sexta-feira, 21 de maio de 2010

A DEVOÇÃO PURITANA A DEUS


O compromisso puritano com a Palavra de Deus originou-se da devoção à pessoa de Deus como seu autor. No século passado, foi A. W. Tozer quem melhor expressou a necessidade de uma alta conceituação de Deus:
A questão mais séria para a Igreja é sempre o próprio Deus, e o fato mais portentoso acerca de qualquer homem não é o que ele, em um momento determinado, é capaz de dizer ou fazer, mas o que ele, em seu íntimo, concebe que Deus seja. Temos a tendência, por uma lei secreta da alma, de seguirmos nossa imagem mental de Deus. Isto é verdade não apenas no cristão, mas no grupo de cristãos que compõem a Igreja. Sempre, a coisa mais reveladora acerca da Igreja é a idéia que faz de Deus, assim como sua mensagem mais importante é o que ela diz acerca dEle ou deixa de dizer, pois seu silêncio é, via de regra, mais eloqüente do que seu discurso. Ela não consegue fugir da auto-revelação de seu testemunho relativo a Deus.
De acordo com Tozer, um conceito correto a respeito de Deus é tão básico para o viver diário quanto o é para a teologia, "corresponde a adorar o que a fundação é para o Templo: onde quer que ela seja inadequada ou esteja fora de esquadro, toda estrutura, mais cedo ou mais tarde, ruirá". Em termos práticos, todos os erros doutrinários e morais podem ser, em última análise, uma baixa concepção de Deus. Falando a respeito de seus próprios dias, Tozer declarou: "Penso que o conceito cristão de Deus em vigência nesta metade do século 20 é tão decadente que está completamente abaixo da dignidade do Deus Altíssimo, constituindo-se, na realidade, para os crentes professos, algo que beira à calamidade moral". Hoje, nestes primórdios do século 21, o comentário de Tozer é mais preciso do que nunca.
Em contraste, os puritanos eram conhecidos por serem pessoas intoxicadas com Deus. Até mesmo a própria teologia foi definida por um teólogo puritano como a doutrina do Deus vivo. Ele elaborou com requinte o que queria dizer:Toda arte possui suas regras para as quais correspondem a obra da pessoa que a pratica. Já que o viver é a obra mais nobre de todas, não pode haver estudo mais adequado do que a arte do viver.
Já que o tipo de vida mais elevado para um ser humano é o que mais se aproxima do Deus vivo e provedor de vida, a natureza da vida teológica é viver para Deus.
O ser humano vive para Deus quando vive de acordo com a vontade de Deus, para a glória de Deus, e com o operar de Deus nele.(Ames, Morrow of Theology).
Isto expressa uma cosmovisão teocêntrica - relacionando tudo na vida de alguém, incluindo todos os problemas pessoais, à natureza, ao caráter e ao propósito de Deus. Da mesma forma, a psicologia, como conhecimento do homem, estava arraigada à teologia, que se constituía no conhecimento de Deus. Para os puritanos, a teologia não era uma ciência esotérica e enigmática a ser estudada por uma elite acadêmica; ao contrário, foi um assunto eminentemente relevante para todos os crentes.

Agora, já que esta vida tão desejada é verdadeira e propriamente nossa prática mais importante, fica evidente que a teologia não é uma disciplina especulativa, mas prática - não somente no respeito comum que todas as disciplinas possuem... a boa prática como seu fim, mas de uma maneira especial e peculiar, quando comparada a todas as demais... A teologia, portanto, é para nós a última e mais nobre de todas as artes exatas que se pode ensinar. Ela é um guia, um plano-mestre para nosso propósito mais alto, enviada deforma especial por Deus, que trata das coisas divinas, voltada para Deus, e que conduz o homem a Deus (Ames).
Esse foco dos puritanos centrado em Deus brotava de uma devoção profunda e adequada ao Criador. Thomas Watson, teólogo inglês do século 17, é quem melhor capta a ênfase puritana acerca do amor por Deus em sua explicação da natureza, grau e fruto do amor. Por natureza, o amor a Deus deve ser completo, sincero, fervoroso, ativo, exclusivo e permanente. De acordo com Watson: "O verdadeiro amor ferve, mas não derrama. O amor a Deus, assim como é sincero e sem hipocrisia, é constante e sem apostasia". O grau de amor a Deus deve ser imensurável, já que ele é a quintessência de tudo o que é bom. Já que Deus é central à nossa percepção, Ele deve ser detentor daquilo que é central em nossas disposições e inclinações.
O que Watson concluiu a partir disso é o que diferencia a visão de Deus do puritanismo inglês da atitude evangélica contemporânea em relação a Ele: "Você talvez ame demais a criatura. Você pode amar demais o vinho e a prata; mas não há como você amar Deus em excesso. Se isso fosse possível, esse excesso seria uma virtude; mas é por causa do nosso pecado que somos incapazes de amar Deus o suficiente". Já que Deus é infinito, Ele sempre transcende nosso amor por Ele e excede nosso conhecimento dEle. Portanto, jamais devemos cessar de buscar maior compreensão de Seus propósitos e maior devoção à Sua pessoa. Um anseio consumidor por Cristo deixa pouco espaço para distrações como a busca da auto-satisfação. Por conseguinte, os puritanos que tanto amavam a Deus não viviam ocupados com suas próprias necessidades quanto nós que vivemos na "Geração do Eu". Eles captavam a verdade de que um conhecimento preciso do eu vem somente por meio de um conhecimento prévio de Deus. Desse modo, seu ponto teocêntrico favorável conferiu-lhes uma perspectiva diferente acerca da natureza do homem, particularmente no que diz respeito ao funcionamento das faculdades humanas.
http://www.josemarbessa.com/2010/05/devocao-puritana-deus.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PENTECOSTALISMO: UM NINHO DE HERESIAS PARA O SÉCULO XXI.


