado, ou seja, liberdade de cometer o pecado e de ser tentado ao pecado. Eles também obterão liberdade do mal do sofrimento. Em termos de ganho “positivo”, eles receberão a companhia dos cristãos perfeitos, a comunhão mais próxima com Cristo, e a fruição plena e imediata de Deus. Para Baxter, esse ganho é da maior importância. “Eu não tiraria você de outras meditações”, ele diz, “mas certamente assim como o céu tem a preeminência na perfeição, deveria tê-la também em nossa meditação. Aquilo que nos dará a maior felicidade quando o possuirmos, nos fará mais alegres quando meditarmos nele”.
O resultado da meditação
Através da meditação, o significado destes assuntos “sagrados” é sentido na alma. Um vislumbre da majestade de Deus produz temor e amor. Um senso da severidade do pecado produz tristeza e ódio. Um gostinho da beleza de Cristo incita prazer e desejo. As verdades remanescentes, conhecidas como as “últimas quatro coisas”, produzem aquilo que os puritanos chamavam de uma “mentalidade celestial”. “A pessoa com uma mentalidade celestial”, explica o historiador Dewey Wallace, fica “absorvida nas coisas divinas, distante do mundo, e em profunda comunhão com Deus”. Seu objetivo é “meditar naquele estado, atando seu coração tão próximo de Deus que tudo o mais empalidece e se torna insignificante”.
De acordo com a definição de Swinnock, este “aquecimento” e “despertar” das afeições levam a uma “elevação” e “fortalecimento” da “resolução” da vontade contra “aquilo que é mal e para o que é bom”. Como Gurnall explica: “As afeições são afetadas quando seu objeto está diante delas. Se amamos uma pessoa, o amor é excitado pela visão dela, ou qualquer coisa que a lembre; se odiamos alguém, nosso sangue ferve muito mais contra ela quando estamos diante da mesma”. Ao meditar nas verdades divinas, o amor é direcionado ao supremo bem (Deus) e o ódio ao supremo mal (pecado). Como resultado, a vontade fica resoluta em buscar a Deus e abandonar o pecado. Para os puritanos, esta “resolução” se manifesta em piedade: conformidade à vontade de Deus. Baxter estava tão convencido deste relacionamento entre meditação e piedade que escreve: “Se, por estes meios, tu não percebes um aumento de todas as tuas graças, não cresce além da estatura dos cristãos comuns, não te tornas mais útil em teu lugar, e mais precioso aos olhos de todas as pessoas com discernimento; se tua alma não desfruta de maior comunhão com Deus, e tua vida não se enche de conforto, e não estás mais preparado para a hora de tua morte: então jogue fora estes conselhos, e acuse-me eternamente de enganador”.
Conclusão
Para os puritanos, portanto, a meditação é essencial para a prática da piedade. Como Baxter observou, “o Espírito usa nosso entendimento para ativar nossas vontades e afeições”. Isto necessariamente implica que a meditação é um dos meios principais pelo qual o Espírito Santo santifica o cristão.
É por esta razão que Hall muito lamentou a negligência generalizada da meditação em seus dias, comentando: “Se houver qualquer dever cristão cuja omissão é notoriamente vergonhosa e prejudicial para as almas dos professos, esse é o dever da meditação. Esse é o próprio fim para o qual Deus nos deu nossas almas, de forma que estaremos desperdiçando-a se não a usarmos assim”. As palavras de Hall são tão verdadeiras em nossos dias quanto no dia em que as escreveu, assim como Joel Beeke observa: “Um estorvo para o crescimento entre os cristãos hoje é o nosso fracasso em cultivar o conhecimento spiritual. Falhamos em dar tempo suficiente para a oração e a leitura da Bíblia, e temos abandonado o tempo para a prática da meditação”. Dado este fato, faríamos muito bem em escutar o pedido de Gurnall para “nos retirarmos freqüentemente para fazer algumas meditações que despertem a alma”, lembrando que “se a buscares como a prata e como a tesouros escondidos a procurares; então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus” (cf. Pv. 2:5).

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pensamento Superficial sobre o Pecado – S. Bolton (1606-1654)


Pensamento Superficial sobre o Pecado – S. Bolton (1606-1654)


Vejam que motivo temos para humilhar nossas almas diante de Deus neste dia devido termos pensamentos tão superficiais sobre o pecado, e desde que Deus tem classificado o pecado como o maior de todos os males. Que pensamentos levianos temos do pecado? Podemos engoli-lo sem medo, podemos viver nele sem percebê-lo, podemos cometê-lo sem remorso. Tudo isso mostra a superficialidade dos nossos pensamentos sobre o pecado. Não avaliamos o pecado como sendo um mal tão grave como realmente ele é.

Agora, para que vocês possam ter conceitos mais adequados sobre a magnitude dele, para que sejam capazes de ver o pecado como algo excessivamente maligno, irei apresentá-lo resumidamente sob seis aspectos.

1. Olhem para ele sob o prisma da natureza a qual, embora seja um cristal pouco transparente, é um refletor autêntico. O pecado tem ofuscado essa lente, ainda assim ela é capaz de revelar-nos muito do mal do pecado. Mesmo os pagãos têm visto e julgado por eles mesmos, muitos pecados como sendo o maior dos males.

Embora os pecados espirituais fossem ocultos a eles, sua luz não era capaz de descobrir a infidelidade e os pecados íntimos. Todavia eles têm descoberto os pecados morais, e os evitado, e prefeririam correr o risco de sofrer do que cometer tais pecados. Os exemplos de Platão, Cipião, Catão, e muitos outros irão elucidar isso. Tudo isso foi descoberto pelo prisma da natureza, feito por ela própria, porém não pela mera natureza caída, e sim pela natureza bem administrada, pela natureza desenvolvida, pela implantação de princípios morais juntamente com a graça restringedora e de outros dons comuns do Espírito.

O grande ódio que sentem pelo pecado, o grande cuidado que têm para evitá-lo, o grande sofrimento que experimentam por não quererem cometer pecado, deveriam ser suficientes para revelar-nos quão grande é o mal do pecado - mas interromperemos o assunto aqui.

2. A segunda lente pela qual vocês podem ver até onde vai o pecado é a lente da lei, a lente que revela o pecado em todas as suas dimensões: a culpa, o demérito, a corrupção e a malignidade do pecado. Portanto, o apóstolo diz em Rom. 7:7 "... mas eu não conheci o pecado senão pela lei..." Isto é, eu não teria conhecido o pecado como sendo tão abominável quanto ele o é, eu não teria conhecido o pecado em sua amplitude e latitude. Eu não teria conhecido a gravidade do pecado se não tivesse sido pela lei, se a lei não tivesse sido a lente para revelar o pecado a mim.

Ela revelou a grandeza do pecado para Davi: "A toda a perfeição vi limite, mas o teu mandamento éamplíssimo " (Sal. 119:26), isto é, por revelar a extensão do pecado em proporção a sua amplitude e grandeza.

Que lástima! Isso irá revelar a vocês mais nudez num pecado do que o mundo todo pode cobrir, mais indigência num pecado do que todos os tesouros da justiça disponível são capazes de suprir; mais obliqüidade e injustiça num pecado, num pensamento errado, do que a morte de todos os homens e o extermínio dos anjos seriam capazes de expiar.

Procurem na lei e vocês descobrirão milhares de pecados que caem sob toda e qualquer lei de Deus. Eis aqui a lente!

3. Olhem para o pecado sob a lente das dores, feridas penetrantes e tristezas, as quais os santos encontraram em seu acesso e primeira entrada no estado de graça, em suas reincidências e retornos à insensatez.

Para o primeiro, vejam que gemidos e humilhações tiveram que suportar em sua primeira admissão ao estado de graça - Manasses em II Crôn. 33:12, Paulo em Atos, capítulo nove, os judeus convertidos em Atos 2:37 - admissão semelhante à ocasião quando os pregos perfuraram Cristo, agora cravados em seus corações como a lança no lado de um animal.

Quantos dos muitos santos que já existiram estiveram presos num leito de miserável angústia, acamados sob os golpes da justiça possi velmente por muitos anos, e tudo isso por causa do pecado. Em todas as épocas houve milhares de exemplos dessa natureza.

Olhem para as angústias e quebrantamentos que os santos t i veram quesuportar por causa de suas reincidências no pecado. Vejam nos em Pedro e em Davi. Leiam as tristes expressões que ele tem no Sal. 6:1-7 e no Sal. 32:3-5. Do mesmo modo no Sal. 51. Como ele lamenta pela sua alma perturbada, seus ossos quebrados, seus olhos consumidos pela tristeza, sua cama está encharcada com lágrimas! E tudo isso por causa do pecado. Aqui está a lente pela qual pode-se ver o mal do pecado como sendo o maior mal. Sim, quando Deus o enfoca, o menor pecado resultará em tudo isso.

4. Olhem para o pecado em Adão e vejam a extensão dele. Aquele único pecado de Adão trouxe todas as misérias, doenças, morte e outras desgraças, sobre toda a sua posteridade desde aquele tempo. O pecado tem sido a maldição de milhares de homens e ainda continua sendo. A justiça de Deus ainda não foi satisfeita. Se ela tivesse sido, haveria um fim. Não morreríamos, nem ficaríamos doentes jamais, etc. Oh, aqui vocês podem ver o pecado em sua extensão!

5. Olhem para o pecado sobre Cristo. Vejam que humilhações, que quebrantamentos, que feridas cruciantes, que ira isso trouxe sobre o próprio Cristo. Foi isso que misturou aquele cálice amargo com ingredientes tão terríveis, os quais, se tivéssemos que libá-lo quando assim estava temperado, teriam colocado nossas almas debaixo de uma ira pior do que aquela que todos os condenados sofremno inferno. Cristo suportou plena justiça por causa do pecado.

Isso fez com que Ele que era tanto Deus quanto homem, santificado pelo Espírito para essa missão, fortalecido pela Deidade, suasse gotas de sangue, e até lutasse, parecendo recuar e orar contra a obra de Sua própria misericórdia, querendo desistir do propósito de Sua própria vinda ao mundo.

Ah, ninguém sabe senão Cristo, nem é o finito entendimento humano capaz de conceber, o que Cristo suportou quando estava para carregar o pecado e com isso lutou contra a infinita ira e justiça do infinito Deus, os terrores da morte, e os poderes do mundo vindouro. Aqui está uma lente pela qual vocês podem ver a grandeza, a amplitude, a culpa, o demérito do pecado, tudo o que é revelado ao indivíduo na morte, sofrimentos, quebrantamentos e feridas do Filho de Deus.

Você, amigo, que despreza o pecado, vá para Cristo e pergunte a Ele quão duro isso foi, aquilo que você despreza esmagou-O contra o chão. E o menor pecado esmagaria você e todos os pilares do céu para o fundo do inferno para sempre.

6. A sexta lente: olhem para o pecado na condenação eterna da alma, que nada satisfaria à justiça de Deus a não ser a destruição da criatura. Nem doenças, nem prisões, nem sangue, nem sofrimentos, a não ser os sofrimentos do inferno! E esses não por um tempo, mas para sempre! Ah, vejam aqui a enormidade do pecado, o qual poderia ser ainda mais ampliado considerando-se a preciosidade da alma, a qual o pecado arruina por toda a eternidade. E portanto, vocês conheceriam o pecado? Perguntem aos condenados: o que é pecado? Volvam seus ouvidos ao inferno e ouçam todos aqueles berros, aqueles gritos, aqueles rugidos dos condenados, e tudo isso por causa do pecado. Oh, eles foram os prazeres custosamente comprados, os quais precisam ser conseqüentemente pagos com dores sem fim.

Assim através destas lentes vocês vêem o que é o pecado. E por conseguinte como devemos ser humilhados por causa de nossa indiferença em relação ao pecado, o qual é um mal tão grande!

http://www.josemarbessa.com/2010/07/pensamento-superficial-sobre-o-pecado-s.html

terça-feira, 8 de junho de 2010

Como ensinar e pregar o "Calvinismo"

por

John Piper

1. Seja rigorosamente textual em todas suas exposições e explanações e defesas dos ensinos Calvinistas. Torne-o todas às vezes um assunto textual, não um assunto lógico ou de experiência.

