terça-feira, 14 de junho de 2011

Evangelicalismo, Movimento Carismático e Retorno à Roma

por
John W. Robbins


O derramamento do Espírito Santo no Século XVI levou milhões de pessoas a redescobrirem a mensagem objetiva da Bíblia acerca da justificação somente pela fé. Essa doutrina invadiu e transformou a mente dos homens com o poder divino e mudou o curso da história. A Reforma Protestante foi fundada sobre a base da restauração da primazia, supremacia e total suficiência da Bíblia e da justificação pela fé.
Ninguém coloca em discussão o fato de a Reforma Protestante ter restabelecido completamente a pureza da fé e da prática que é apresentada na Bíblia. Nem sempre os Reformadores concordavam entre si. Nem sempre eram consistentes em cada área. Tampouco a igreja abandonara de vez todos os erros da Igreja/Estado Romana da Idade Média. Mas apesar das diferenças e das inconsistências, os Reformadores estavam totalmente unidos quanto à importância da Escritura e da justificação somente pela fé — seus significados objetivos e sua centralidade absoluta para a fé cristã.
Há uma tendência na natureza humana pecaminosa de afastar-se do Evangelho objetivo para o subjetivismo religioso, de deslocar o foco central de Cristo para a experiência cristã. Isso foi o que aconteceu na grande “decadência” da Igreja Primitiva. E a mesma evolução tem dado lugar entre os herdeiros do movimento protestante.

O Erro das Seitas
Antes ainda da saída de cena dos Reformadores, diferentes grupos ou seitas (defensores de ideais de igrejas livres) começaram a proliferar-se dentro do movimento protestante e a devastar as igrejas recém plantadas. Esses grupos diziam que Lutero havia feito um bom começo quando restaurou a doutrina da justificação pela fé, mas nutriam o sentimento de que ele ficara apenas no meio do caminho e que deveriam seguir adiante, rumo ao mais alto e ao mais profundo.
Mas Lutero compreendia que eles se equivocavam acerca das doutrinas-chave do Protestantismo — somente a Bíblia, e a justificação somente pela fé — e, no que lhe concernia, se estavam errados nestes pontos, em tudo estavam errados. “Seja quem for que se afaste do artigo da justificação não conhece a Deus, é um idólatra”, escreveu Lutero. “Uma vez removido este artigo, nada mais permanece senão o erro, hipocrisia, impiedade e idolatria, ainda que tenha aparência de estar à altura da verdade, da adoração a Deus, santidade etc..” (What Luther Says [Concordia Publishing House, 1959], Vol. II, 702-704).
Os mestres sectários não negavam a justificação como um passo inicial na vida cristã. O erro deles residia no antigo descaso da justificação como se fosse aquilo sobre o que o crente dá inicio e depois passa para coisas superiores. Com isso, a justificação pela fé nem de longe ocupava uma posição central. O foco deles afastava-se para além da obra de Cristo para a ação deles próprios, do objetivo para o subjetivo.
No tempo dos reformadores, os munzeristas e os anabatistas radicais exaltavam grandemente a obra e os dons do Espírito. O clamor deles era, “O Espírito! O Espírito!” mas Lutero respondia, “eu não seguirei para onde o espírito deles lhes dirige”. Eles separavam o Espírito da Palavra, da Escritura. Eram os carismáticos do Século XVI.
Lá, então, encontramos Osiander. No inicio ele foi discípulo e colaborador de Lutero, mas rompeu com o ensino da Reforma da justificação por imputação (externa) da justiça e começou a ensinar que o crente é justificado pela habitação de Cristo e pela sua justiça essencial disso decorrente. Tanto Lutero como Calvino reconheceram que o ensino de Osiander representava uma volta, em principio, à idéia católica romana de justificação. Algumas das seitas, desses grupos ou igrejas livres, perderam o rumo do Evangelho quando tentaram ultrapassar a justiça que é pela fé, buscando um estado de impecabilidade absoluta nessa vida mortal sobre a Terra. Os reformadores também reconheceram que era realmente o perfeccionismo católico-romano vestido de nova roupagem.
Depois da Era dos Reformadores, o movimento protestante chegou ao período conhecido como de ortodoxia protestante. Heresias foram resistidas pelas cuidadosas definições e redefinições da fé protestante. Na Alemanha, o pietismo surgiu como uma reação contrária à hipocrisia da Igreja Estatal Luterana formalmente ortodoxa. Mas a tendência definitiva do pietismo era distorcer o Evangelho objetivo com ênfase exagerada na experiência. Muito do pietismo alemão recapturou o espírito dos grandes místicos católicos romanos e se lhes assemelhou em suas devoções cristãs sentimentais (e até mesmo efeminadas).