Eu tenho certeza que dói muito no coração de um cristão reformado, quando ele descobre que seu pastor, amigo ou até mesmo seus familiares que o acompanham para a igreja está de alguma forma se familiarizando com o movimento pentecostal.
Com toda certeza, eu poderia fazer uma enorme lista de heresias que esse movimento trouxe para a igreja desde o seu surgimento, mas me delimitarei a apenas a erros doutrinários que têm, não sei como, fascinado a cabeça de muitos pastores tradicionais, conservadores, reformados, e puritanos, e também, para não esquecer, fundamentalistas. Mas, agora, uma pergunta que não quer calar: O que essa heresia pentecostal tem de bom para atrair esses homens, que um dia estava vivendo de acordo com a doutrina reformada e puritana? A resposta é nada! Somente uma pessoa que nunca conheceu na sua plenitude as doutrinas da Graça se submeteria a tamanha heresia que é simpatizar- se com a doutrina pentecostal. Essas pessoas se envolveram através de influências do movimento de crescimento de igreja rápido e instantâneo, fruto de um coração levado por esses falsos ventos de doutrina pentecostal.
O movimento pentecostal trouxe tanto prejuízo à igreja brasileira, que penso eu, se Jesus Cristo não voltar nos próximos dez anos, a situação doutrinária estará cada vez pior do que vemos hoje, pois o pentecostalismo quer de todas as formas trazer para nós hoje, aquilo que pertenceu aos Apóstolos numa determinada época, como por exemplo, os dons carismáticos, principalmente o de operação de milagres extraordinários, que a cada dia está enchendo os seus bolsos de dinheiro dos incautos. Esses dons eram as credencias dos apóstolos dados por Cristo a eles para levar o evangelho aos judeus, que desde sua origem, eram um povo fascinado por sinais, mas esses dons não eram permanentes, pois com o passar do tempo, foram sendo sumidos da narrativa bíblica. (2Co.12.12;Hb.2.3-4)
Infelizmente, hoje muitos homens chamados “pastores” se enveredaram por esse caminho de heresia do movimento pentecostal que a cada dia entra sorrateiramente nas principais igrejas reformadas no Brasil e no mundo, sejam através da música, jargões, etc... Aqui fica o meu alerta aos amigos pastores: Não permitam que qualquer vestígio de doutrina pentecostal apareça em sua igreja, seja ela da mais simples que for, pois um dia ela pode crescer como um câncer maligno que você não terá mais o controle da situação. Quanto a esses vestígios vocês poderão pesquisar no livreto de Laurence A. Justice¹, que ele entra em mais detalhes sobre isso.
Recentemente, visitei uma igreja de um “pastor” conhecido meu e fiquei muito triste com a falta de zelo pela pregação expositiva, que há alguns anos estive por lá e vi, mas agora esse pastor foi para um congresso apóstata de igreja multiplicadora que aconteceu recentemente em Recife-PE e ele mudou completamente sua pregação, como também toda a sua liturgia, com muitas danças e piadas e até paródias no culto. A igreja parece mais um circo. Mais uma vez digo, cuidado! Tudo começou com irmãos orando e determinando algumas coisas e o pastor passou a mão na cabeça com medo de perder o dízimo do irmão e agora está prestes a perder a moral e a igreja em uma divisão. Outros como: Deus me falou! Deus me disse! Estamos firmados na rocha! Etc...
O crescente movimento pentecostal em igrejas reformadas e culpa nos pastores que estão negligenciando a pregação expositiva da palavra levando ao lado do emocionalismo, aderindo assim aos incrédulos caçadores de igrejas solucionadoras de seus problemas. Sobre esse assunto Augustus Nicodemos² disse:
Cada vez mais pessoas procuram igrejas para se sentirem bem, para buscarem solução imediata de seus problemas, sem sequer refletir nas questões mais profundas acerca da existência e da eternidade, migrando de uma comunidade para outra sem qualquer compromisso ou engajamento com a vida cristã.