2. Não seja estridente, mas gentil. Assuma que trabalhar estes grandes assuntos até à convicção pode levar anos e que estar no processo é um bom começo.

3. Fale de seu próprio quebrantamento com respeito à estas coisas e como elas são preciosas para você e porque e como elas ministram à sua alma e ajudam você a viver sua vida.

4. Faça de Spurgeon e Whitefield seus modelos antes do que Owen ou Calvino, porque os primeiros foram evangelistas e ganharam muitas pessoas para Cristo de um modo que está mais próximo de nossos dias.

5. Seja um evangelista e um mobilizador de missões de forma que as críticas de que o Calvinismo entorpece uma paixão pelos perdidos sejam postas em silêncio.

6. Trabalhe os cinco pontos a partir do "I" no TULIP e não do "U". Isto é, mostre ao povo que eles não querem realmente tomar o crédito final pela sua vinda a Cristo. Eles não querem estar diante de Deus no dia do julgamento e responder à questão, "Porque você creu e outros com suas oportunidades não?” Com a resposta, "Bem, eu suponho que eu era mais esperto, ou mais espiritual". Eles querem dizer, "Pela graça eu fui trazido à fé". Que é a "graça irresistível". Isto é, graça que triunfa sobre toda resistência até o fim.

7. Regozije-se por causa das críticas. Aquele que conhece e descansa na soberana graça de Deus deve ser o santo mais feliz. Não seja um anunciador amargo, melancólico, hostil ou falso para a glória da graça de Deus. Louve-a. Regozije-se nela. E não deixe que se torne um espetáculo. Faça isto no seu quarto secreto até que isto seja derramado sobre o púlpito e áreas públicas.

8. Não cavalgue sobre o que não está no texto. Pregue exegeticamente, explanando e aplicando o que está no texto. Se isto soar Arminianismo, que soe Arminianismo. Confie no texto e o povo confiará em você por ser fiel ao texto.

9. Evite jargões teológicos que não estejam no texto. A palavra "Calvinismo" provavelmente não é de grande auxílio. "Doutrinas da graça" pode não ser também. Simplesmente se prenda com o que está no texto, ou sugira algumas novas frases impressionantes que farão com que os povos fiquem maravilhados e sejam excitados.

10. Conte histórias e experiências biográficas e das vidas de santos vivos que ilustrem a dependência deles da soberania de Deus. Especialmente histórias relacionadas às missões e evangelismo e santidade de vida.

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Traduzido por Felipe Sabino de Araújo Neto
http://ipportovelho.org/index.php?option=com_content&view=article&id=175:como-ensinar-e-pregar-o-qcalvinismoq-&catid=39:biblioteca&Itemid=207

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Por Que Ler os Puritanos Hoje?