Wesleyanismo
A Inglaterra do Século XVIII presenciou um notável movimento que inclusive foi também uma reação ao formalismo da Igreja Anglicana. A verdade da justificação somente pela fé tinha sido perdida pela maior parte da igreja. Eram dias em que os párocos caçadores de raposa amavam mais os seus cães de caça do que o seu rebanho. Além disso, havia uma crescente classe operária, excluída e desconsiderada por uma igreja indiferente. John Wesley foi um dos homens mais influentes do Século XVIII. Sua influência na vida nacional de toda a Inglaterra (em especial na classe operária) foi tão marcante que alguns creditam ao seu ministério o livramento da Inglaterra de uma revolução semelhante àquela em que foi mergulhada a França.
John Wesley aparentava crer na justificação somente pela fé. A sua fixação, entretanto, era com a santificação. Tinha sido profundamente influenciado pelo pietismo morávio e com certeza pelos místicos católicos romanos. A ênfase de Wesley na santificação foi dos principais pontos fracos do Movimento de Metodista. Junto com a justificação pelo sangue de Cristo, Wesley enfatizou o poder renovador Espírito Santo para se viver em conformidade com a verdadeira obediência à Lei de Deus. Aparte da obediência santificada à Lei de Deus, Wesley declarava, nenhuma alma poderia reter a benção da justificação. Isso implicou, naturalmente, em justificação pelas obras. Representou, portanto, uma volta a Roma.
Wesley desenvolveu a doutrina da inteira santificação, conhecida também como “segunda benção” ou “perfeição metodista”. Propôs que após a justificação e um processo de santificação, o crente poderia receber, pela fé, uma segunda benção repentina que removesse completamente da alma o pecado natural, possibilitando a inteira santificação, nada mais que o amor perfeito. Chamou esta experiência de “uma salvação ainda mais elevada”, “imensamente maior do que quando alguém foi justificado” (Plain Account, 7). Wesley e seus pregadores desafiavam seus ouvintes a procurarem essa segunda benção da perfeição com toda a diligência. Assim fizeram, e deram prova dela por meio de vidas de séria (às vezes frenética) piedade.
Com Paulo e Lutero, a justificação somente pela fé era a verdade plena do Evangelho. Mas no Wesleyanismo, a centralidade e a total-suficiência da justificação foram perdidas, ficando esta subordinada à santificação. A própria justificação podia ser perdida pelo fracasso dos crentes em perseverarem nas boas obras.
Entretanto, ainda que tenha pregado isso a outros, até os seus últimos dias, Wesley confessava que francamente não tinha alcançado a sua famosa “segunda benção”. Ele sempre a perseguiu, mas apenas conseguiu alcançar a esperança dela. Era por demais humilde e franco em confessar que apesar de tudo ele sentia pungente o pecado dentro dele.
Infelizmente, nem todos os seguidores de Wesley eram tão prudentes ou tão humildes quanto o fundador do metodismo. Alguns professaram que tinham alcançado a segunda benção da inteira santificação. Alguns eram pregadores, sendo que uns deles chegaram logo a cair na tentação de se imaginarem superiores a Wesley. O reavivamento metodista foi conseqüentemente submetido ao arminianismo e ao fanatismo. O fanatismo não aflorou enquanto por muito tempo os metodistas procuravam a perfeição. Isso emergiu quando alguns reivindicaram tê-la alcançado.