A igreja verdadeira do Senhor está sendo desmoralizada por causa desses charlatães preguiçosos que não têm competência para arranjar um emprego no competitivo mercado de trabalho atual, e acaba abrindo uma “igreja” como negócio, e iludindo os menos informados, vai criando verdadeiros impérios, e escandalizando a igreja do Senhor com práticas anti-bíblicas de culto e adoração. Na UERN³ escutei um aluno dizer que freqüentava igrejas evangélicas para ouvir a Palavra, mas diante desses escândalos atuais que a fé evangélica está passando, ele as generalizou e hoje anda escarnecendo de todas. Geralmente, a queixa é sempre a mesma: As manifestações dos dons do Espírito e os falsos milagres. Mas para eles eu coloco algumas reflexões a respeito dos dons, principalmente o batismo com o Espírito Santo, que é o mais atacado e herético de todos no meio desse movimento Pentecostal.
Tanto o Antigo como o Novo testamento falavam de um momento em que o Espírito Santo seria derramado.
Em Is 32.15 é feito a promessa deste derramamento, bem como sobre quem ele cairá.
Is 44.3 acrescenta mostrando Deus como o agente deste batismo (ver tb Ez 36.27; 39.29). Já em Joel 2.28,29, descreve o efeito universal e a capacitação carismática. Enquanto, no N.T. o agente deste batismo é Jesus (Mc 1.8; e Mt 3.11; Lc 3.16; Jo 1.33) e os que nele cressem é os que receberiam o Espírito Santo. Porém, só seria dado depois que Jesus fosse glorificado (Jo 7.39). Por isso, a descida do Espírito apenas ocorreria após a ida do Mestre ao Pai (Jo 16.7)
Portanto, o cumprimento deste batismo em Atos dos Apóstolos não dependia de qualquer ação ativa dos discípulos.
Mas sim, do ato divino e de Jesus em enviar o consolador após sua glorificação junto ao Pai (Jo 14.25; 15.26; 17.7). E, isso explica o fato de Jesus ordena aos discípulos a ficarem numa atitude passiva quanto a espera do cumprimento da promessa do Pai (Lc 24.49; At 1.4).
Aqui cai bem a explicação de Roberto Alves de Souza referente a essa atitude dos discípulos:
No enunciado da promessa, a condição para o cumprimento não era outra senão permanece na cidade de Jerusalém e esperar a promessa. Os dois verbos são significativos quando considerados no original grego. O primeiro é o mesmo verbo que significa sentar-se, em nossa língua. Os discípulos deveriam “ficar sentados” em Jerusalém, até que a promessa fosse cumprida (Lc 24.49). O segundo verbo significa literalmente “ficar ao redor” da promessa (At 1.4). Obviamente, o significado básico destes verbos não deve ser interpretado de modo literal. Jesus não disse que os discípulos deveriam sentar em círculo até que a promessa se cumprisse. Entretanto, a força desses dois verbos sugere que eles deveriam adotar uma atitude obediente e passiva, aguardando o momento quando Deus agiria (4).
Outra observação de Roberto A. de Souza é: “No enunciado da promessa, nenhum dos discípulos é orientado a orar pedindo que o Espírito Santo venha sobre eles.
Se há alguém que vai suplicar, esse é Jesus: ‘... eu rogarei ao Pai... ’ (Jo 14.16)” (5).
Todavia, alguém poderia dizer: “tudo bem, concordo que os discípulos ficaram em Jerusalém aguardando a promessa, pois o texto diz: “eles voltaram para Jerusalém” (At 1.12 NVI). Contudo, dizer que eles não oram pedindo o Espírito Santo, isso não poder ser. Porque segundo o registro de Lucas “Todos eles se reuniram sempre em oração” (At 1.14a NVI). Isso é verdade, porém, nada no texto indica que eles se reuniam para orarem pedindo o batismo com o Espírito Santo. Além disso, a atitude deles em relação a promessa deveria ser de espera, e não de clamor pelo cumprimento.
Depois de algum tempo de espera. No dia de Pentecoste aconteceu algo fora do comum: ”de repente veio do céu um som, como de um vento muito forte e encheu toda a casa” (At 2.2a – NVI).
O que significa todos esses eventos sobrenaturais?
Lawrence O. Richards explica:
... a combinação de sinais aqui espelha, e também transmuta, sinais associados com a entrega da lei no Sinai. A mensagem essencial destes sinais é clara: uma nova era chegou! O antigo concerto da lei é substituído pelo novo concerto da graça, que é derramada sobre todos em Jesus Cristo. (6)
Assim, os sinais associados a descida do Espírito Santo sobre a igreja, no dia de Pentecoste, não tem como finalidade de normatizar evidências externas que comprove o recebimento do Espírito na vida de cada crente em todas as eras. Mas, revelar um marco histórico sobre o início de uma nova era: A era da Nova Aliança.