Por: Don Kistler
Acredito que existem várias razões para o ressurgimento do interesse pelos Puritanos e seus escritos. Uma delas é que as pessoas estão ficando cansadas de coisas que a religião promete, mas não pode dá-las. Todo tipo de promessas são feitas, mas as pessoas investigam a religião por causa do interesse próprio, e quando estas promessas não se tornam realidade elas ficam desapontadas. Creio que elas também estão cansadas da religião superficial e sem seriedade em sua base. Muitas pessoas não louvam a Deus, porque o deus do qual a maioria ouve falar realmente não é o "Senhor Deus onipotente que reina para sempre e eternamente". Ele é simplesmente "meu amigo", e esta familiaridade certa mente produz desrespeito!
Os puritanos foram homens apaixonadamente obcecados pelo conhecimento de Deus. Eu listei 10 razões do porquê devemos ler os puritanos hoje, e cada uma delas é derivada diretamente da visão Puritana de Deus e das Escrituras.
1) Eles elevarão o seu conceito de Deus a um nível que você jamais imaginou fosse possível, e lhes mostrarão um Deus que realmente é digno de seu louvor e adoração. Jeremiah Burroughs, em seu clássico livro Louvor Evangélico, disse: "A razão porque nós adoramos a Deus de uma maneira não séria, é porque não vemos a Deus em Sua glória". O homem moderno ouve falar de um Deus que não é digno de ser louvado. Por que ele deveria louvar a um Deus que quer fazer o bem, mas não pode ser bem sucedido porque o homem nÍ o coopera? Quem afinal é soberano? O homem o é!
Leia os puritanos e você se achará, num sentido espiritual, de alguma forma sozinho. Você se sentirá empolgado com aquilo que está lendo e com o que está sentindo em seu coração, e perceberá que não há muitas outras pessoas que entenderão daquilo que você está falando; esta pode ser uma solitária experiência! Quando você experimenta a visão que Isaías teve de Deus (Is. 6), e percebe que a realidade de Deus está infinitamente além de qualquer coisa que a sua mente possa compreender, você perceberá que o homem comum não pensa muito a respeito de Deus, muito menos no nível profundo que você está pensando.
Uma das razões de termos um pensamento tão pobre é porque lemos tão pouco. Ler ajuda-nos a pensar. Nós vivemos numa "cultura fotográfica" (visual) ao invés de uma cultura tipográfica (de letras). Tudo são fotos, vídeos e filmes. Todo trabalho está feito para nós e assim não precisamos lutar com conceitos. Outra pessoa interpreta as coisas para nós com imagens. Há 400 anos atrás, as palavras estavam congeladas, estáticas numa página e estas forçavam os leitores a trabalharem mentalmente com os pensamentos ali expressos.
2) Os Puritanos tinham um "caso de amor" com Cristo, e eles escreveram muito sobre a beleza de Jesus Cristo. Um dos maiores puritanos foi Thomas Goodwin, um Congregacional. Escrevendo sobre o céu, Goodwin disse: "Se tivesse que ir ao céu e descobrisse que Cristo não estava lá, eu sairia correndo imediatamente, pois o céu seria o inferno para mim sem Cristo". O céu sem Cristo não é o céu, e se Cristo não estiver lá, eu não tenho nenhum desejo de estar lá. Estes homens estavam apaixonados por Cristo.
James Durham escreveu na sua aplicação do sermão sobre Cantares de Salomão 5:16: "Se Cristo é amor como um todo, então todo o resto é repulsivo como um todo". Nós não nos sentimos assim em relação a Cristo, sentimo-nos? Queremos um pouquinho de Cristo, mas também um pouquinho de várias outras coisas. Mas o verdadeiro cristão quer Cristo e nada além de Cristo.
Samuel Rutherford escreveu o seguinte a respeito da beleza de Cristo:
Eu ouso dizer que escritos de anjos, línguas de anjos, e mais que isso, e tantos mundos de anjos como existem pingos de água em todos os mares e fontes e rios da terra não O poderiam mostrar-lhe. Eu acho que Sua doçura inchou dentro em mim até a grandeza de dois céus
Ah! Quem dera uma alma tão extensa, como se estendesse até a linha final dos mais altos céus para conter o Seu amor. E ainda assim eu poderia conter só um pouquinho deste amor. Oh! que visão, de estar no céu, naquele lindo jardim do Novo Paraíso, e assim ver, sentir o cheiro, tocar e beijar aquela linda flor-do-campo, a árvore sempre verde da vida! A sua sombra seria o suficiente para mim; uma visão dEle seria a garantia do céu para mim.
Se existissem dez mil milhões de mundos, e tantos céus cheios de homens e anjos, Cristo não seria importunado para suprir todos os nossos desejos, e nos preencher a todos. Cristo é uma fonte de vida; mas quem é que sabe qual a sua profundidade até o ponto mais fundo? Coloque a beleza de dez mil mundos de paraísos, como o jardim do Éden em um; coloque todas as árvores, todas as flores, todos os odores, todas as cores, todos os sabores, todas as alegrias, todos os amores, toda doçura em um só.
Oh! Que coisa linda e excelente isso seria? E ainda assim seria menos para o lindo e querido bem-amado Cristo do que uma gota de chuva em todos os oceanos, rios, lagos e fontes de dez mil mundos.
Isto é alguém que ama a Cristo, não é?
3) Os Puritanos nos ajudarão a entender a suficiência de Cristo. Isto sofre grandes ataques em nossa igreja moderna. Você pode ter Cristo para salvá-lo, mas hoje em dia você precisa da psicologia para ajudá-lo no curso de sua vida. Pode ter Cristo para salvá-lo e ajudá-lo com seus sofrimentos espirituais, mas você precisa de algo mais para estas dores emocionais profundas que sente.
Existe um livro escrito por Ralph Robinson — contemporâneo de Thomas Watson em Londres — "Cristo: Tudo e Em Tudo". Robinson escreveu mais de 700 páginas sobre um versículo de Colossenses, "... porém Cristo é tudo e em todos" (Cl 3:11). Você percebe que a questão é a nossa deficiência em entender a suficiência de Cristo. Se Cristo é tudo em tudo, como podemos olhar para qualquer outro, ou para qualquer outra coisa em busca de respostas?
No seu livro "O Tesouro dos Santos", Jeremiah Burroughs tem um sermão sobre o versículo de Colossenses. Burroughs faz uma afirmação como segue: "Certamente Cristo é um objeto suficiente para a satisfação do Pai". Nenhum de nós argumentaria contra isso, não é mesmo? Isaías nos diz que Deus verá o "fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito". Assim, Cristo é suficiente para satisfazer a Deus. Burroughs continua: "Certamente, então, Cristo é suficiente para satisfazer qualquer alma!" Você compreende o raciocínio? Coit ado daqueles cristãos que gastam suas vidas inteiras se queixando acerca de seu destino na vida, como se Cristo não fosse suficiente. Que blasfêmia é dizer que Cristo é suficiente para satisfazer a Deus, mas não é suficiente para satisfazer a mim! Muito antes de existir um Freud, um Puritano solucionou o problema da "balela da psicologia" que tanto tem fascinado e agradado a igreja hoje.
4) Os Puritanos nos ajudam a ver a suficiência das Escrituras para a vida e a piedade. Isto é o que Pedro disse (2 Pe 1:3-4). As Escrituras nos dão o conhecimento de Deus, o qual nos dá todas as coisas pertinentes à vida e à piedade. O grito de guerra da humanidade hoje é mais ou menos assim: "Estou buscando a auto-estima", ou "Quero apenas estar de bem comigo mesmo".
Os cristãos não carecem de auto-estima; eles carecem de dispensar estima a Cristo! Isaías descobriu quem Deus era e daí ele soube quem de fato Isaías era. Eu me lembro de ter sido convidado para falar numa palestra em outro continente, e pediram-me para falar de mim. Não posso imaginar nada mais constrangedor do que as pessoas ficarem sabendo algo a meu respeito. No livro"Tesouro dos Santos" de Burroughs, seu primeiro sermão é intitulado "A Incomparável Excelência e Santidade de Deus" e é baseado num versículo do Velho Testamento "Quem é como Tu, oh Deu s, entre as nações?". É um sermão de 35 páginas, e Burroughs fala do esplendor de Deus em metade do sermão. Daí ele escreve sobre a segunda metade do versículo "e quem é como Tu, oh Israel?". Qual é o ponto em questão? Sendo que não há ninguém comparável ao Seu Deus, não há ninguém como você! Assim, você não precisa de auto-estima para sentir-se bem consigo mesmo; você precisa ter "Cristo-estima"; você precisa sentir-se bem com Deus.
Se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus, como poderia alguém ter falta de auto-estima? Cristo deu Sua vida, pagando um alto preço por Sua Igreja. Isso é verdadeiramente digno, meus amigos!
5) Os Puritanos podem ensinar-nos sobre a extrema maldade da natureza do pecado. Edward Reynolds escreveu um livro intitulado "A Pecaminosidade do Pecado", e Jeremiah Burroughs escreveu "O Mal dos Males". Não há outra doutrina que importe sermos mais ortodoxos do que nesta. Porque se você está fora da doutrina do pecado, você está fora de toda doutrina. Este é o fio da meada que vai abrir todo o invólucro.
Burroughs escreveu 67 capítulos sobre esta premissa: O pecado é pior que o sofrimento; as pessoas farão tudo que puderem para evitar o sofrimento, mas farão quase nada para evitar o pecado. O pecado é pior que o sofrimento, isso, no entanto, é porque o pecado causa o sofrimento. De fato Burroughs vai ao ponto. O pecado é pior que o inferno, porque o pecado causou o inferno. E a causa é pior que a conseqüência da causa.
Obadiah Sedgwick, um presbiteriano Londrino proeminente e que era um membro da Assembléia de Westminster, escreveu um livro perscrutador "A Anatomia dos Pecados Ocultos" — um tratado sobre o clamor de Davi pedindo para ser liberto de pecados ocultos; aqueles pecados escondidos nos recessos mais íntimos de nossos corações. Aqueles pecados que não são conhecidos de mais ninguém, só por nós e Deus, pecados que são tão maus e condenados como quaisquer outros.
Jonathan Edwards disse o seguinte acerca do pecado: "Todo pecado é de proporção infinita, e é mais ou menos mau dependendo da honra da pessoa ofendida. Já que Deus é infinitamente santo, o pecado é infinitamente mau". É por isso que não existe esse negócio de pecado pequeno (pecadinho), porque o mais leve pecado é um ato de traição cósmica cometida contra um Deus infinitamente santo.
Simplesmente por seu enorme valor literário, este material não tem preço. As imagens de Edwards em seu sermão"Pecadores nas Mãos de um Deus Irado" são imbatíveis. Ele compara Deus com um arqueiro e seu arco em mãos; aquele arco está retesado e a flecha está diretamente apontada para o coração do homem; os braços do arqueiro estão trêmulos de tão firme que o arco está ao ser puxado. E Edwards diz que a única coisa que impede Deus de deixar aquela flecha voar e penetrar no sangue do pecador é o beneplácito de um Deus que está infinitamente irado com o pecado a cada dia. Um escritor secular que estava fazendo uma obra sobre Jonathan Edward s foi perguntado por um cristão: "Você sabe, se Edwards tiver razão então aquela flecha está apontada para o seu coração. Como você pode dormir à noite?". A resposta foi a seguinte: "Às vezes eu não durmo! Só espero em Deus que Jonathan esteja errado".
6) Os puritanos nos ajudarão na vida prática. O livro de Richard Baxter, "O Diretório Cristão", tem sido chamado de "o maior manual de aconselhamento cristão jamais produzido". Antes do presente século todo aconselhamento era feito do púlpito ou durante uma visita pastoral à família para catequizá-la. Os pastores eram vistos como os médicos da alma. É interessante notar que a palavra "psicologia" significa o estudo da alma. Suke, de onde temos "psyche" e de onde vem "psicologia" quer dizer "alma". Só que hoje em dia o que costumava ser a cura de almas pecaminosas, passou a ser a cura de mentes doentes (pecado virou doença). Esta tarefa foi tirada do pastor, o qual conhece a alma melhor que qualquer outro, e foi dada a conselheiros (psicólogos) dentre os quais, muitos nem mesmo crêem em Deus. Eles não podem curar males espirituais. O "Diretório" de Baxter mostra o gênio de um homem, que pôde aplicar as Escrituras em todas as áreas da vida. O Dr. James Packer chama este livro de o maior livro cristão já escrito.
O livro "A Prática da Piedade" de Lewis Bayly é um modelo de manual devocional Puritano. A idéia era a de regular o dia inteiro de um indivíduo pelas Escrituras. O Dr. John Gerstner diz que este livro deu início ao movimento Puritano.
Não havia nenhuma área da vida, criam os puritanos, que não devesse ser regulada pelas Escrituras. Mesmo o tempo a sós deveria ser posto à disposição do uso da piedade. Nathanael Ranew escreveu uma refinada obra — intitulada "Solidão Aperfeiçoada pela Meditação Divina". Esta é uma obra puritana clássica sobre meditação espiritual. A premissa de Ranew é que, mesmo quando o cristão está só ele pode "melhorar-se" a si mesmo usando sua mente para o bem, meditando em Deus e em Seus atributos. Se existisse um 11º mandamento, este seria: "Não deveis desperdiçar tempo".
Os Puritanos escreveram vários destes "manuais". John Preston pregou cinco sermões em I Tessalonicenses 5:17 sobre a oração, entitulados "O exercício diário dos Santos", os quais estão incluídos no "Os Puritanos e a Oração".
R.C. Sproul escreveu o prefácio do livro de Jeremiah Burroughs "Tratado sobre Mentalidade Terrena". Eis aí um livro sobre o grande pecado de pensar como o mundo pensa, ao invés de pensar os pensamentos de Deus e segundo Deus.
Os Puritanos tinham característica pastoral forte, além de serem muito teológicos. Christopher Love — sobre quem eu escrevi um livro "Um Espetáculo para Deus" — disse o seguinte, em seu terceiro volume sobre sermões de crescimento na graça:
Não olhe demais para os seus pecados, mas olhe também para a sua graça ainda que fraca. Cristãos fracos olham mais para os seus pecados do que para suas graças recebidas; Deus olha para suas graças e não atenta tanto para seus pecados e fraquezas. O Espírito Santo disse: "Ouvistes da paciência de Jó"; mas Deus leva em conta não o que existe de mau em seu povo, mas o que é bom nele. É mencionado o fato que Raabe escondeu os espias, mas nada é mencionado a respeito da mentira que ela contou. Aquilo que foi bem feito foi mencionado como louvável sobre Raabe. Já o que foi inapropriado está sepultado em silêncio, ou pelo menos não está registrado contra ela e nem como acusação contra ela . Aquele que desenhou o quadro de Alexandre com sua cicatriz na face, desenhou-o com seu dedo sobre a cicatriz. Deus coloca o Seu dedo de misericórdia sobre as cicatrizes de nossos pecados. Oh, como é bom servir um Senhor assim, que é pronto a recompensar o bem que fazemos e ao mesmo tempo está pronto a perdoar e esquecer o que é inapropriado. Por isso, vocês que têm só um pouco de graça, lembrem-se que ainda assim Deus terá os Seus olhos sobre esta pequena graça. Ele não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega. (Is 42:3)
7) Os Puritanos nos ajudarão no evangelismo que é bíblico. Grande parte do evangelismo feito hoje é centrado no homem, mas o evangelismo Puritano era centrado em Deus. Os puritanos tinham outra doutrina, que se tem perdido hoje em dia e tem o nome de "buscar" ou "preparação para a salvação". Era uma doutrina amplamente difundida entre os Puritanos ingleses e os reformadores. Foi ensinada por Jonathan Edwards em seu sermão "Forçando a entrada no Reino", e antes disso foi ensinada por seu avô Solomon Stoddard. Stoddard escreveu "Um Guia para Cristo", q ue John Gerstner chama de o mais refinado manual sobre evangelismo reformado que ele conhece. Além deste, você poderia querer ler "O Céu tomado por violência" de Thomas Watson.
A doutrina da busca nos ensina que Deus trabalha através de meios, e se um homem deseja ser salvo ele deve se apropriar destes meios. Deixe-me dar-lhe um exemplo. A fé vem pelo ouvir, e os homens são salvos pela fé, ou melhor, os homens são salvos pela graça através da fé. Mas se preciso de fé para agradar a Deus e eu percebo que não tenho fé para crer em Deus para a salvação, o que eu deveria fazer?
E é aqui que entra o "buscar". Se a fé vem pelo ouvir, então eu devo ouvir alguém pregar um sermão ortodoxo sobre Cristo. Se Deus vai me salvar, seu meio normal será através da pregação do evangelho. Deus não tem obrigação de me salvar se eu escuto um sermão, mas Ele provavelmente não me salvará sem que eu escute um sermão sobre a graça de Deus.
O pecador, então, deve fazer todo o possível dentro de seu poder natural para amolecer o seu coração. Ele não pode merecer a salvação, mas pelo menos ele pode "cooperar" com Deus em sua salvação ao invés de opor-se a Ele. Eu não me torno agradável a Deus por estar buscando — desde que o esteja fazendo sem interesse próprio — mas eu estou sendo menos ofensivo a Deus ao invés de mais ofensivo; e mesmo se Deus não me salvar, a minha punição no inferno será menor. E os Puritanos diriam: "Se você não pode ir a Deus com um coração reto, então vá a Ele procurando por um coração reto". Busque ao Senhor.
8) Ler os Puritanos nos ajudará a ter prioridades certas. Segundo Coríntios 5:9 diz: "É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe ser agradáveis". Um puritano falou da seguinte maneira: "O sorriso de Deus é minha maior recompensa; Sua expressão de desaprovação é meu maior temor". Se é verdade que nós nos tornamos como as pessoas com as quais gastamos o nosso tempo, então é um investimento para a eternidade gastarmos tempo com os puritanos. Então, gaste o seu tempo com o melh or! O livro "Temor Evangélico" de Jeremiah Burroughs é sobre termos a prioridade correta. Trata-se de sete sermões sobre Isaías 66:2, sobre o que significa tremer da Palavra de Deus. Se Deus fala "É para este que olharei,..., e que treme da minha Palavra", então seria sábio sabermos o que é tremer da Palavra de Deus.
9) Os Puritanos podem nos ajudar a esclarecer a questão de como um homem é justificado diante de Deus. Outro título do Solomon Stoddard é sua obra prima sobre justiça imputada: "A Segurança da Apresentação, no Dia do Juízo, na Justiça de Cristo". Não tenho como não enfatizar extremamente a importância de ser são e sóbrio sobre esta questão de justiça imputada nestes dias onde tantos não estão sendo sóbrios e claros na eterna diferença entre justiça imputada ou atribuída e justiça infundida. A diferença entre estas duas posições não é só a dist ância entre Roma e Genebra; mas é também a distância entre o céu e o inferno. Eu recomendo para as suas leituras sobre este assunto, o livro "Justificação Somente Pela Fé". Se você quer especificamente um livro puritano sobre esta questão, então leia "Os Puritanos e a Conversão", ou leia o livro de Matthew Mead, "O Quase Cristão Descoberto". Mead lista vinte e seis coisas que uma pessoa deve fazer como cristã. Fazendo estas coisas não prova que ela realmente seja cristã, no entanto não fazê-las prova que ela não é cristã. Não é para a fraqueza do coração. Esta era a versão do século 17 de "O Evangelho Segundo Jesus", 300 anos antes de John MacArthur ter escrito aquela obra preciosa.
10) Finalmente, olhemos para os Puritanos e a Autoridade da Palavra. Sabemos que as Escrituras são Deus falando conosco. O versículo clássico de Timóteo nos diz que "Toda Escritura é inspirada por Deus" (literalmente soprada por Deus). E sabemos que seja o que for que Deus diga, nós devemos obedecer. De fato foi isto que o povo de Deus do Velho Testamento percebeu. Em Êxodo 24:7 eles declaram: "Tudo que o Senhor falou nós faremos, e seremos obedientes". Não há nada que o Senhor diga que nós não devamos fazer; e se não o fazemos nós não somos cristãos! A coisa é simples assim!
Um puritano que era membro da Assembléia de Westminster em 1643 escreveu: "A autoridade da Escritura Sagrada, por causa da qual se deve crer e obedecer, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja; mas depende totalmente de Deus (que é a própria Verdade) o autor da mesma. E por isso ela deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus".
Sabemos que quando Deus fala nós devemos ouvir. De fato, grande parte da Grande Comissão é ensinar às pessoas a se submeterem à autoridade da Palavra de Deus "ensinando-os a observar tudo que vos tenho ordenado" (Mt 28:20).
Isto é o que surpreendia as pessoas quando Jesus ensinava. Mateus 7:29 diz que quando Jesus ensinava, as pessoas ficavam maravilhadas. Qual era a base para a admiração delas? "Ele estava ensinando-as como quem tem autoridade, e não como os escribas".
É exatamente assim que os pregadores devem pregar: com autoridade. É um mandamento de Deus que eles assim o façam. "Falai estas coisas, exortai e reprovai com toda autoridade. Não deixe que ninguém te despreze" Tito 2:15. Enquanto afirmamos que se Deus dissesse alguma coisa nós o obedeceríamos, nós nos esquecemos que o ministro fiel é Deus falando a nós hoje. É a visão da Reforma do ministério do púlpito: quando um ministro fiel está expondo a Palavra de Deus, é a voz de Deus que você está ouvindo e não a de um homem. E isto quer dizer que deve ser obedecida.
Mas o que você escuta após o sermão? O melhor que você ouvirá é "Isto é interessante, terei que pensar sobre isto". Mas Deus nunca nos deu Sua Palavra para ter nossa opinião ou para pensarmos sobre o assunto. Ele nos deu Sua Palavra para que a obedeçamos. O Puritano Thomas Taylor escreveu:
A Palavra de Deus deve ser pregada de tal maneira, que a majestade e a autoridade dela sejam preservadas. Os embaixadores de Cristo devem falar Sua mensagem como se Ele literalmente o fizesse. Um ministro lisonjeador é um inimigo desta autoridade, pois se um ministro deve contar "placebos" e canções doces é impossível que ele não venha trair a Verdade. Resistir esta autoridade ou enfraquecê-la é um pecado temível, seja em homens de alta ou baixa posição. E o Senhor não permitirá que seus mensageiros sejam interrompidos. Os ouvintes devem: a) orar por seus mestres, para que possam transmitir a Palavra com autoridade, com poder e claramente; b) não confundir esta autoridade nos ministros como rudeza ou antipatia, e muito menos como loucura; c) não recusar a sujeição a esta autoridade, nem ficar ofendidos quando ela sobrepuja uma prática onde eles estão relutantes em largar; pois é justo para com Deus apagar a luz daqueles que recusam a luz oferecida.
Deuteronômio 30:20 equipara um Deus de amor com obediência à Sua voz, e diz que é assim que amamos.
Bem, era assim que os puritanos viam as Escrituras. Sua elevada visão de Deus veio de sua elevada visão das Escrituras. E se nós quisermos conhecer a Deus como eles, nós devemos amar Sua Palavra como eles amaram. E este amor aumentará somente através de estudo intenso e diligente. E ler os puritanos é a próxima boa coisa. É como ir a escola com as mentes mais brilhantes que a igreja já teve.
Onde você deveria começar? Recomendo ao iniciante os seguintes títulos:
O Amor Verdadeiro do Cristão ao Cristo Invisível, de Thomas Vincent.
A Maldade do Pecado ou O Dever da Auto Negação, Thomas Watson.
Amostras de Thomas Watson, um pequeno livro de dizeres coletados.
A Graça da Lei, Ernest Kevan; um bom livro sobre o papel da lei na teologia puritana.
Os Puritanos e a Conversão, Os Puritanos e a Oração. Dois excelentes compêndios que dão ao leitor o melhor do pensamento puritano sobre os respectivos temas.
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Traduzido pelo ministério "Os Puritanos" e publicado na revista "Os Puritanos" em 1995.
Permissão para publicação no site Fiel gentilmente concedida por Dr. Manoel Canuto, do ministério "Os Puritanos". Copyright© Don Kistler. Copyright©1995 Ministério Os Puritanos
Fonte: [ Editora Fiel ]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PENTECOSTAIS COMO PRINCIPAL COMBUSTÍVEL DO FOGO DO INFERNO. PARTE 1