O Reavivamento Americano e o Movimento de Santidade
O Protestantismo Americano do Século XVIII e do começo do XIX veio se tornar herdeiro do fervor religioso do metodismo. Os EUA desenvolveram o seu próprio estilo e marca registrada de reavivamento. Este talhou o temperamento nacional que foi moldado pelo espírito de fronteira.
A vida na fronteira era crua, rude e excitante. Algumas das pessoas de fronteira viam igrejas ou pregadores muito pouco, talvez uma vez por ano em um encontro de reavivamento feita em grandes toldos, as tendas. Assim como os bezerros que iam crescendo e precisavam ser reunidos num lugar para uma vez por ano serem marcados, a juventude, da mesma forma, precisava ser reunida para ser “salva”, enquanto o pessoal mais velho sentia a necessidade de uma boa “limpeza” assim como no tempo do reavivamento. Assim, Vinson Synan, historiador do pentecostalismo, disse muito bem: “Os que atendiam a tais encontros em acampamento... geralmente esperavam que suas experiências religiosas fossem tão vividas como a vida na fronteira que os cercava. Acostumado com 'briga com ursos e guerra com índios', eles receberam essa religião de grande colorido e excitamento”. (Vinson Synan, The Holiness-Pentecostal Movement in the United States [Eerdmans Publishing Co., 1971], 25). Por vezes o fervor religioso foi acompanhado de grandes excessos emocionais tal como “"ivina histeria”, quedas, convulsões, “riso santo”, latidos semelhantes a dos cães e “danças antigas como as que Davi fazia perante a Arca do Senhor”.
No Século XIX, Charles Finney era um evangelista bem sucedido. Já em 1850, o avivamento dentro do estilo de Charles Finney — se tornou numa espécie de religião nacional dos EUA. A Teologia Sistemática de Finney (ainda hoje um dos mais populares manuais de teologia nas igrejas pentecostais) é muito crítica em relação a Lutero e Calvino face ao ensino deles da justificação pela fé por meio da imputação da justiça que é de Deus. A ênfase predominante de Finney é na santificação e na obra de Deus no contexto da experiência humana — uma ênfase que não é bíblica nem reformada. Sua pregação levava as pessoas à verdadeira experiência de crise emocional e a uma busca posterior de uma experiência santidade que poderia ser aceitável a Deus.
Em todas essas influências avivalistas, a ênfase predominante era encontrar com Deus por meio de uma experiência intima do coração verdadeiramente dramática, emocional, empírica. Havia um foco muito pequeno em ser aceitável a Deus pela fé numa justiça não propriamente nossa, mas completamente externa a nós existente na pessoa de Cristo. O avivamento americano era mais subjetivo do que objetivo, mais centralizado na experiência do que centralizado no Evangelho.
Em meados do Século XIX, a Igreja Metodista (que era então a maior igreja dos EUA) experimentou o notável ressurgimento do interesse na doutrina da “segunda benção”. A década de 1840 testemunhou uma enchente de ensino perfeccionista na Igreja Metodista. Líderes pastores, bispos, e teólogos, conduziram o movimento, dando-lhe respeitabilidade institucional e intelectual. Este desenvolvimento espraiou-se para outros corpos protestantes, e em 1869 ficou conhecido como “movimento de santidade”. Publicações independentes sobre “santidade” pulularam por todo o País. O movimento transbordou para a Inglaterra e encontrou expressão na famosa Convenção Keswick.
A ênfase popularizada do movimento de santidade foi na vida vitoriosa cheia do Espírito. Seu ponto focal não era nem na justificação nem na conversão, mas na realização de uma experiência empírica de santidade e inteira santificação subseqüente à conversão. Boardman, Inskip, A. B. Simpson, R. A. Torrey, e Andrew Murray eram alguns dos bem conhecidos escritores e líderes do movimento. O titulo da obra de Hannah W. Smith, O Segredo da Vida Feliz do Cristão (ainda amplamente circulada hoje), expressa muito bem as aspirações dos adeptos da santidade. Outros títulos também dizem por si o que pode geralmente ser detectado, uma experiência maior em vez do Evangelho (A Vida Vitoriosa, Chaves para um Viver Vitorioso, A Vida Cheia do Espírito etc.). A linha seguida por estes livros é geralmente em Romanos 7 e Romanos 8: “Sai de Romanos 7 e entre em Romanos 8” (que, incidentalmente, é decididamente contrário a tudo o que os reformadores ensinaram).
A natureza objetiva e o valor da justificação e do perdão deixaram de ser o centro do ensino do movimento de santidade. Isso tudo foi subestimado, e mesmo rebaixado, devido a preocupação dominante com a experiência religiosa e o perfeccionismo. O movimento de santidade seguiu pelos corredores formados pelas rochas do subjetivismo, e por essa causa, veio estar mais em harmonia com o Catolicismo Romano do que com o ensino da Bíblia. Nos anos de 1890, a Igreja Metodista tomou medidas administrativas contra o movimento de santidade. Conseqüentemente, entre os anos 1890 e 1900, vinte e três denominações de santidade foram fundadas.