NOTAS
¹UMA IGREJA BATISTA DEVE ABRAÇAR O PENTECOSTALISMO? LAURENCE A. JUSTICE. IMPRENSA PALAVRA PRUDENTE. PÁG.8-10
²O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA. AUGUSTUS NICODEMOS. ED. MUNDO CRISTÃO. PÁG. 20
³UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO NORTE.
4 ROBERTO ALVES DE SOUZA. A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO DEUS PRESENTE SEMPRE, P. 16.
5– IDEM, P. 16
6 LAWRENCE O. RICHARDS. COMENTÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL DO NOVO TESTAMENTO, P. 254.





BIBLIOGRAFIA
FÉ CRISTÃ E MISTICISMO. Matos, Lopes, Solano Portela, Campos. Ed. Cultura Cristã.
EVANGÉLICOS EM CRISE. Paulo Romeiro. Ed. Mundo Cristão.
MILAGRES E CHARLATÃES. Josué A. de Oliveira. CASA EDITORA PRESBITERIANA.
O QUE ESTÃO FAZENDO COM A IGREJA. Augustus Nicodemos. Ed. Mundo Cristão.
UMA IGREJA BATISTA DEVE ABRAÇAR O PENTECOSTALISMO? Laurence A. Justice. Imprensa Palavra Prudente.
SOUZA, ROBERTO ALVES DE. A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO. DEUS PRESENTE SEMPRE. RIO DE JANEIRO: JUERP, 2002
RICHARDES, LAWRENCE O. COMENTÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL DO NOVO TESTAMENTO. RIO DE JANEIRO: CPAD. 3ª EDIÇÃO/2008.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Virando de cabeça para baixo a teoria de crescimento da igreja


As escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At.17.6). Em nossa geração, o mundo esta virando a igreja de cabeça para baixo. Biblicamente falando, Deus é soberano, não o incrédulo que não freqüenta a igreja. A bíblia, e não o plano de marketing deve ser o único guia e autoridade final para todo o ministério eclesiástico. Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da igreja deveria atender as verdadeiras necessidades delas. O Senhor da igreja é Cristo e não um “Zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos.
Não consigo ouvir a expressão “igreja amigável” sem que isso me traga a mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira. O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea de crescimento da igreja. A igreja de Jerusalém não era nem um pouco “amigável”. Aliás, era exatamente o oposto. Lucas nos informa que esse episódio inspirou “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (At.5.11). O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não freqüentavam a igreja ousou juntar-se a eles. O só pensar em freqüentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os terem em um alto conceito (At.5.13). A igreja, sem dúvida alguma, não era um lugar para pecadores sentirem-se a vontade, era um lugar que causava medo!
Consideremos essa passagem atentamente e procuremos entendê-la em seu contexto apropriado. Para isto, é necessário voltarmos a Atos 4. Lembre-se de que a igreja era recém-nascida e existia em toda a sua imaculada beleza, frescor e vitalidade. Ainda estava livre de máculas produzidas por qualquer pecado grosseiro ou por fracasso humano. O povo estudava intensamente a doutrina dos apóstolos. Aqueles primeiros dias da história da igreja eram dias promissores e felizes, repletos de amor e de comunhão verdadeira. A alegria era intensa, e o amor, profundo, envolvendo a todos; conseqüentemente, o testemunho deles ecoava alto e claro. Os resultados mostravam que um número de quinze a vinte mil pessoas vieram a fé em Cristo, em apenas algumas semanas. Satanás, através da perseguição, já havia tentado frustrar o propósito da igreja. Contudo, não surtiu efeito; os crentes apenas oraram, suplicando mais ousadia. Deus respondeu-lhes a oração, e mais pessoas foram salvas. Naqueles dias, Deus era bastante real, Cristo estava bem vivo e o Espírito Santo revelou-se em grande poder. Mas Satanás estava tramando um ataque mais perigoso. Se ele não conseguia destruir a igreja por meio de qualquer ataque externo de perseguição, tentaria a abordagem mais sutil de um ataque interno. E foi exatamente isso que aconteceu.
EXTRAÍDO DO LIVRO COM VERGONHA DO EVANGELHO. John Macarthur, Ed. Fiel. Pag.52-54

Um Retrato do “Puritano Típico”


O puritano típico era casado e tinha uma família. A família era “bem organizada” e hierárquica em autoridade. O marido/pai era o cabeça responsável pela família, especialmente em exercícios religiosos, embora a mulher/mãe tivesse suas esferas de autoridade. A educação das crianças e o culto familiar (especialmente leitura bíblica e oração) recebiam alta prioridade nesta família puritana.
Muito da vida religiosa da família girava em torno da igreja local. Sob os auspícios da igreja a doutrina era inculcada, acontecia o culto coletivo e as crianças eram catequizadas. A igreja não era tanto um prédio como um grupo de crentes unidos sob a penetrante influência do pastor. Uma reunião em casa no meio da semana teria sido uma parte comum da vida da igreja quando as autoridades políticas autorizavam mais encontros.
A rotina semanal para o puritano típico era ocupadíssima. A vida era assunto sério e não havia tempo para ociosidade. O puritano em média acreditava que trabalho árduo era uma virtude e que Deus havia chamado todo indivíduo para realizar negócios seculares de maneira cristã e moral. Ele ou ela não sentiam culpa pelo trabalho diário nem pelo dinheiro que ele podia produzir. O ponto alto da semana era o domingo. Esportes neste dia eram absolutamente proibidos. A família assistia aos trabalhos na igreja duas vezes cada domingo e se reunia após o jantar e/ou á noite para repassar os pontos principais dos sermões.
Se tivéssemos trabalhado ao lado deste puritano típico ou sido seu vizinho, ele ou ela nos haveriam marcado por serem religiosos, mas não esquisitos. Ele ou ela não se haveriam distinguido pela aparência externa. Como observou Samuel Willard: “Os filhos de Deus...exteriormente...parecem com outros homens, eles comem, bebem, trabalham, conversam em termos terrenos, como outros fazem; a comunhão que eles têm com Deus em tudo isso é uma coisa secreta”. O puritano típico vestia-se como outros membros da mesma classe social. A conversação muitas vezes era voltada para tópicos da fé e experiências cristãs.
No todo, o puritano típico nos teria impressionado por trabalhar arduamente, ser econômico, sério, moderado, prático em sua perspectiva, doutrinário em assuntos religiosos e políticos, bem informado dos últimos acontecimentos políticos e eclesiásticos, argumentativo, bem educado, e inteiramente familiarizado com o conteúdo da bíblia. Para alcançar isto, os puritanos tinham de ser alto-disciplinados. Para qualquer um propenso a negligência nestes assuntos, estar perto de um puritano decerto o faria sentir-se desconfortável, e nisto repousa uma explicação parcial sobre por que os puritanos têm sido tão fortemente atacados por pessoas que não compartilham de sua visão e estilo de vida.