O meu desejo ao escrever esse comentário, e justamente o de tentar encorajá-los a ter ousadia na defesa da fé. Para isto, vamos dialogar sobre um assunto muito polêmico no meio evangélico hoje, a saber, o crescente movimento herético chamado pentecostalismo e suas ramificações. O título pode ser um pouco forte, mas eu só consegui encontrar esse para tentar descrever com poucas palavras, no título, é claro, o que pretendo dizer, e mostrar biblicamente como estou correto ao fazer essa afirmação. Vamos logo começando por seus ensinamentos principais.
Teologia da determinação: Cristianismo ou feitiçaria com roupagem moderna?

“Então o tentador, aproximando-se, disse: Se é filho de Deus MANDA que essa pedra se transforme em pães”. MT 4:3

Infelizmente hoje nas igrejas têm-se visto muitos crentes serem levados por falsas doutrinas, como por exemplo, a teologia do determinismo, em que o povo é ensinado por seus pastores a determinarem as suas bênçãos e a colocarem Deus contra a parede exigindo vitórias e “direitos”, porém a verdade é que esse ensinamento equivocado possui o mesmo princípio satânico que vemos no versículo bíblico acima, onde satanás tenta induzir a Jesus a “determinar” ou “reivindicar” que a pedra se torne em pão: “Manda que essa pedra se torne em pão...”

Podemos perceber que satanás lança sua proposta: mande,ordene,reivindique de Deus que transforme essas pedras em pão, Ele tem que satisfazer a sua vontade, se você é filho mesmo você pode. Jesus rejeitou essa proposta. O princípio satânico é o mesmo dessa teologia que parece querer colocar o homem na posição de comando, onde o povo é incentivado a dar ordens a Deus, tentando colocar o homem no comando, a criatura ordenando ao Criador. Temos que ter muito cuidado com esses ensinamentos neo-pentecostais, pois podem trazer muitos prejuízos a obra de Deus e a vida espiritual de muita gente. O Diabo é muito esperto, veja que ele tentou Jesus num momento que qualquer um de nós cairia, pois foi um momento em que Jesus estava debilitado pelo longo tempo de jejum, ele ofereceu o que qualquer um queria nessa hora, ou seja, a comida, que estava ao pleno alcance do Senhor, pois com apenas uma palavra Ele poderia transformar aquela pedra em pão, como também fazer surgir qualquer tipo de comida do nada. Mas, vejamos a sábia resposta do Senhor Jesus: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. (NVI)
Essa ação de tentar tirar Jesus do trono e determinar que ele faça alguma coisa, é nada mais do que tirar a soberania de Deus, pois se eu tenho um Deus que é Onipotente, mas não é Soberano, posso manipulá-lo de alguma forma para o meu bel prazer. Isso é uma razão do fogo do inferno está a cada dia mais forte, pois há muitos que pensam dessa forma que estão lá e o fogo não para de aumentar, pois está a cada dia sendo mais e mais abastecido com uns combustíveis bem inflamáveis chamados pentecostais e neo-pentecostais.

Doutrinas de demônios

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” I Tm 4:1

os pentecostais ensinam, dentro dessa falsa doutrina, a “confissão positiva” onde dizem que a palavra do homem, ao ser pronunciada, tem grande “poder” e por isso deve-se ordenar e determinar algo através do poder de sua palavra e assim, pela “fé”, um poder será liberado e aquilo vai acontecer e seus desejos carnais serão satisfeitos,do mesmo jeitinho que a feitiçaria ensina, justamente que uma palavra de comando previamente determinada deve ser ativada e assim aquilo que você deseja é liberado. Podemos, então, discernir que essa doutrina da determinação possui o mesmo princípio ocultista, místico e demoníaco utilizado por religiões satânicas, trazendo assim doutrinas de demônios, sorrateiramente, para dentro das igrejas. Dessa forma, mais um motivo de pentecostais ser o principal combustível do fogo do inferno, pois a Bíblia diz que: “...os que praticam feitiçaria...e todos os mentirosos...o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte. Ap.21.8 NVI

servos ou Senhores?

“Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis; Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Gn 3:4-5

Vejam só com que malícia enganou nossos primeiros no Éden. Se o poder será “ativado” pela palavra “poderosa” (confissão positiva) do homem, o comando é do homem e não mais do Senhor, logo este estará independente de Deus, justamente como a serpente sugeriu a Eva no Éden conforme o versículo acima, a sedutora oferta de ser igual a Deus, a estar no comando, a ser independente do Senhor, conforme um dia Lúcifer desejou,ele quis tomar o lugar e a Soberania de Deus e ainda hoje quer implantar no homem a mesma semente maligna de rebelião. Na verdade, pastores e líderes que pregam esse engano, não passam de instrumentos de suas próprias cobiças, seduzidos por o método de crescimento rápido e instantâneo de igreja sugerido pelo Papa deles, o Rick Warren. O povo, por sua vez, também atraídos pela sua própria cobiça e querendo um Jesus “instantâneo” para satisfazer seus desejos carnais e luxúrias, sem esquecer se seus caprichos acabam sendo presas fáceis para esse tipo de “negócio”, ou seja, é a clientela e os mercenários da fé, uns mercadejam a Palavra de Deus e vendem Jesus por “trinta moedas de prata”, propagando um evangelho falso, porém muito lucrativo, que enche suas igrejas, enquanto, por outro lado, o povo aceita prontamente tais ofertas, pois querem garantir suas bênçãos sem nenhum compromisso sério com a palavra de Deus, afinal o homem tem essa tendência de querer satisfazer seus anseios e assim são iludidos e persuadidos, tornando-se um Verdadeiro mamulengo nas mãos de lobos devoradores.

Deus é soberano
Desse assunto eu tenho a honra de transcrever as palavras de um servo do Senhor que contribuiu muito para muitos cristãos, tanto em sua época como agora com seus escritos. A.W. Pink, em seu livro, os atributos de Deus, da editora PES.

O sentido da sobe¬rania divina é que Deus é Deus de fato, bem como o é de nome, que Ele ocupa o trono do universo dirigindo todas as coisas, fazendo todas as coisas "... segundo o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11).
Acertadamente disse o senhor Spurgeon em seu sermão sobre Mateus 20:15; "Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus, Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas? Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová. Os homens se dispõem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono. Dispõem-se a deixá-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas. Deixarão que esteja em Seu dispensário a distribuir esmolas e a conceder be¬nefícios. Permitirão que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, que acenda os luzeiros do céu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando nós proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, como também de dispor de Suas criaturas como Ele achar melhor, sem consultá-las sobre a questão, então os homens nos vaiam, nos amaldiçoam e se fazem de surdos para não nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono não é o Deus que eles amam. Mas é Deus no Seu trono que muito nos agrada pregar. É em Deus no Seu trono que confiamos".

Deus é soberano e não divide sua glória com ninguém. Todo poder foi dado ao Senhor no céu e na terra, e nós homens, recebemos as bênçãos de Deus pela sua graça, que significa favor IMERECIDO, e não um direito a ser exigido de Deus.
A bíblia nos ensina a pedirmos e não ordenarmos nada. Quem mandou Jesus ordenar que as pedras se tornassem em pão foi o diabo. Jesus recusou a oferta de satanás. Ele disse que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus. Que nós também venhamos a recusar e viver segundo a Palavra de Deus. Somos servos e Ele é o Senhor!
Deus me revelou...
Quantos de nós já ouvimos essas palavras ao freqüentar um culto pentecostal? Muitos de nós as vezes até nos perguntamos, mas Deus falou com ele e comigo não, acho que ele é mais santo do que eu, mas não questionamos essa “santidade”. Se Deus realmente falou com esse “profeta”, então essa profecia deverá ser registrada Bíblia, pois é a palavra de Deus. Sobre esse assunto, usarei as palavras de Patch Blakey, em um artigo publicado na Revista Os Puritanos, ANO V – N° 7 – Novembro/Dezembro - 1997. Via: [ Monergismo ].
Por toda a minha vida cristã eu tenho ouvido outros crentes usarem a expressão “Deus me revelou”, ou alguma coisa parecida. Certa vez, minha esposa contou-me que, alguns anos antes de nos conhecermos, um jovem crente lhe disse que Deus revelara a ele que ela era a moça com quem se casaria. Não preciso dizer que não era. Da mesma forma, em outra ocasião, um jovem me disse que Deus havia lhe revelado que o meu carro (que na época estava à venda) estava reservado para ele.
Ele correu para me informar que não tinha o dinheiro para pagar o preço pedido, mas que apesar disso, Deus tinha lhe dito que o carro seria seu. Para mim foi um tanto engraçado, e possivelmente um pouco desconcertante para ele, quando eu telefonei algumas semanas mais tarde para dizer-lhe que o carro havia sido vendido a outra pessoa que, na providência de Deus, possuía a quantia pedida.

Em outra ocasião, eu estava em um debate teológico com um velho amigo missionário. Enquanto trocávamos versículos e pontos de vistas em nossas cartas, meu amigo missionário finalmente me confidenciou que ele defendia o seu ponto de vista daquela maneira porque, como ele próprio disse: “Foi como se Deus tivesse me dito”. Para reforçar ainda mais seu argumento, ele acrescentou que tal fato (como que uma aparente mensagem de Deus) havia acontecido somente umas vinte vezes em toda a sua vida cristã. Naquele tempo, achei tal argumento difícil de refutar, embora eu continuasse pensando que a sua compreensão do assunto em questão estivesse em desacordo com a Bíblia.