O Movimento Pentecostal
Ao fim do Século XIX, muitos dentre o movimento de santidade começaram a falar e a buscar o “batismo de fogo”. Um ramo do movimento de santidade foi chamado de “Igreja Holiness do Batismo com Fogo” (originada em Iowa em 1895 e dirigida por Benjamin Irwin). Quem recebia “o fogo” freqüentemente poderia gritar, berrar, cair em transes, ou falar enrolado. Este “batismo de fogo” foi considerado como uma visitação milagrosa do Espírito que seguia à inteira santificação. Os mestres mais conservadores do movimento de santidade rejeitaram essa “terceira” benção de fogo, por considerarem a mesma coisa a segunda benção e o batismo especial do Espírito.
Mas os radicais defensores do "fogo" continuaram exercendo influência dentro do movimento com ardentes pregações e publicações semelhantes a Live Coals of Fire – Brasas Vivas de Fogo - (publicado pela primeira vez em outubro de 1899). Este opúsculo falava "do sangue que limpa, do Espírito Santo que enche, do fogo que queima, e da dinamite que arrebenta". Não é difícil imaginar as manifestações excêntricas e desconcertantes que acompanharam o estágio de explosão religiosa que decorreu. O resultado lógico dessa tendência religiosa foi o aparecimento no Século XX do Movimento Pentecostal, cujo inicio é traçado pelo Ministério de Charles Parham em Topeka, Kansas em 1900.
O Dr. Frederick Dale Bruner escreve: "Como resultado dos movimentos de santidade mundiais, nasceu o movimento pentecostal. O historiador pentecostal, Charles Conn, aponta 'que o movimento pentecostal é uma extensão do avivamento da santidade que ocorreu durante a última metade do Século XIX'" (Frederick Dale Bruner, Teologia do Espírito Santo [Edições Vida Nova, 1977], 44). Diz o notório autor católico-romano e defensor da unificação da igreja, Kilian McDonnell: "John Wesley foi o pai do intenso fervor religioso americano do Século XIX, um dos seus filhos foi o Movimento de Santidade de que originou o pentecostalismo do Século 20" (Kilian McDonnell, "The Classical Pentecostal Movement," Vol. I, No. 11 [Maio/1972], 1 ). O movimento pentecostal esteve envolvido diretamente na questão da insistência que o sinal físico do falar em "línguas" era a evidência do batismo do Espírito. Esta questão das línguas causou uma divisão entre o movimento de santidade e o pentecostal, ainda que a teologia básica dos dois movimentos permanece a mesma. O pentecostalismo é o resultado inevitável do avivamento subjetivo. Os avivamentos que ocorreram nos Estados Unidos talvez não fosse do gênero abertamente pentecostal ou carismático, mas eles tendiam para aquela direção porque eram acima de tudo orientados para o experiencialismo religioso.

Tendência em direção a Roma
Por mais de 400 anos, têm sido exercidas influências no âmbito do Movimento Protestante no sentido de corroer a ênfase objetiva da doutrina reformada de justificativa somente pela fé. Isso não passa de uma volta ao romanismo. Há alguns anos, o conhecido autor católico-romano, Louis Bouyer, fez essas impressionantes observações:
A Renovação Protestante ...lembra os melhores e o mais autênticos elementos da tradição católica.... Vemos por toda essa nação protestante, cristãos que tem como sua religião o movimento a que chamamos, no geral, de Renovação, o qual, mais ou menos, não passa de catolicismo.... Os mais valiosos e duradouros reavivamentos contemporâneos em seus resultados em tudo apresentam uma impressionante analogia com o processo de redescoberta do catolicismo.... o rumo que instintivamente se tomam em direção ao catolicismo ... isso pode conduzir ao caminho da reconciliação entre protestantes e católicos”. ( Louis Bouyer, The Spirit and Forms of Protestantism [World Publishing Co., 1964], 186, 188, 189, 197 ).
Bouyer conclui com um apelo para os seus confrades católicos se preparem para a volta inevitável dos "irmãos separados" sob a influência dos reavivamentos contemporâneos. Não faz diferença o fato de que muitos reavivalistas consideram-se anticatólicos, conforme Bouyer anota, eles estão simplesmente no escuro quanto ao fato de que o cerne da sua ênfase está em profunda harmonia com o catolicismo. Se o leitor deseja saber o que Roma pensa hoje sobre os mais populares reavivalistas americanos, pode ficar seguramente bem informado a respeito através da matéria saída em julho de 1972 no Digesto Católico .
A alguns anos atrás, Paul Tillich abordava o tema, "o fim da era protestante",
O tipo de protestantismo que tem sido desenvolvido na América não é bem a expressão da Reforma, mas tem mais elementos do chamado evangelicalismo radical. Há grupos luteranos e calvinistas, que são fortes, mas em grau surpreendente eles têm-se adaptado ao protestantismo americano. Este clima não foi produzido por eles, mas pelos movimentos sectaristas. Assim que cheguei à América, há vinte anos atrás [em 1933], a teologia da reforma era quase desconhecida no Union Theological Seminary [New York] por causa das diferentes tradições, e a redução da tradição protestante avizinhava-se das tradições não-reformadas. O conflito de Lutero com os evangélicos radicais é especialmente importante para os protestantes americanos porque o tipo prevalecente de cristandade na América não foi produzido pela Reforma diretamente, mas pelo efeito indireto da Reforma através do movimento de radicalismo evangélico“.(Paul Tillich, A History of Christian Thought [S.C.M. Press Ltd., 1968], 225-226, 239. Das conferências apresentadas primeiramente em 1953]).
As últimas décadas têm mais do que justificado as observações de Bouyer e Tillich. O movimento histórico de volta a Roma tem-se tornado como aquele lugar onde no Rio Niágara os canoeiros alcançam aquele ponto que não há volta quando as águas se aceleram em direção às cataratas. O movimento tem-se acelerado em sua corrida, e evangélicos e carismáticos estão, a taxas crescentes, sendo re-introduzidos a Roma.