EXTRAÍDO DO LIVRO SANTOS NO MUNDO. Os Puritanos como realmente eram. Leland Ryken. Editora Fiel. Pág.34-35

sábado, 3 de abril de 2010

Por onde Começar


Se você apenas acabou de iniciar a leitura dos puritanos, primeiro comece com a obra de John Bunyan o Temor de Deus, Guardando o Coração de John Flavel e Thomas Watson, A Divina Arte do Contentamento. Assim caminhe em direção a John Owen, Thomas Goodwin e Jonathan Edwards.
Quanto às fontes que poderiam apresentar os Puritanos e sua literatura comece com Meet The Puritans. Para aprender mais sobre o estilo de vida e a teologia dos Puritanos, leia a obra de Leland Ryken Santos No Mundo: Os Puritanos como eles realmente eram. A seguir, O Gênio do Puritanismo de Peter Lewis e Quem eram os Puritanos? E o que Eles ensinaram de Errol Hulse. Siga então para Entre os Gigantes de Deus: Uma visão Puritana da Vida Cristã de James I. Packer e meu livro Espiritualidade Puritano-Reformada.
Whitefield estava correto: os Puritanos, apesar de mortos, ainda falam através de seus escritos. Seus livros ainda são dignos de louvor. Ler os Puritanos vai colocá-lo e mantê-lo na trilha certa teológica, experencial e prática. Como Packer escreve, “ os puritanos foram mais fortes onde justamente os protestantes de hoje são mais fracos e seus escritos podem nos conceder uma ajuda maior e verdadeira do que qualquer corpo de professores cristãos do passado e presente, desde os dias dos apóstolos”. Eu integralmente concordo. Tenho lido a literatura cristã por mais de 40 anos e posso fracamente dizer que não conheço nenhum grupo de escritores dentro da história da Igreja que mais poderia beneficiá-lo tanto na mente quanto na alma do que os Puritanos. Deus usou seus livros para me converter quando era adolescente e Deus tem usado seus livros desde então para ajudar-me crescer no entendimento do resumo de João Batista sobre a santificação cristã: “Cristo deve crescer e eu devo diminuir.”
Em seu endosso no livro Meet the Puritans, R.C. Sproul diz, “ o recente avivamento do interesse e comprometimento com as verdades da teologia reformada se deve em grande parte à redescoberta da Literatura puritana. Os puritanos do passado tornaram-se os profetas de nosso tempo. Este livro é um tesouro para a Igreja”. Assim nossa oração é que Deus usará Meet The Puritans para inspirá-lo a ler os escritos Puritanos. Com a benção do Espírito Santo, eles enriquecerão sua vida de muitas formas à medida que eles expôem as Escrituras e provam sua consciência, levando ao arrependimento e conforto em Cristo. Permita que os puritanos tragam a você a completa segurança de salvação em Cristo e o estilo de vida de gratidão ao Deus Triúno por sua grande salvação.
Você vai querer passar adiante Meet the Puritans e os livros puritanos para seus amigos também. Não há melhor presente do que um livro. Eu algumas vezes tento imaginar como seria se cristãos gastassem apenas 15 minutos por dia lendo os escritos puritanos. Em um ano isto acrescentaria uma leitura de pelo menos 20 obras maçudas. E durante a vida 1500 obras . Quem sabe como
O Espírito Santo poderia usar tal dieta de leitura! Ela traria um avivamento mundial? Encheria de novo a terra com o conhecimento do Senhor de mar a mar? Esta é a minha oração, minha visão e meu sonho. Tolle Lege- tome e leia. Você será feliz.


Rev. Dr. Joel Beeke
Artigo publicado no site Ligonier Ministries
Tradução – jornalista Wellington Costa

http://wellingtoncosta.blogspot.com/

Como se beneficiar da leitura dos Puritanos


Deixe-me oferecer nove razões para ler os Puritanos e como isso ajudará você espiritualmente mesmo nos dias atuais

1) Escritos Puritanos ajudarão a moldar a vida pela Escritura

Os Puritanos amaram, viveram e respiraram as Escrituras Sagradas. Eles degustavam do poder do Espírito que acompanha a Palavra. Todos os seus livros são centradas na Palavra; mais de 90% deles são sermões reimpressos ricos em exposição bíblica. Os Puritanos acreditavam de fato na suficiência da Escritura para vida e piedade.