Há muitos outros exemplos. A maioria de nós os temos experimentado. Pessoas se levantam na igreja e anunciam: “Eu tenho uma mensagem de Deus!”. Outros deixam seus empregos e vivem uma vida de ascetismo porque quando estavam presos no trânsito ouviram o locutor de rádio anunciar algum produto e entenderam isso como sendo uma palavra pessoal de Deus para eles. O que devemos fazer com tudo isso? Existe uma fonte inspirada de revelação à parte da Bíblia? A revelação divina, como dizem alguns, ainda continua? Esses que ouvem tais mensagens são mais santos do que o resto de nós? E o que dizer daqueles que têm uma “mensagem do Senhor” que não se realiza? Teria o Deus onisciente se enganado?

No Antigo Testamento a palavra do Senhor vinha pelo Espírito de Cristo (1 Pe. 1:11) que falava através dos profetas (Hb. 1:1). Falsos profetas, aqueles que falavam por sua própria iniciativa, sem que o Senhor lhes ordenasse, eram condenados à morte (Dt. 18:20, Jr. 14:15, Zc. 13:3). Esta era uma punição severa e definitiva para dissuadir aqueles que quisessem se jactanciar falando coisas vãs em nome do Senhor, com o intuito de serem seguidos pelos homens. Isso também ajudou a preservar a verdadeira palavra de Deus, visto que as falsas profecias não foram mantidas como revelação divina, muito embora tenham sido registradas nas Escrituras pelos verdadeiros profetas de Deus.

No Novo Testamento, Deus falou ao seu povo através do próprio Senhor Jesus Cristo (Hb. 1:2), e subseqüentemente através dos apóstolos e profetas (Ef. 4:11,12).

O apóstolo Pedro reconheceu os escritos do apóstolo Paulo como Escritura (2 Pe. 3:15,16). Paulo reconheceu os escritos de Lucas como Escritura (1Tm. 5:18, cfe Lc. 10:7), e assim por diante. Entretanto, nem todo aquele que reivindicava o apostolado era apóstolo. Paulo reconhecia que havia falsos apóstolos (2 Co. 11:13), e João advertiu seus leitores contra muitos falsos profetas que já haviam começado a aparecer (1 Jo. 4:1). Finalmente, o Espírito Santo nos atesta a autenticidade das Escrituras (1 Co. 2:11,12).

A Bíblia é um livro completo; um livro terminado, não um caderno daqueles que se pode adicionar mais páginas. Nós não continuamos a receber páginas adicionais para inseri-las em novos capítulos à medida que são impressas. A Bíblia é o registro da revelação específica de Deus para o homem. A natureza é uma revelação de Deus para o homem (Rm. 1:20) e ela ainda continua a revelar, mas é insuficiente como uma base para se conhecer a vontade específica de Deus. Por exemplo, quem poderia inferir da natureza a monogamia, a queda do homem ou a nossa necessidade de fé em Cristo? E devido à natureza soberana de Deus, Ele, na Sua providência, preserva a Sua palavra através da história (Mt. 5:18).

Deus entregou a Sua palavra aos judeus, não somente àqueles que creram, mas aos judeus como uma raça, um povo (Rm. 3:1,2). Os judeus eram o povo escolhido de Deus (Dt. 7:6). Mas essa condição especial mudou, visto que eles rejeitaram o Senhor Jesus Cristo como seu Messias (Jo. 19:15, Mt. 21:33-45). A transição completou-se no ano 70 depois de Cristo, quando os romanos destruíram o templo junto com o resto de Jerusalém. Esse foi o sinal definitivo de que Jesus estava reinando dos céus e de que os judeus não eram mais, como nação, o povo escolhido de Deus (Mt. 24:2-30; Mc. 12:1-9; Lc. 20:9-16; Rm. 2:28,29). Por conseguinte, não havia mais um sistema estabelecido de escrituração da palavra revelada de Deus.

Tanto Daniel como Paulo profetizaram que a revelação haveria de cessar (Dn. 9:24; 1 Co. 13:8). De fato, Daniel indicou que a revelação de Deus seria encerrada com a destruição do templo que existia na época de Cristo (Dn. 9:26).

Mas, por que Deus não concederia uma palavra de revelação para o Seu povo, a igreja, nos dois mil anos depois da encarnação de Cristo? Simplesmente porque Ele já havia revelado o que é necessário à vida e à piedade (Dt. 29:29; 2Pe.1:3). Deus várias vezes advertiu severamente o Seu povo a não acrescentar nada à Sua palavra (Dt. 4:2, 12:32; Pv. 30:6; Ap. 22:18,19). Acrescentar qualquer coisa ao que Deus já disse é negar a auto-suficiência da Bíblia (e assim dizer que Deus é mentiroso) e exaltar a vã imaginação humana a um nível divino, contrário às Escrituras (Is.55:8,9).

"Deus me revelou" pode ser aceitável se for seguido por um capítulo e versículo da Bíblia. Certamente ir além disso é arrogância humana da pior espécie e deve ser chamada do que realmente é — heresia. Como povo de Deus, nós devemos humildemente nos limitar àquela palavra que Deus tem revelado a todo o Seu povo desde os tempos dos apóstolos, aos sessenta e seis livros da Bíblia e a nada mais.

“Deus me revelou” isso? Não!
Depois destas palavras, aí está mais um motivo de pentecostais ser uns dos principais combustíveis do fogo do inferno.
A igreja deve ir atrás de uma estrutura doutrinária bem sólida. Esta estrutura deveria ser o ponto de partida para dar início ao funcionamento de qualquer igreja. Procurar se posicionar diante de uma corrente doutrinária bíblica é imprescindível se queremos nos afastar das similaridades encontradas entre a igreja e o mundo, visto que os deveres cristãos (principal divisória entre o comportamento cristão e o mundano) são cumpridos com base em convicções doutrinárias inflexíveis.

Precisamos rejeitar qualquer formulação de um sistema doutrinário amoldado às disposições subjetivas e tendenciosas de cada pessoa, lutando em favor da existência de uma igreja fiel e de convicção doutrinária irredutível. Rejeitar a idéia de "cada pessoa tem a sua verdade", mas proclamar a Verdade Absoluta das Escrituras, para não fazer parte do combustível do fogo do inferno juntamente com os pentecostais.
Este momento é o momento que exige uma posição doutrinária convicta e destemida. Os púlpitos conservadores devem falar constantemente dos ideais da igreja e do seu papel na defesa da Palavra de Deus.Precisamos doutrinar esta geração e repetir as atitudes dos nossos pais na fé na luta por uma pregação bíblica fiel e expositiva das doutrinas da Graça, doa a quem doer. Precisamos manter crentes fiéis e inflexíveis na teologia e moldar outros para não serem levados por todo vento de doutrina. Que as nossas igrejas sejam mais rígidas e rigorosas na exigência de uma profissão de fé anti-maçônica, anti-pentecostal, anti-arminiana e anti-liberal.

Que os nossos púlpitos conservadores e reformados sejam verdadeiros púlpitos puritanos de onde são ensinadas as antigas doutrinas da graça, doutrinas fundamentais da Palavra de Deus. “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).
Também quero fazer minhas as palavras de um homem de Deus que possui uma visão bílica do caso, o Pb. Geovani F.dos Santos:
Precisamos nos precaver de todo o ensino contrário à palavra que muitas vezes é imposto com uma roupagem de inovação, mas não passa da velha mentira satânica camuflada de uma nova roupagem que serve de engodo aos incautos crentes preguiçosos da leitura bíblica. Tais ensinos heréticos precisam ser rechaçados e não tolerados. Porque levam ao tropeço na fé e à perdição. Que Deus guarde nossas igrejas do fermento de iniqüidade, isto é, a falsa doutrina e o falso ensino que contaminam e causam danos à fé.

...E A QUESTÃO DOS MILAGRES?

Antes de fazer um comentário a esse respeito, eu quero também fazer uso das palavras de R.C. Sproul, Extraído de A Mão Invisível – Todas as Coisas Realmente Cooperam para o Bem?R.C. Sproul. 1ª Edição, Editora Bompastor, 2001. São Paulo, SP. 237-262, que pesquisei no site. www.monergismo.net.br :

. Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma (Dt 13.1-3).

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade (Mt 7.22,23).

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; eis que ele está no interior da casa, não acrediteis (Mt 24.23-26).

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade (2Ts 2.9-12).
“As Escrituras retratam Satanás como um ser superior a nós. Ele é um ser angelical, embora seja um anjo caído. Como tal, estritamente falando, ele não é um ser sobrenatural. Ele pode ser superior ao que esperamos ver na “natureza” comum, mas ele ainda pertence à ordem natural no sentido de que ele é uma criatura e parte da ordem de criaturas da natureza. Ele não está no nível de Deus e não possui atributos divinos incomunicáveis. Ele é um ser espiritual, porém um espírito finito. Ele não é infinito, eterno, imutável, onisciente ou onipresente. Ele pode ter mais conhecimento do que temos e um poder maior, mas ele não tem o poder divino.”

“Quando a Bíblia fala de pretensos “milagres” de Satanás, suas obras são chamadas de “sinais e prodígios de mentira” (2Ts 2.9). A questão é a seguinte: o que quer dizer o termo mentira? Isto significa que Satanás pode realizar milagres verdadeiros em favor de uma causa mentirosa? Ou significa que os sinais e prodígios que ele realiza são mentiras na medida em que são truques fraudulentos e não milagres verdadeiros? Os teólogos se dividem nesta questão.”