O Movimento Neopentecostal ou Carismático
De 1900 a 1960, o movimento pentecostal continuou a crescer fora do protestantismo convencional. Todavia já em 1960 tinha atingido uma membresia mundial da cifra de aproximadamente oito milhões de pessoas. Naquele tempo, gente como Henry Van Dusen já começava a chamar o movimento de "terceira força" da Cristandade.
Então, próximo de 1960, teve lugar uma mudança notável quando de repente o pentecostalismo começou a ultrapassar linhas demarcatórias denominacionais para penetrar nas igrejas protestantes históricas. Como John Sherrill diz em seu livro, Eles Falam em Outras Línguas, "caíram os muros". Logo havia milhares, e depois milhões, de episcopais, metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, congregacionais e outros, protestantes-pentecostais. Esta fase interdenominational do movimento ficou conhecida como movimento neopentecostal, ou carismático. Não foi um movimento para que houvesse uma denominação separada, mas uma experiência que transcendesse todas as linhas divisórias denominacionais. Os que compartilhavam a experiência em diferentes denominações se viram tendo mais em comum mutuamente entre si do que com os não-carismáticos da mesma igreja. Muitos confiantemente previram que este seria o começo do maior avivamento que o mundo jamais conhecera.
Lá para o fim dos anos 1960, o movimento neopentecostal deu duas de suas mais esplendidas passadas. Ele penetrou na nova cultura jovem e ficou conhecido como o Movimento de Jesus. (Estima-se que noventa por cento do Povo de Jesus, como foram chamados, tiveram alguma forma de experiência pentecostal). Muitos da cultura da droga ficou "alta" com Jesus ao invés de com drogas. Então, para o coroamento do seu sucesso, o movimento neopentecostal entrou na Igreja Católica Romana em 1967. Depois do começo modesto em dois de seus grandes centros de ensino (Duquesne e Universidade Notre Dame), agora se espalha rapidamente na Igreja Católica Romana, atraindo o apoio de cardeis, bispos, milhares de padres e freiras, e o próprio Papa. Visto que os católicos romanos têm agora recebido idêntica experiência pentecostal que os protestantes, os pentecostais da velha linha estão re-avaliando a sua atitude para com o catolicismo romano. Tradicionalmente antipapais, as igrejas pentecostais clássicas estão mudando sua posição, do "pentecostes" têm-se mudado para Roma.
Embora o pentecostalismo tenha sido introduzido na Igreja Católica Romana inicialmente por pentecostais protestantes, tem encontrando menos resistência em círculos católicos do que em círculos protestantes. De fato, como muitos autores católicos estão apontando, o pentecostalismo se sente em casa na Igreja/Estado Romana. Está mais em casa lá porque a ênfase dominante pentecostal na experiência subjetiva está em harmonia essencial com o ensino e tradição da Igreja Romana. Diz o monge beneditino, Edward O'Connor da Universidade Notre Dame:
Embora tenham se originado da plataforma protestante, as igrejas pentecostais não são tipicamente protestantes em suas crenças, atitudes ou práticas.... não se pode pressupor que o movimento pentecostal represente uma incursão da influência protestante [dentro da Igreja Católica Romana]. ... Católicos que têm aceitado a espiritualidade pentecostal tem-se deparado que esta está em harmonia com sua fé e vida tradicionais. Eles a experimentam, não como um empréstimo de uma religião estranha, mas como um desenvolvimento natural de sua própria ... a experiência do movimento pentecostal tende confirmar a validade e relevância de nossas autênticas tradições espirituais. Outrossim, o desenvolvimento das igrejas pentecostais hoje parece seguir através de estágios muitos parecidos o que ocorreu nos primeiros anos da Idade Média quando a doutrina clássica estava tomando forma ( Edward O'Connor, The Pentecostal Movement in the Catholic Church [Ave Maria Press, 1971], 23, 32,28, 183, 191, 193, 194 ).
Além disso, o neopentecostalismo não faz nada no sentido de perturbar a fé católico-romana e suas igrejas e tradições. Diz O'Connor:
Semelhantemente, as devoções tradicionais da Igreja têm-se revestido de mais significado. Algumas pessoas têm sido levadas de volta para o uso freqüente do sacramento da penitência através da experiência do batismo do Espírito. Outras têm descobertos em suas vidas um lugar para devoção à Maria, enquanto que antes mantinham repulsas ou indiferença para com ela. Um dos mais extraordinários efeitos da ação do Espírito Sagrado tem sido o de promover a devoção à Presença Real na Eucaristia. (Edward O'Connor, Pentecost in the Catholic Church [Dove Publications, 1970], 14, 15 ).