Se você ler os Puritanos regularmente, a biblicidade vai contagiá-lo e mostrará como prestar sincera lealdade à mensagem bíblica. Como os puritanos você se tornará um cristão do Livro Vivo, ecoando a verdade de John Flavel que dizia “ A Escrituras nos ensinam a melhor maneira de viver, a maneira mais nobre de sofrer e o mais confortavél modo de morrer”.

Você quer ler livros que o colocam dentro das Escrituras e lhe deixam absorvidos para moldar sua vida pelo Sola Scriptura? Leia os Puritanos. Leia a Série Púlpito Puritano da Soli Deo Gloria. Enquanto lê, aprimore seu entendimento pela consulta e estudo de todas as referências das Escrituras.


2) Os Escritos Puritanos mostram como integrar doutrina bíblica na vida diária.

Os Escritos Puritanos fazem isto de três formas:

Primeiro – Eles eram dirigidos à mente. Alinhados com a tradição reformada, os puritanos recusaram colocar a mente e o coração um contra o outro. Ao contrário, contemplaram a mente como o palácio da fé. “ Na conversão, a razão é elevada” John Preston escreveu.

Os Puritanos entenderam que Cristianismo sem mente produz um Cristianismo fraco, desequilibrado. Um evangelho anti-intelectual rapidamente se torna vazio e sem forma, nunca alcança um patamar acima das nossas necessidades, algo que está acontecendo em muitas igrejas hoje. A literatura puritana é de grande ajuda para entender a conexão vital entre o que cremos com nossas mentes e como tal fato afeta a maneira como vivemos. Joanthan Edwards em a Justificação pela Fé Somente e William Lyford em O Cristão Instruído são particularmente muito úteis para este fim.

Segundo - Os Escritos Puritanos confrontam sua consciência. Os Puritanos são mestres em convencer-nos acerca da natureza atroz de nosso pecado contra o Deus infinito. Eles primavam pela exposição de pecados específicos, fazendo para tanto perguntas para pressionar a convicção interior daqueles pecados. Como um puritano escreveu, “ Devemos com a vara da verdade divina fustigar cada arbusto onde os pecadores se escondem até que, como Adão que se escondeu, levante-se diante de Deus em sua nudez”.

Leitura devocional precisa ser tanto confrontadora quanto confortadora. Crescemos pouco se nossas consciências não são capturadas diariamente e dirigidas a Cristo. Visto que somos inclinados a correr para os arbustos quando nos sentimos ameaçados, precisamos diariamente de ajuda para sermos trazidos diante do Deus Vivo “ Hebreus 4:12”. Nesse sentido, os Puritanos se sobressaiam. Se você deseja aprender no que consiste o pecado verdadeiramente e experimentar como o pecado é pior do que o sofrimento, leia Jeremiah Burrough The Evil of Evils e Thomas Shepard O Convertido Sincero e o Crente Sadio

Terceiro – Os escritores puritanos envolvem seu coração. Eles primavam em alimentar a mente com sólido alicerce bíblico e então eles moviam o coração com fervorosa afeição. Eles escreviam sobre o amor pela Palavra de Deus, amor pela Glória de Cristo e amor pelas almas dos leitores. Livros que belamente equilibram a verdade objetiva e a experiência subjetiva no Cristianismo; livros que combinam, como J.I. Packer coloca, paixão com mente esclarecida e coração aquecido (Ryken,Wordly Saints,); livros que informam sua mente e confrontam sua consciência e seu coração, leia os puritanos. Leia Piedade Prática de Vincent Alsop .


3) Os Escritos Puritanos revelam como exaltar Cristo e ver sua beleza.

O Puritano Thomas Adams escreveu: “Cristo é a síntese de toda a Bíblia, profetizado, tipificado, prefigurado, demonstrado e exposto com a finalidade de ser encontrado em cada página, até mesmo em cada linha. As Escrituras são os cueiros do menino Jesus”. De igual modo, o puritano Isaac Ambrose escreveu, “Pense Cristo como a verdadeira substância, essência, alma e escopo de todas as Escrituras”.

Os Puritanos amaram a Cristo e exaltaram sua beleza. Samuel Rutherford escreveu: “Coloque a beleza de dez milhares de paraísos, como o jardim do Éden em um; coloque todas as árvores, todas as flores, cheiros, cores, sabores, todas as alegrias, doçuras e ternuras. Oh que coisa maravilhosa e excelente isto seria? E mesmo assim ainda seria menos belo e atraente do que o bem amado Cristo, menos do que uma gota de chuva nos oceanos, rios, lagos, fontes de dez milhares de terras.”