“Alguns crêem que Satanás pode realizar milagres verdadeiros no sentido de que ele pode fazer obras que são contra naturam, e alegam que essas obras não são contra peccatum , ou “contra o pecado”. Esta distinção técnica tem o objetivo de mostrar que, embora Satanás possa agir contra a natureza, ele nunca pode, ou pelo menos não poderá, agir contra seus próprios propósitos do mal, que são “a favor do pecado” em vez de “contra o pecado” . O raciocínio é que uma casa dividida contra si mesma não permanece e Satanás nunca agirá contra seus próprios objetivos fazendo milagres. Seus milagres sempre são direcionados contra o bem e a verdade de Cristo. Sabemos, por defensores dessa opinião, que podemos discernir a diferença entre os milagres de Satanás e os milagres de Deus, sujeitando-os à prova da Escritura.”
Devemos ter muito cuidado com essa questão de milagres nos dias atuais, pois Deus não realiza milagres desse modo que muitos milagreiros estão fazendo hoje, somente para sua exaltação e arrancar dinheiro dos incautos, fazendo barganhas com Deus e deixando o povo pensar que pode comprar as bênçãos de Deus. Lembre-se: Deus pode fazer muitos milagres, mas sem interferência humana. Quem acha que pode realizar milagres por aí, semelhante os charlatães pentecostais, são nada mais, nada menos do que combustível para o fogo do inferno fazendo companhia a eles. Outra coisa, Deus só realiza milagres se quiser, pois Ele é Soberano. Nada que eu ou você fizer achando que pode merecer qualquer milagre dele, vai fazê-lo mudar de opinião se ele não quiser operar um milagre.
Nesse momento eu vou entrar num assunto que deixará muitos perplexos, mãe é claro, aqueles que ainda não sabiam disso. Existem essas heresias e muito mais no meio pentecostal, como por exemplo, os chamados modismos. Eu pesquisei sobre isso num estudo do pastor Pr. Ricardo Correia de Mattos e vocês ficarão escandalizados com o tamanho das heresias encontradas nesse meio pentecostal.
Fenômeno dos dentes de ouro ou “culto do garimpo”.
Modismo é tudo aquilo que foge a ortodoxia cristã, sendo meramente um vento de doutrina que vem e logo passa, causando, entretanto, confusão e divisões dentro da igreja. É como uma epidemia que pode causar grandes estragos na igreja e, portanto, estes modismos devem ser contidos.
É importante o cristão não se envolver com modismos e permanecer firme na sã doutrina(Gl 1.6-9; 3.3; Ef 4.14; Hb 13.9).
O Brasil, por estar mergulhado no misticismo, feitiçaria e rituais religiosos, possui um terreno fértil para todo tipo de prática sobrenatural ocultista e sensacionalista; o triste é que muitos crentes querem trazer estas práticas para dentro das igrejas.
Normalmente as igrejas mais atingidas são as neopentecostais, por não possuírem boa base de ensino bíblico. Alguns pastores que até eram sérios, por medo de perderem membros em suas igrejas e principalmente dízimos, abraçam estas práticas.
Agora que você conhece o que é modismo, passaremos a estudar alguns deles, começando pelo assunto: “Dente de ouro”.
Este fenômeno é tipicamente brasileiro, ou seja, não nasceu em outro país; pelo menos que se tenha notícias.
Muitos pensam que os supostos dentes de ouro começaram a aparecer dentro das igrejas, o que é um engano.
O primeiro caso registrado (segundo o relatado nos livros: Evangélicos em crise, do pastor Paulo Romeiro, editora mundo cristão e; O Evangelho da nova era, do pastor Ricardo Gondim, editora Abba press) foi em um centro de macumba. Em 1º de dezembro de 1992, o jornal Diário da manhã, de Goiânia, publicou uma carta do pai-de-santo Firmino Salles de Lima, dirigida à redação do jornal, na qual ele relata que o fenômeno dos dentes de ouro apareceu primeiro na vida da mãe-de-santo Guilhermina de Moraes da Rocha, em Salvador, Bahia, em 1985. Outros adeptos alegam ter recebido depois a mesma “graça”.
Quando a moda dos dentes de ouro chegou às igrejas, o fato já havia ocorrido nos terreiros primeiramente. Não é de se estranhar?
Quando o modismo chegou nas igrejas evangélicas; rapidamente se alastrou, pois infelizmente os crentes, não poucas vezes, gostam de andar guiado pelas novidades e modas; como acontece no mundo, quando um novo estilo é lançado.
Estes crentes abandonam a ortodoxia e muitos, independente do aviso dos seus pastores, são levados pela nova onda.
Muitos iam para as igrejas (inclusive pastores) portando espelhos e lanternas para ver o ouro (daí o nome: Culto do garimpo).
O fenômeno causou muita confusão e transtorno; afinal de contas era de Deus, do Diabo ou da carne?
A questão não é se Deus pode dar obturações de ouro ou não, mais a questão é para que Deus daria obturações de ouro a alguém? Mostrar o seu poder? Não seria isto um argumento superficial? Por que as obturações de ouro surgem justamente entre aqueles que acreditam em doutrinas como a da prosperidade?
Irmãos, não se trata de incredulidade e sim de ver claramente fatos que fogem do padrão bíblico ensinado por Cristo.
Os milagres visam glorificar a Deus e não são feitos para nos satisfazer ou testarmos o poder de Deus; isto é pecado! Mt 4.5-7; 12.39.
Os milagres do novo testamento revelavam o amor de Deus pelo homem e sempre ensinavam algo a respeito deste amor.
O dentista evangélico Osiel Cocareli num artigo publicado na revista Ultimato afirma que, juntamente com outros colegas de profissão, examinaram vários casos e constataram que em quase todos NÃO HOUVE MILAGRE. Apenas dentre aqueles nos quais o contato com os seus dentistas particulares não pôde ser efetuado, os casos ficaram a esclarecer (não que tenha sido constatado milagre, mais sim, que não puderam ser verificados).
A mesma revista relata que durante um culto no qual 30 pessoas afirmaram ter recebido dentes de ouro, nenhum caso foi comprovado.
O trabalho de pesquisa da revista de julho de 93, pg 29, traz o seguinte resultado:
90% eram restaurações ou incrustações já preexistentes; 75%das incrustações eram de duracast (uma liga de cobre e alumínio que assume o aspecto semelhante ao ouro em coloração e brilho, no entanto, sem o valor do mesmo) e 25% eram restaurações em ouro antigas.
O milagre não deve tornar aquele que orou alguém importante e não deve visar um status terrestre para aquele que o recebeu, como, por exemplo, quem tem mais dentes de ouro na boca é mais abençoado.
O exaltado sempre deverá ser o Senhor!
Não há base bíblica para os milagres das obturações de ouro. Isso é mais um motivo para dizer que os pentecostais são o principal combustível do fogo do inferno.
ARREBATAMENTO?... UMA VOLTINHA PELO INFERNO
Toda experiência deverá ser analisada a luz da Palavra de Deus; devemos ser um pouco mais Bereanos! At 17. 10-12. Vejamos:

1º)Primeiramente a Bíblia não conta nenhum caso de pessoas que foram ao inferno e voltaram. Sabemos de relatos Bíblicos de pessoas que foram arrebatados à presença do Senhor; mais ao inferno absolutamente não!
2º)Em segundo lugar, ainda que alguém fosse ao inferno, não teria visto pessoas naquele lugar, pois o inferno ainda não foi inaugurado! Não confundir inferno (lago de fogo e enxofre) com Hades ( lugar onde os ímpios estão aguardando o juízo; lugar de tormentos).
3º)O Diabo não está no inferno e sim nos ares (Jo 1.7,2.2 ; Ef 6. 12)
4º)O Diabo será lançado no inferno somente após o milênio (Ap 20.10)
5º)No inferno não haverá tempo para o Diabo brincar ou torturar alguém, aliás, isto seria um prêmio para ele, mais no inferno ele será atormentado ( Ap 20. 10b)
6º)Quem vai inaugurar o inferno é a Besta e o Falso profeta, após a tribulação (Ap 19.20)
7º)Os ímpios serão lançados no inferno após o juízo final (Ap 20.11-15)
8º)Tudo o que precisávamos saber a respeito do inferno, Deus já revelou através da sua Palavra.
9º)Foi preparado para o Diabo e seus anjos ( Mt 25.41)
10º)Existe consciência (Mc 9.44)
11º)Existe pranto e dor (Mt 8.12;25.46)
12º)O seu fogo é eterno( Mc 9.44)
Uma voltinha pelo céu
Ouvimos muitos testemunhos de pessoas que supostamente foram ao céu, elas relatam histórias como:
a- Viram muitas casas, as melhores sempre são daquelas irmãs do círculo de oração; as piores dos seus pastores.
b - Alguns tiveram a oportunidade de se assentarem no trono de Jesus.
c- Outros afirmam ter visto anjos costureiros bordando toalhas de ouro.
d- Conversaram com anjos e contam todos os detalhes das conversas que tiveram com Jesus e com os anjos.
As histórias são incríveis e os relatos das conversas no céu são impressionantes! Tal como no caso daqueles que foram ao inferno, igrejas convidam estes santos irmãos para testemunharem e lotam nestes dias.
Os que tiveram estas experiências justificam usando o texto de II Co 12.1-4, entretanto:

1º)A ênfase no texto não era o arrebatamento e sim nos sofrimentos de Paulo por amor ao Evangelho. Paulo estava defendendo a sua autoridade apostólica, firmado nos seus sofrimentos por Cristo. Ele dizia que nenhuma experiência poderia ser motivo de orgulho da sua parte, coisa que os “irmãozinhos” andam fazendo por aí!
Alguns falsos apóstolos afrontavam a Paulo e contestavam a sua autoridade. Paulo diz que teria muitos motivos de se gloriar, no entanto, não faria isso, mais se gloriaria nos sofrimentos e fraquezas, pois, segundo ele ensinava, o poder de Deus se aperfeiçoava na sua fraqueza.
2º)Quanto ao que ele ouviu, disse o apóstolo que não era lícito falar(II Co 12.4). Como podem contar supostas conversas no céu estes irmãos?
3º)Paulo esteve no paraíso( 3º céu) e não no céu dos céus!II Co 12.2,4
4º)Paulo nem conta detalhes do arrebatamento. Aconteceram coisas que ele próprio não sabia explicar. ( II Co 12.2,3)
5º)Jamais algum homem na Bíblia foi ao céu e voltou para contar! Jo 3.13
6º)Tudo o que Deus quis revelar a respeito do céu, está escrito em sua Palavra.
7º) Quanto às casinhas no céu, em João 14, Jesus afirmou que na casa do Pai haviam muitas moradas (muitos quartos em uma casa), ou seja, moraríamos para sempre com Deus. Não seremos vizinhos de Deus, ou vizinhos uns dos outros mais morarão juntos!
Nos casos relatados acima, trata-se de falso testemunho, pois não podem resistir diante da Palavra de Deus; entretanto, devemos ter cuidado com a incredulidade também, pois existem casos de verdadeiros arrebatamentos espirituais, embora sejam raros.
Creio neste tipo de operação nos dias de hoje, no entanto, experiências pessoais jamais podem se tornar fonte de ensino ou base de sustentação para a igreja.
O povo não deve ser induzido a este tipo de experiência, pois cairá no engano da carne ou do Diabo.

CULTO DO “CAI-CAI”
Este fenômeno consiste no seguinte: Um determinado “pregador”, que, por sinal nada prega, em certo momento do culto começa a orar pelas pessoas para que elas caiam no chão, supostamente pelo poder de Deus. Algumas vezes é soprado sobre as pessoas para que elas caiam ou joga-se o paletó nelas. Em alguns cultos ocorre uma queda coletiva.
As pessoas vão ao culto para ver o show e as igrejas ficam super lotadas. Geralmente o momento do louvor é extenso (para que se mexa mais no emocional das pessoas) e não se dá a atenção devida a palavra de Deus. Quando há pregação elas giram em torno sempre das mesmas coisas, tais como: Sinta o poder de Deus, Receba a unção e você deve se entregar.
Nota: Poder de Deus para eles é o que faz as pessoas caírem ou então os êxtases emocionais; receber a unção é cair; e entregar é esvaziar a mente e deixar Deus derrubar!
Há aproximadamente 12 anos, no RJ, em uma reunião no Maracanãzinho, O casal Charles e Francis Hanter não somente usou deste artifício, como também incentivou ao público para que orassem uns pelos outros para que o companheiro caísse no chão.
Como a maior parte dos fenômenos bizarros que ocorrem em nossas igrejas, esta moda veio de pregadores hereges americanos, dos quais, o mais famoso é Benny Hinn; sem dúvida alguma este foi o que mais influenciou na divulgação da prática.
Embora Benny Hinn tenha se retratado por algum tempo das suas aberrações, inúmeros pregadores continuam a fazer as mesmas coisas.
Outros “pregadores” famosos que entram por esse caminho são: Kathryn Kuhlman e Kenneth Hagin.
O coração das pessoas, ao agir pela emoção, fica aberto para receber todo tipo de coisa sem passar pelo crivo do intelecto. Não podemos confundir emoção com fé, muitas pessoas tiveram as suas vidas destruídas por agirem pela emoção. O Diabo se aproveita do sensacionalismo e das emoções humanas, uma prova disso é o fato de inúmeros católicos chorarem diante da imagem de Maria e dizer de “pé junto” que ela está presente. Emoção é muito bom, porém não dever ser a base da fé; sei que Deus está comigo não pelo fato de chorar, mais sim porque a Bíblia me diz isto! Chorar é bom, mais não é tudo! A verdadeira fé deve ser baseada em algo, e este algo, é a Palavra de Deus. Devemos ver se determinada prática está conforme os ensinos de Cristo para que não sejamos enganados!
Muitos cristãos andam sentindo coisas nos seus corações esquecendo-se que enganoso é o coração do homem ( Jr 17.9).
Josué agiu pela emoção e desobedeceu a Deus ( Js 9)
As mulheres em Israel choravam por Tamuz ( Ez 8.13-15 )
Lembre-se que :
Toda manifestação sobrenatural deverá ser analisada a luz da Palavra de Deus! Por favor! Não se tornem combustível para o fogo do inferno!
A UNÇÃO DOS QUATRO SERES VIVENTES “unção do riso”
Não podemos definir com exatidão a origem destas manifestações, mais não podemos negar a forte influência e ligação com a “benção de Toronto”. Sem dúvida a Igreja do Aeroporto no Canadá exerceu papel marcante na divulgação do fato. Estudaremos a origem a partir das manifestações na Igreja do Aeroporto.
O fenômeno iniciou-se em 1994 em Toronto (Canadá), na igreja pertencente à Comunhão da Videira, conhecida como Comunhão da Videira do Aeroporto de Toronto, ou simplesmente, Igreja do Aeroporto. O pastor chama-se John Arnott e sua esposa(também ordenada pastora) chama-se Carol.
O movimento, segundo os seus líderes, é um avivamento. Alegam que Deus lhes deu algo a mais, e a presença do Pai é tão forte que as pessoas presentes gritam, rolam pelo chão e dão gargalhadas histéricas (risos incontroláveis, a ponto das pessoas caírem no chão). Nas reuniões também ocorre o famoso “cai-cai”; entretanto, o que mais chama a atenção é a gargalhada Santa, que passaram a chamar de “unção do riso” ou “benção de Toronto”.
Milhares de crentes curiosos foram até Toronto, inclusive muitos pastores. Segundo Arnott foram recebidos aproximadamente 30.000 pastores e líderes; o que fez com que o movimento se espalhasse pelo mundo.
Igrejas brasileiras da chamada 3ª onda (neopentecostais), abraçaram rapidamente o movimento.
Arnott, que era Batista, diz ter recebido algo a mais nas igrejas pentecostais de Toronto.
Sua vida foi fortemente influenciada por Benny Hinn, e no ano de 1992 esteve em um congresso promovido por Hinn em Toronto ansioso em ter a mesma “unção”.
Entrou no ministério da Videira em 1981 e em 1993 começou a pastorear a Igreja do Aeroporto. Seu ministério era típico do movimento neopentecostal, com ênfase nos sinais e prodígios, visões, cura interior, libertação, etc...
Em novembro 1993 o casal foi à Argentina para ver o avivamento que estava acontecendo através de Cláudio Freidzon, um líder das Assembléias de Deus naquele país. Em uma das reuniões, Arnott e sua esposa caíram no chão e ao se levantarem, Cláudio perguntou se queriam receber a unção e eles responderam que sim. Segundo Arnott, o Senhor lhe disse: “O que você está esperando? Receba-a, ela é sua!”.
Quero dar uma pausa aqui neste ponto.
Como pode um homem que se diz pastor andar atrás de toda manifestação mística que surge? Querido, a Bíblia nos ensina a não fazermos tal coisa! Ef 4.14
Que tipo de avivamento Deus deseja dar, sem ser acompanhado de um intenso amor pela sua Palavra, transformação de vida e santidade? Que avivamento é esse no qual as pessoas caem rolando pelo chão gritando como se estivessem possessas?
A maior parte dessas pessoas que rolam, gritam e dão risadas histericamente possuem um péssimo testemunho cristão!
Quando olhamos para o avivamento em Israel na época do rei Josias, percebemos que ele estava ligado com um encontro com a lei do Senhor, arrependimento e mudança de vida! II Rs 22
O verdadeiro avivamento Bíblico no Novo Testamento foi acompanhado de lutas e perseguições; e obediência à ordem de Cristo com intenso desejo de anunciar o Evangelho! At 4.24-31; 5.40-42; 8.1-8.
Todo avivamento verdadeiro deverá sempre ser acompanhado dos seguintes elementos:

1º)É gerado pela ação do Espírito Santo através do amor e obediência a Palavra de Deus;
2º)Trará um forte desejo de santificação, arrependimento de pecados e transformação de vida;
3º)Gera vontade de orar, ler a Bíblia e falar do amor de Deus.
4º)Será seguido por lutas e perseguições que o aumentarão ainda mais!

A “unção do riso”
Em Janeiro de 1994, em um culto na igreja de Arnott, ao orarem com imposição de mãos, as pessoas caíram rindo e chorando ao mesmo tempo; algumas entravam em estado de histeria.
Arnott ficou surpreso, pois esperava apenas o famoso “cai-cai”, no entanto, as pessoas rolavam de rir!
Dês de então, curiosos do mundo inteiro passaram a ir até Toronto para conhecer o que chamaram de “benção de Toronto”.
Em todos as reuniões aconteciam as mesmas cenas: Gargalhadas histéricas; pessoas tremendo, outras duras no chão com os olhos fixados no vazio, etc...
O líder da denominação no Canadá aceitou o fenômeno dizendo ser obra de Deus.
Como toda seita nova ou religião falsa, seus fundadores são baseados em experiências pessoais, alegam que Deus falou diretamente com eles, que tiveram alguma visão ou revelação especial. Veja em Gl 1. 6-9
Amados, tenhamos cuidado com o “sentismo” que impera nesses últimos dias no coração dos crentes. Todos sentem coisas e alegam que Deus falou consigo!
O que há de errado em tudo isso? Com que propósito Deus jogaria as pessoas no chão para se portarem de uma maneira histérica, rindo descontroladamente? Além do que já foi visto anteriormente, não há nenhum respaldo bíblico para a “unção do riso”. Textos como Sl 100.2; 126.2 ou ainda Ne 8.10; Jo 16.22 e Rm 14.17, de modo algum oferecem base para que as pessoas caiam pelo chão rindo histericamente. Estas coisas nos fazem lembrar de I Co 14. 23, 32, 33.
A “unção dos quatro seres viventes”

O pior ainda estava para acontecer. A igreja de Toronto não ficou apenas na unção do riso mais experimentaria em 1995 algo ainda pior.
Durante uma reunião, na qual Arnott não estava presente, no momento da ministração, quando pregava um pastor chinês, líder das igrejas de maioria chinesa na cidade de Vancouver (Canadá), o referido pastor começou a urrar como leão e pôs-se de “quatro”.
Este fato foi comunicado a John Arnott ao retornar de sua viagem aos EUA; o mesmo resolveu então entrevistar o pastor chinês diante da igreja. O fato tornou a acontecer; o pastor “de quatro” urrava como leão, engatinhava de um lado para o outro e gritava: “Deixa ir o meu povo!” Ao voltar a si, ele afirmou que Deus tinha lhe dado aquela mensagem, pois o seu povo (chinês) vivia sob o dragão, mais agora (segundo ele) o Leão de Judá iria livrar o seu povo. Arnott rapidamente teve o fato como algo divino, mais desta feita a denominação excluiu a igreja do ministério.
Embora desligada da Comunhão da Videira no Canadá, a Igreja do Aeroporto já era conhecida o suficiente para se manter.
A UNÇÃO DOS QUATRO SERES VIVENTES- O FENÔMENO NO BRASIL
Sem dúvida alguma; a influência dos acontecimentos ocorridos na Igreja do Aeroporto pode ser detectada claramente em algumas igrejas neopentecostais brasileiras. A unção do riso, os ataques de histeria e muitas outras coisas são vistas ainda hoje em algumas denominações; entretanto nada chama tanta atenção como a unção dos quatro seres viventes.
Como vimos na outra aula, não se pode definir com exatidão onde se manifestou primeiramente a moda, mais fica claro o papel primaz da Igreja do Aeroporto na disseminação da prática.
Do mesmo modo, é difícil precisar quando esta nova onda herética e bizarra chegou aqui entre nós, mais atualmente não se pode deixar de enxergar a forte influência do ministério Casa de Davi na prática da unção dos quatro seres viventes.
Todo modismo vem e passa, mais o duro é quando um grupo que se diz evangélico torna o modismo um dos seus alicerces; por exemplo, o G12, que é uma moda, tornou-se parte do corpo doutrinário de muitas denominações; da mesma forma a unção dos seres é parte fundamental do ministério Casa de Davi.
Pelo motivo deste ministério divulgar a prática acima descrita, faz-se necessário estudar um pouco a respeito dele.
O “ministério” Casa de Davi
O primeiro problema deste ministério é que ele alega não ser uma igreja e sim um suporte de ajuda para que elas aprendam a adorar a Deus. Quando afirmam ser apenas um ministério profético (para eles significa dizer que foram chamados para profetizar / ministrar às igrejas) isso causa um grande problema, pois querem ensinar as outras igrejas como devem agir, causando grande confusão.
Neste ponto eu pergunto: Se não é uma igreja, a quem seus líderes são submissos; por acaso pastoreiam a si próprios? A que denominação eles pertencem?
Qual a base teológica e no que eles realmente crêem em termos de doutrina bíblica?

O ministério Casa de Davi surgiu em 1997, segundo o seu próprio líder, Mike Shea; no entanto, sua primeira visão veio em 1993, quando, segundo o seu relato, Deus mostrou a ele uma chave na cidade de Londrina e desde então vem lhe dando revelações nas áreas de adoração pessoal ao tabernáculo de Davi, mapeamento espiritual, sinais e símbolos proféticos e fundamentos apostólicos para a nação. Em 97, Mike montou a sua equipe junto com a sua esposa Marlene iniciando o ministério Casa de Davi.
O nome deveu-se a chave, que segundo o líder, é a chave literal da Casa de Davi.Esta chave, segundo Mike, é a chave do reino do céu, baseando-se em Ap 3.7 e Is 22.22 .
Para Mike, Deus pois no coração de Davi a construção de um local onde seria adorado 24hs e os sacerdotes e levitas seriam divididos em turnos, Mike afirma ter a missão de levantar um tabernáculo de Davi, onde possa haver esta adoração com divisão em turnos. Ele considera ter recebido de Deus a revelação sobre a adoração verdadeira.
Em 1996, Mike Shea disse que o Espírito santo mostrou o lugar da construção do centro de adoração 24hs que se tornou a sua principal ambição.Em 1997, quando começou a juntara sua equipe, Mike conheceu a Davi Silva que desde então o acompanha em suas viagens e seminários, sendo peça fundamental no ministério Casa de Davi.
Segundo Mike, o ministério Casa de Davi é um ministério profético, ou seja, foi chamado para ministrar (profetizar) às igrejas.
Mike diz ter ouvido do Espírito revelações em forma de ordem, tais como: Deixa fluir o Rio do Leão, Brasil tu és escolhido e Haja a Casa de Davi!
Para angariar fundos, usam de recursos igualando-se a outras igrejas neopentecostais. Como exemplo podemos citar a venda de pulseiras de miçangas que representam o rio do leão e os quatro seres viventes, bem como a realização de seminários com a venda de fitas e outros materiais.