O Movimento Carismático e Roma
Os anos de 1970 nos trouxeram para a grande fase ecumênica do reavivamento e do movimento carismático. Em 1º de fevereiro de 1972, a revista Christianity Today escreveu em editorial:
Ao que parece, a força que se apresenta como a maior contribuição para o atual avivamento que varre a face da Terra é o pentecostalismo. Este movimento, que começou a várias décadas atrás, e que em seus anos iniciais tinha o caráter muito sectário, agora é ecumênico no seu sentido mais profundo. Parece que ultimamente o neopentecostalismo tem incluído muitos milhares de católicos romanos.... Uma nova era do Espírito tem começado. A experiência carismática mexe com os cristãos em coisas que vão além da glossolalia.... Há uma luz no horizonte. Uma renascença evangélica está-se tornando visível ao longo da rodovia cristã, das fronteiras dos grupos sectários aos altos lugares da comunhão católico-romana. Parece ser este um dos momentos mais estratégicos da história da Igreja.
Em maio de 1972, matéria da New Covenant (publicação católica carismática) destaca os católicos e os protestantes unidos numa grande confraternização carismática. Proclama-se que o movimento carismático mantém a esperança de cura das feridas abertas no Século XVI . Destaque para Henry Van Dusen do Union Theological Seminary que teria dito:
A presença do movimento carismático (pentecostal) entre nós diz-se que é para marcar uma nova era no desenvolvimento da cristandade. O novo pentecostalismo parecerá aos historiadores do futuro a "verdadeira reforma " (comparada à do Século XVI) da qual nasce a terceira força do mundo cristão (protestante-católico-pentecostal) (19).
Essa união não está fundamentada na verdade objetiva, mas na experiência subjetiva. A cristandade americana está afogando num oceano de subjetivismo religioso. A literatura carismática (e ai incluímos todo este reavivalismo subjetivo) está infestando a terra como as rãs do Egito (ver Apocalipse 16:13, 14). Nunca se viu uma massa de literatura tão destituída do Evangelho de Cristo. Praticamente não existe sequer um pensamento objetivo, extrínseco. É tudo na base do "já que é assim, então é desse jeito”, uma volta ao misticismo medieval, efeminado, sentimental. Não é de estranhar que um dos pontos de diálogo entre os líderes pentecostais e os da Igreja Católica Romana é a semelhança notável entre o pentecostalismo e o misticismo católico. O fato aterrador é que o desmoronamento das resistências protestantes ao movimento carismático ilustra a decadência das igrejas protestantes. Até mesmo o termo Protestante está se tornando uma palavra suja. E ser crítico ao romanismo virou agora uma obscenidade nos círculos evangélicos.