Se você deseja conhecer Cristo melhor e amá-lo mais completamente, mergulhe na literatura puritana. Leia a obra de Robert Ast Regozijo no Senhor Jesus


4) Os Escritos Puritanos revelam a característica da teologia trinitariana

Os puritanos foram conduzidos pela profunda percepção da glória infinita do Deus Triúno. Quando eles responderam a primeira questão do Breve Catecismo a saber, que o fim principal do homem é glorificar a Deus, queriam com isso se referir ao Deus triuno: o Pai, o Filho e Espírito Santo. Eles captaram o entendimento glorioso de João Calvino da unidade da Trindade na Divindade e mostraram como ela operou em si mesma na eleição, redenção, o amor e a graça santificadora na vida dos crentes. John Owen escreveu um livro inteiro sobre a comunhão do cristão com Deus o Pai, Jesus o Salvador e o Espírito Santo como Consolador. Os puritanos ensinam como permanecermos teocêntricos e ainda assim essencialmente preocupados com a experiência cristã de modo que não caiamos na armadilha de glorificar a experiência em si mesma. Se você deseja apreciar cada pessoa da Trindade, a fim de que possa declarar com Samuel Rutherford “ Eu não sei qual das pessoas da Trindade eu mais amo, mas uma coisa eu sei, eu amo a cada uma delas e eu preciso de todas elas”, leia então John Owen, Comunhão com Deus e Jonathan Edwards sobre a Trindade.


5) Os Escritos Puritanos mostram como lidar com perseguições

O puritanismo se desenvolveu em meio a grandes batalhas entre a verdade da Palavra de Deus e seus inimigos. O ataque ao cristianismo reformado na Grã Bretanha muito se assemelha com o ataque sofrido pelo Cristianismo Reformado de hoje. Os puritanos foram bons soldados no conflito, suportando grandes dificuldades e muito sofrimento. Suas vidas e seus escritos estão aptos para armar-nos para nossas batalhas e encorajar-nos em nosso sofrimento. Os Puritanos ensinam como precisamos das aflições para humilhar-nos (Deut 8:2), para compreender o que o pecado significa (Zeph 1:12) e como levá-lo a Deus (Oséias 5:15) Como Robert Leigthon escreveu “ O Céus burilam suas jóias com o diamante sujo da aflição”. Os Puritanos nos mostram como a vara da aflição é o meio de Deus para escrever a imagem de Cristo em nós mais completamente, de modo que sejamos participantes de sua justiça e santidade (Hebreus 12;10-11).

Se você deseja aprender como lidar com suas dificuldaes e lutas de um modo que verdadeiramente exalte a Cristo, leia Thomas Boston Lutas no Caminho: A Soberania e a Sabedoria de Deus revelada nas Aflições dos Homens


6) Os escritos puritanos explicam a verdadeira espiritualidade

Os puritanos acentuam a espiritualidade da lei, a guerra espiritual contra o pecado interior, o temor inocente de Deus, a maravilha da graça, a arte da meditação, os terrores do inferno e as glórias do Céu. Se você deseja uma vida profunda como cristão, leia Oliver Heywoods Heart Treasure. Leia os puritanos devocionalmente e ore então para ser como eles. Faça as seguintes perguntas: Estou sedento para glorificar ao Deus Triúno como os puritanos? Estou motivado pelo fogo bíblico e pela verdade bíblica? Compartilho da visão puritana da necessidade crucial da conversão e de ser revestido da justiça de Cristo? Eu a persigo como Cristo a perseguia?


7) Os Escritos puritanos mostram como viver uma fé completa.

Os Puritanos aplicavam cada assunto que eles escreviam sobre os “usos” práticos- como eles costuvam chamar. Estes “usos” impulsionam de forma apaixonada a uma efetiva ação pelo reino de Cristo. A própria vida deles unia verdade cristã com visão de pacto; Eles não conheciam a dicotomia entre o sacrado e o secular. Seus escritos podem nos assistir grandemente viver uma vida que coloca Deus no centro em todas as áreas, apreciar seus dons e declarar todas as coisas “santas ao Senhor”. Os Puritanos eram excelentes teólogos do pacto. Eles viveram a teologia do pacto, pactuando consigo mesmo a Deus, suas famílias, igrejas e nações. Mesmo assim, eles não cairam no erro do hiperpactualismo segundo o qual o pacto da graça se torna um substituto para a conversão pessoal. Eles promoveram uma cosmovisão ampla, uma filosofia cristã total, uma abordagem holística para trazer o evangelho inteiro no sentido de dar suporte sobre toda a vida, lutando para trazer cada ação em conformidade a Cristo de modo que os cristãos se tornassem maduros e crecessem na fé. Os Puritanos escreveram sobre temas práticos tais como a maneira de orar, como desenvolver uma piedade genuína, como conduzir a família em adoração e como criar filhos para Cristo. Em resumo, eles ensinaram como desenvolver uma piedade racional, resoluta e apaixonada que é conscenciosa sem se tornar obsessiva, orientada pela lei sem cair em legalismo e expressa a liberdade cristã sem deslizes vergonhosos. Se você deseja crescer em um Cristianismo prático e uma piedade integral, leia a compilação de Os Puritanos e a Oração, A Conduta do Homen Íntegro, de Richard Steele, Orientações para a Adoração em Família de George Hamond, Auxílio para Pais Angustiados de Cotton Mather e Lidando com os pecados de nossos Filhos de Arthur Hildersham.