A Casa de Davi se esquece do capítulo quatro de João, versículos 23 e 24 que traz o ensino da verdadeira adoração. Os judeus diziam que o local verdadeiro para se adorar a Deus era em Jerusalém, os Samaritanos diziam que era no monte Gerizim, mais Jesus disse: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.
Aberrações e desvios doutrinários
Aos moldes de seitas, tais como os Mórmons, Testemunhas de Jeová, Adventismo do Sétimo Dia, Igreja da Unificação Mundial (Rev. Moon) e outras, o ministério Casa de Davi está fundamentado em revelações e visões pessoais de seu líder e não na Palavra de Deus; e o pior é que suas visões e revelações são contrárias ao que a Bíblia ensina. Além deste ponto crucial, podemos citar as suas práticas aberrantes, a saber:
Unção dos quatro seres viventes;
Confissão de pecados passados tanto pessoais como da nação, estado ou cidade;
Mapeamento espiritual para descobrir quais os pecados que deixaram Deus afastado daquele determinado lugar;
Venda de objetos simbólicos;
Mistura de judaísmo com misticismo e cristianismo, com certas práticas, tais como toque da buzina, construção do centro de adoração 24hs com divisão de turnos para todas as igrejas participarem em um lugar único onde possam se reunir para uma adoração contínua (imitação fajuta da adoração levítica), adoração de costas para não aparecer (aparecendo!), e outras.
O ministério Casa de Davi prega, nada mais nada menos, que um outro Evangelho.
Evangelho significa Boas Novas, estas boas novas estão escritas na Palavra de Deus, no entanto Mike Shea traz novas revelações. Leia Gl 1. 6-9
Os quatro seres na Bíblia
Os quatro seres viventes são mencionados na Bíblia em Ezequiel, no capítulo 1 e no livro do Apocalipse, capítulo 4, versículos 6 a 11. Depois são citados brevemente nos capítulos 5 .8-14 e 6 .1,3,5 a 7 do mesmo livro(Ap).
No livro do profeta Ezequiel eles retratam a glória de Deus (talvez haja uma relação com os seres de Is 6. 1-8).
Fora os textos acima mencionados, os seres não são mais citados.
Não consegui enxergar nada que justifique as pessoas urrarem na igreja, mugirem, piarem ou chorarem e rirem descontroladamente, e o pior; baseadas na existência dos quatro seres viventes. Vejamos então:
Todo problema gira em torno da adoração, que, segundo dizem, é o tipo de adoração perfeita e que Deus supostamente quer. Perfeita???
1º)Primeiramente, em todos os textos citados sobre os seres viventes, a glória de Deus estava sendo mostrada. Deus é Espírito e não pode ser visto pelos homens, no entanto, ele mostra o seu infinito poder e grande glória através das visões do seu trono majestoso e todo ambiente magnífico que o envolvia. Vale lembrar que a expressa imagem do Pai está em Jesus Cristo o seu Filho.
Em Ezequiel vemos na visão do capítulo primeiro a manifestação do poder de Deus: a sua onipresença (ex: versículo 17), a sua onisciência (ex: versículo 18) e a sua onipotência (ex: versículo 20), e a sua santidade (ex: versículo 23).
Em Isaías, vemos também a manifestação da glória de Deus e sua santidade (6. 2e3).
Nestes dois textos o propósito claro do Senhor é contrastar a sua santidade com a superficialidade do homem. Deus estava chamando os profetas e mostrando que apesar deles serem pequenos, o Deus Todo Poderoso estaria com eles e os capacitaria. Deus estava disposto a usar homens pequenos para mostrar o seu grande poder.
No texto do livro do Apocalipse, os santos são vistos no céu participando desta glória maravilhosa e o capítulo 5 deixa claro que isto se deve a vitória do Cordeiro.
Não existe absolutamente algum tipo de ensino explícito ou implícito nestes textos que justifique a adoração imitando o som de animais; isto é simplesmente ridículo!
2º) Os seres viventes falavam em linguagem inteligível! Eles não urravam, não mugiam, não piavam... Os seres viventes falavam em linguagem compreensiva, pois o intuito da visão era mostrar a exaltação a Deus. Os seres não andavam “de quatro”, mais ficavam de pé, em posição ereta!
Os seres não caíam estrebuchando pelo chão histericamente, mais antes se prostravam, ou seja, tomavam postura de reverência (Ap 5.8).
3º) Ser cheio do Espírito Santo não significa tomar atitudes de loucura e sair de si, o espírito do profeta é sujeito ao profeta e Deus não é Deus de confusão! I Co 14. 32,33 e 40.
4º) Nas reuniões é gerado um clima psicológico que torna as pessoas propensas a fazerem qualquer tipo de papel ridículo induzidas pelos que estão conduzindo a suposta adoração.
5º) A adoração no céu jamais pode ser comparada com a adoração na Terra, haja vista no céu já estarmos glorificados. I Co 13. 8-13
6º) A adoração em Israel, ou seja, no antigo pacto, jamais poderá ser comparada com a adoração desfrutada pela igreja na dispensação da graça de Deus. Jo 4. 23e24 , II Co 3. 13-18, Hb 12. 18-24
Toda prática de adoração que nos leve de volta ao judaísmo e a tradições impostas em forma de nova revelação, fere a Graça de Deus e é contrária ao ensino Bíblico. Exemplos: Adorar de costas para o público, soprar o chifre, etc...
A unção dos quatro seres viventes é uma aberração sem respaldo bíblico e, portanto deve ser rejeitada! Quem não rejeita esse tipo de doutrina falsa, corre o risco de se tornar combustível para o fogo do inferno.
Este artigo poderá causar grandes incômodos aos pentecostais e seus simpatizantes, e com essa primeira parte eu termino fazendo uso das palavras de Martinho Lutero:
“...Onde quer que o evangelho for pregado em sua pureza e simplicidade, engendrará sempre em conflitos e controvérsias...”
“Aqui estou, que Deus me ajude. Não posso proceder de outro modo.”

BIBLIOGRAFIA

Martinho Lutero, Nascido Escravo. EDITORA FIEL
A.W. Pink, os atributos de Deus, da editora PES.
http://www.eleitosdedeus.org/versiculos-arminianos/analise-calvinista-de-versiculos-arminianos-hebreus-2-9-heitor-alves.html#ixzz0gdZHM0gL
Sociedade Calvinista

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os Puritanos e a Psicologia


A orientação psicológica puritana parece pitorescamente antiquada aos padrões atuais, mas provou-se bastante útil no elucidar da vida interior do indivíduo. Pensava-se que o cérebro abrigava seis ou sete compartimentos, cada qual representando um aspecto diferente da alma. Imagens sensoriais de vários objetos, conhecidos como fantasmas, são mediadas por meio de cinco sentidos e entram no compartimento do cérebro conhecido como senso comum. Esse aspecto identifica os fantasmas, distingue-os uns dos outros, e os retransmite à imaginação. A imaginação compara um fantasma a outro, atribuindo-lhes significado e inteligibilidade, e é capaz de retê-los quando o objeto não está mais sendo visto. Os fantasmas são, aí, armazenados na memória para referências e consultas futuras.
A compreensão convoca os fantasmas por meio da memória ou da imaginação; emite juízo quanto a ser certo ou errado, verdadeiro ou falso; aí toma a decisão com relação ao curso de ação a ser seguido. A vontade recebe instruções da compreensão via operação do sistema nervoso e direciona a mesma ao corpo, conforme necessário. Então, as afeições acionam os músculos do corpo, de acordo com o direcionamento da vontade.
A seguinte ilustração demonstra como as faculdades funcionavam conjuntamente: Então o urso, encontrado na região inóspita, provoca no olho um fantasma de urso, que é identificado como pertencendo às espécies de urso, no senso comum, reconhecido como perigoso na imaginação, associado a perigos guardados na memória, é declarado na razão objeto do qual se deve fugir, emitindo um sinal de comando à vontade, que então provoca a emoção chamada medo, que finalmente aciona os músculos das pernas para que ele fuja. Lembrando que essa descrição é absurdamente simplificada, e que para cada ponto dela havia um extenso campo de questionamento, ainda assim podemos considerá-la substancialmente a concepção subjacente ao discurso puritano acerca do comportamento humano, acerca do pecado do homem, e acerca da regeneração.
A faculdade omitida na ilustração, que exerceu um papel-chave no aconselhamento puritano, é a consciência.
A consciência é a faculdade da alma, ligada ao julgamento moral, que lida com as questões de certo e errado, bom ou mau. A palavra vem do latim conscientiae, que significa um conhecimento (scientia) retido com (con) outro, ou seja, Deus. A consciência fala com a voz de Deus, representando um conhecimento partilhado que é, na realidade, o conhecimento mais preciso que um homem pode ter de si mesmo. Ames define a consciência como "o juízo que o homem faz de si mesmo, de acordo com o juízo que Deus faz dele". David Dickson elaborou com requinte a seguinte proposição: "A consciência, no que diz respeito a nós mesmos é... o poder de compreensão de nossa alma que examina como as questões permanecem meio a meio entre Deus e nós, comparando a vontade revelada dEle ao nosso estado, condição e caminhada, em pensamentos, palavras e ações, executadas ou omitidas, e emitindo juízo conforme necessário".
Ames considerou a consciência como sendo um juízo prático por meio do qual as pessoas aplicaram o que sabiam ao se auto-avaliarem, de forma que se tornou norma para direcionar a vontade. No pensamento puritano, a consciência operava de acordo com o formato silogístico. A essa altura, os puritanos tomaram emprestado da casuística católica e utilizaram o pensamento aristotélico na forma do silogismo prático. Embora tenham usado aspectos da metodologia católica, eles negaram os resultados católicos, particularmente o conceito da probabilidade e a ênfase jesuítica acerca de que os fins justificam os meios. A estrutura silogística era composta de três partes: 1) a proposição ou premissa maior; 2) a suposição ou premissa menor; 3) a conclusão. A proposição, ou syntersis, foi o padrão a ser utilizado, brotando da vontade revelada de Deus. A suposição, ou syneidesis, era a medida que o indivíduo tinha de si mesmo, quando comparado aos padrões declarados. A fase da suposição incluía dois passos: primeiro, uma comparação da ação em questão com a proposição, e segundo, o juízo da ação com base na comparação. A conclusão, ou krisis, pronunciava a sentença relativa à ação da pessoa com base no juízo feito na syneidesis. A sentença produziria ou alegria e esperança, ou abatimento e desespero.
Dois exemplos a seguir demonstram o modo de funcionar do silogismo prático. A consciência do descrente, quando alicerçada no testemunho das Escrituras, raciocinaria da seguinte forma:
Syntersis: A pessoa que vive em pecado morre.
Syneidesis: Eu vivo em pecado.
Krisis: Portanto, eu morrerei.
Se o evangelho for abraçado pelo descrente, a consciência dele funcionará da seguinte forma:
Syntersis: Aquele que crê em Cristo não morrerá; viverá.Syneidesis: Eu creio em Cristo.Krisis: Portanto, não morrerei, mas sim, viverei.
Operando dessa forma silogística, a consciência julga independentemente da vontade. "Ela permanece sobre nós, dirigindo-se a nós com a incondicionalidade da autoridade que não demos a ela e que dela não temos como tirar." A consciência funciona como nosso sistema nervoso espiritual - a dor da culpa informa a compreensão de que algo está errado e carece de correção. Para os puritanos, a culpa negligenciada significava destruição certa. Richard Sibbes comparou a autoridade da consciência a um tribunal divino dentro da alma humana, no qual ela serviu de testemunha, promotora, juíza e executora da pena. No livro A Guerra Santa, que descreve a tomada da cidade de Alma Humana por Diábolos, John Bunyan explicou o efeito da consciência - à qual deu o nome de Sr. Oficial de Registros - sobre o descrente: Ele foi muito degenerado pelo seu rei anterior, e também muito se agradou das várias das leis e serviço do gigante; mas nada disso foi suficiente, pois ele não era completamente seu. De vez em quando pensava em Shaddai, tendo boiror da lei deste que sobre ele pairava, e aí falava contra Diábolos com uma voz tão potente quanto um rugido de leão. Sim, e por vezes, quando seus acessos sobre ele pairavam (pois você deve saber que, por vezes, tinha terríveis acessos) toda a cidade de Alma Humana tremia ao som de sua voz.
Em outras palavras, a autoridade da consciência não pode ser completamente ignorada, nem mesmo no não regenerado.
A base para o funcionamento da consciência é a lei de Deus revelada nas Escrituras. A consciência não é, em si mesma, quem outorga a lei, mas sim quem a discerne e cobra obediência à lei de Deus. Uma consciência transviada opera por padrões que não os da Palavra de Deus, e em lugar de ser obedecida, deveria ser mais bem instruída. De outro lado, uma consciência cristã saudável, Está constantemente em funcionamento, ouvindo a voz de Deus em Sua Palavra, procurando discernir a vontade dEle em tudo, ativa na auto-vigilância e no julgar de si mesma. O cristão saudável conhece sua fragilidade e sempre suspeita e desconfia de si mesmo para que o pecado e Satanás não estejam servindo inesperadamente de tropeço a ele; portanto, ele com freqüência se atormenta diante de Deus, examinando seus feitos e motivos e cruelmente se condena quando se encontra em deficiência e desonestidade moral.
O crente puritano procurava sensibilizar sua consciência para com o pecado. Progressivamente, o grau de sua autocondenação tornou-se a medida de sua semelhança a Cristo.
Para os puritanos, a piedade consistia primordialmente na obtenção e manutenção de consciência limpa perante Deus, por meio de uma cuidadosa e informada obediência à verdade bíblica. Essa ênfase levou ao surgimento da casuística puritana ou casos de consciência, nos quais toda circunstância ou eventualidade concebível da vida diária era considerada para que se pudesse delinear a reação adequada, que honrasse a Deus. Havia dois axiomas reinantes da casuística puritana:
1) que nenhuma verdade conhecida deveria ser comprometida ou negada na prática e
2) que nenhum pecado que pudesse ser evitado deveria ser cometido, não importando a que bem, nem a que grau, tal comprometimento e pecado pudessem conduzir". A convicção jamais foi sacrificada à guisa da conveniência, o princípio jamais sucumbiu ao pragmatismo. Por conseguinte, homens e mulheres puritanos eram conhecidos por serem tremendamente precisos. Eles procuravam viver de maneira precisa, como uma obra de arte viva para o Próprio Pintor-Mestre. Mas assim como obras de arte sofrem deformações e imperfeições as mais diversas, assim os puritanos levavam o pecado a sério, já que ele desfigurava o que Deus havia criado.
Ken Sarles
http://www.josemarbessa.com/2010/05/os-puritanos-e-psicologia.html