O Cumprimento de Profecia
Multidões estão exultantes por causa da igreja que tem sido impactada pelos fogos do reavivamento. Não se trata de uma moda passageira, mas de um notável cumprimento de profecia bíblica. Partamos do principio que os protestantes tenham geralmente aceitado o fato de que a besta semelhante a leopardo de Revelação 13 era o símbolo do papado, que dominara a civilização européia por aproximadamente mil anos. Munida da verdade objetiva da justificativa somente pela fé, a Reforma provocou no "homem do pecado" a "ferida fatal". Ao quebrar a camisa de força do pensamento papal, as nações começaram a se libertar da dominação papal (ver Apocalipse 13:3). Mas a profecia do Apocalipse claramente prediz uma restauração da força da igreja antiga para dominar as mentes e escravizar as consciências dos homens. O profeta declara:
E operava grandes sinais, de maneira que fazia até descer fogo do céu à terra, à vista dos homens; e, por meio dos sinais que lhe foi permitido fazer na presença da besta, enganava os que habitavam sobre a terra e lhes dizia que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. (Apocalipse 13:13, 14).
"Fogo... do céu... à vista dos homens" é um quadro terrivelmente preciso da religião contemporânea envolvida em fogos do falso reavivamento e do movimento carismático. Fogo que é o símbolo favorito do movimento carismático é o utilizado por Deus para descrever o movimento que nada mais é senão uma contrafação do derramamento do Espírito Santo. Não é realmente fogo do Céu, mas parece ser fogo do Céu. É “fogo do céu... à vista dos homens." Mas, em virtude dessa influência, levará "a terra e os que nela habitavam” a adorarem “a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada". ( Apocalipse 13:12).
Os últimos dias serão marcados por grandes decepções religiosas. Operando a pretexto de "fogo...do Céu" (o batismo do Espírito Santo), "os espíritos de demônios" operarão "sinais diante dos reis da Terra, para os congregar para a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso" ( Apocalipse 16:14; veja também II Tessalonicenses 2:8-12).
Agora mesmo é considerada blasfêmia falar contra a obra sobrenatural levada a efeito no movimento carismático. Um espírito de prepotente certeza e arrogante intolerância tem sido freqüentemente manifesto pelos que "tem o espírito". A preocupação com experiência interior tem dirigido multidões a retornarem à filosofia religiosa da Idade Média e da igreja medieval. O Vaticano sabe o resultado. Lê-se o que é. Muitos protestantes parecem estar tão paralisados quanto Melanchthon esteve quando não soube o que falar, ou não, aos fanáticos espiritualistas que vieram a Wittenberg enquanto Lutero estava escondido no Castelo de Wartburg. Foi essa a questão que foi levada ao grande Reformador que o levou a sair de seu esconderijo e arriscar sua vida. Os líderes "cheios de espírito" conseguiram uma entrevista com Lutera em que clamavam, "O Espírito! O Espírito!" O Reformador decididamente não ficou impressionado. "Eu esbofeteio no focinho este seu espírito", ele trovejou. Ele viu que a grande verdade da justificação somente pela fé estava diametralmente oposta a esses assim qualificados por eles mesmos, "profetas alemães".
Estamos agora vivendo numa época em que as questões do Século XVI têm sido de novo combatidas. Avançando para o final desse tempo o conflito se intensificará. Dobrar-se-ão as velhas linhas demarcatórias denominacionais. O mundo religioso está se agrupando. De um lado, a grande união de católicos romanos, pseudoprotestantes e pentecostais que tem a aparência de ser um movimento para a conversão de todo o mundo. De outro lado, haverá um movimento para restaurar o Evangelho eterno em sua pureza original e força. O Evangelho triunfará. Embora o Anticristo possa ser vitorioso num momento, sua ruína é certa. Uma pequena palavra, e cairá.

Extensivamente revisado e adaptado de um panfleto publicado em 1972 pelo Australian Forum, uma organização aparentemente extinta.
Novembro/Dezembro de 1986

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Traduzido por: Anamim Lopes da Silva
Maio/2005
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quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma Análise Bíblica dos Dons do Espírito no Pentecostalismo


por
Rev. Wilbur Bruinsma
Ministro nas Igrejas Protestantes Reformadas

Conteúdo:
I. Os Dons no Pensamento Pentecostal
A. O Falar em Línguas
B. O Dom de Cura
C. O Dom de Revelação
D. Como estes dons são adquiridos