8) Os escritos puritanos ensinam sobre a importância e a primazia da Pregação

Para os Puritanos, a pregação é o ponto mais alto da adoração pública. Pregação deve ser expositiva e didática, eles declaravam: evangelística e convincente, experimental e aplicativa, poderosa e clara em sua apresentação, sempre respeitando a Soberania do Espírito Santo.

Se você deseja ajudar os evangélicos a redescobrirem o púlpito e uma visão excelente de ministério em nossos dias, leia os sermões puritanos.. Leia William Perkins A Arte de Profetizar e Richard Baxter O Pastor Aprovado

9) Os Escritos Puritanos mostram como viver em dois mundos

Os Puritanos disseram que devemos ter o céu “dentro de nossos olhos" durante nossa peregrinação terrena. Eles levavam a sério as passagens do Novo Testamento que afirmam sobre o dever de mantermos a “Esperança da Glória” diante de nossas mentes para guiar e moldar nossas vidas aqui na Terra. Eles enxergaram esta vida como o “ginásio e vestiário onde somos preparados para o céu”, ensinando-nos que a preparação para a morte é o primeiro passo no aprendizado para se viver verdadeiramente( Packer, Quest 13)

Se você deseja viver neste mundo na expectativa de um mundo melhor no porvir, leia os puritanos. Leia Richard Baxter a Vida Eterna dos Santos e Céu Aberto de Richard Alleine.

Rev. Joel Beeke

http://wellingtoncosta.blogspot.com/

João Calvino, o cérebro da reforma


Na próxima sexta-feira, dia 10 de julho de 2009, no mundo inteiro, os protestantes reformados estarão celebrando o quinto centenário do nascimento do reformador João Calvino. Ele nasceu no dia 10 de julho de 1509 na França e morreu no dia 27 de maio de 1564 em Genebra, na Suíça. Calvino foi o maior expoente da reforma. Influenciou não apenas a teologia, mas, também, a economia, a política e a educação. Destacaremos quatro áreas da vida desse gigante de Deus.
1. A teologia de Calvino - O reformador João Calvino foi o sistematizador da doutrina reformada. Aos 26 anos de idade escreveu As Institutas da Religião Cristã, fazendo uma exposição do Credo Apostólico. Esta obra tornou-se a maior referência teológica de todos os tempos. É muito importante ressaltar que Calvino não foi um inovador. Ele voltou à doutrina dos apóstolos. Ele voltou às Escrituras. Ele tinha um alto conceito da Palavra de Deus e esmerou-se em ensiná-la com irrestrita fidelidade. A influência de Calvino na teologia é tão destacada, que a doutrina reformada foi cognominada depois de sua morte de Calvinismo. No Sínodo de DORT, na Holanda, mais de cinqüenta anos depois da morte do reformador, cunhou-se o que nós chamamos de cinco pontos do Calvinismo: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.
2. A pregação de Calvino - Calvino foi um expositor bíblico. Pregou quase toda a Bíblia, usando o método lectio continua, expondo as Escrituras livro por livro, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Calvino foi um exegeta extraordinário. Ele conhecia profundamente as línguas originais, a tal ponto de ler direto no Hebraico quando pregava no Antigo Testamento e direto no Grego quando pregava no Novo Testamento. Calvino pregava em média três vezes por semana. Ele foi essencialmente um pregador, um homem do púlpito. Para ele o púlpito era o trono de Deus na terra, de onde Deus governa o seu povo. Ouvir a exposição das Escrituras é ouvir a própria voz de Deus.
3. A prática pastoral de Calvino – Calvino não foi um homem sisudo, frio e distante das pessoas. Ao contrário, era um devotado pastor de suas ovelhas. Mesmo com uma agenda tão congestionada, ainda encontrava tempo para visitar o rebanho e orar com o seu povo. O ministério de Calvino abrangia um horizonte muito mais amplo do que apenas o cuidado da igreja local em Genebra. Ele era consultado por pastores e concílios de vários países para dar orientação à luz das Escrituras. Ele viajava para atender muitos convites. Calvino era um apologeta incomparável e ajudou a igreja do seu tempo a resolver os mais intrincados conflitos teológicos, sempre se pautando pela fiel exposição da Palavra. Mesmo atormentado por constantes dores e enfermidades, Calvino respondia inúmeras cartas, escrevia muitos livros e pregava com freqüência regular.
4. A influência social de Calvino - Calvino influenciou não apenas a igreja, mas, também, a sociedade como um todo. Ele fundou uma academia em Genebra, onde não faltou o curso de Teologia. Ele preparou missionários e os enviou para o mundo inteiro, inclusive para o Rio de Janeiro. Ele acolheu os foragidos de guerra e fez de Genebra um lar hospitaleiro para os que buscavam refúgio. Genebra foi transformada na mais esplêndida maquete do Reino de Deus na terra, sobretudo, pela pregação desse destemido reformador. Calvino influenciou a política, a cultura e a economia. Ele foi intelectual, sem deixar de ser piedoso. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Depois de quinhentos anos de seu nascimento, ainda exerce decisiva influência em todo o mundo ocidental, especialmente no contexto das igrejas reformadas. Rendemos glórias ao nosso Deus por tão preciosa vida!

Rev. Hernandes Dias Lopes