II. Uma Análise Bíblica dos Dons
A. Em geral
B. Especificamente
1. Línguas
2. Curas
3. Revelação

III. Uma Admoestação Concernente aos Dons


Introdução
Estava profundamente envolvido no sermão que então pregava. Parece que a congregação também. O que aconteceu em seguida veio sem qualquer advertência. Eu fui interrompido no meio de uma sentença pelo que soava como o uivo de um cachorro que está sendo sufocado até à morte. Eu parei e olhei para o canto traseiro da igreja, do qual o estranho barulho estava vindo. Minha família, que estava sentada na fileira da frente, quase pulou do banco. Ninguém mais na congregação parecia tão perturbado pelo som. Eles estavam acostumados com ele. Mas esta foi a primeira vez que fui apresentado aos “dons do Espírito” naquela pequena igreja, por detrás da colina, na Jamaica. Aconteceu uma ou duas vezes mais durante o culto, toda vez interrompendo minha pregação.
Depois do culto, perguntei a senhora que tinha interrompido nossa adoração com seus ataques emocionais porque ela tinha feito isto. Ela me disse que não pôde se conter. O Espírito tomou conta de seu coração e voz e ela não pôde conter os gritos ruidosos. Incidentes deste tipo me levam ao meu primeiro estudo sério dos movimentos de Santidade e Pentecostal e suas influências. Isto também me leva a examinar mais cuidadosamente os incidentes particulares de falar em línguas, curas e revelações registrados na Escritura para chegar a um entendimento bíblico deles.
Os dons do Espírito (charismata, que é o termo grego para “dons”) são vitais para a religião Pentecostal. A outorga destes dons do Espírito aos membros da igreja é o dogma sobressalente do pensamento e adoração Pentecostal. Embora o Pentecostalismo reivindique crer em todas as várias verdades da Bíblia, contudo, a impressionante ênfase em seus ensinos e em sua adoração é sobre o batismo no ou com o Espírito Santo. Este batismo resulta em muitos dons, “charismata”, diferentes. Anne S. White, uma escritora, professora e conselheira no movimento carismático durante a década de 1960 e 70, em seu livro Aventuras de Cura , usa 1 Coríntios 12:4-7 para enumerar o que ela crê ser os nove “dons do Espírito” essenciais. “....São Paulo descreveu os nove dons (ou manifestações) como: a expressão de sabedoria...a expressão de conhecimento...fé...dons...dons de cura...a operação de milagres...profecia...a capacidade de distinguir entre espíritos...vários tipos de línguas...a interpretação de línguas”.
Dentre estes nove “charismata”, os Pentecostais colocam uma ênfase maior sobre três: o falar em línguas, o dom de cura e a profecia ou revelação. Há uma proliferação dos escritos sobre estes dons e suas realizações, e eles estão disponíveis por toda a parte. A maioria destes livros usa a experiência pessoal como o fundamento para suas reivindicações de que estes dons do Espírito ainda estão presentes na igreja de hoje. Embora muitas passagens das Escrituras sejam citadas por estes autores, nenhuma das passagens é cuidadosamente analisada de uma forma exegética para descobrir a validade dos “charismata” hoje. O Rev. James Slay, um ministro e professor na Igreja de Deus [denominação], escreveu um livro intitulado Nisto Cremos , no qual ele tenta provar a partir das Escrituras a presença dos dons do Espírito na igreja moderna. Alguns de seus argumentos serão considerados.

1. Os Dons no Pensamento Pentecostal.

A. O Falar em línguas.
Mencionamos que há três dons do Espírito que o movimento Pentecostal enfatiza acima de todos os outros: o falar em línguas, a fé que cura e revelação. Destes três, o falar em línguas é o mais proeminente.
O primeiro incidente registrado do falar em línguas é encontrado no evento que aconteceu no dia de Pentecoste. De fato, foi neste evento que a presença do Espírito e o falar em línguas estão unidos. Este é também o porque aqueles que hoje ainda mantém o falar em línguas são freqüentemente referidos como Pentecostais.
Lemos deste evento em Atos 2:1-4:
E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
É a este terceiro sinal da presença do Espírito na igreja, isto é, o falar com outras línguas como o Espírito concedia, que os Pentecostais chamam a atenção. Eles fazem isto porque, destes três sinais, este foi o único que continuou depois do dia de Pentecoste. O milagre que foi realizado naquele dia é facilmente explicado: quando o Espírito entrou no coração dos discípulos de Cristo, eles começaram a falar em “outras línguas”, isto é, a falar em idiomas estrangeiros. Estes homens, que eram simples Galileus e não eruditos em idiomas estrangeiros, repentinamente por intermédio do Espírito Santo começaram a falar em muitos idiomas estrangeiros diferentes de forma que muitos que estavam presentes, procedentes de outros países, puderam entender o que eles pregaram naquele dia. Este sinal do derramamento do Espírito não cessou naquele dia.
Os Pentecostais dirigem nossa atenção ao que eles crêem que são outros quatros exemplos que falam disto no livro de Atos.
O primeiro é encontrado em Atos 8:14-17, onde encontramos a igreja de Jerusalém enviando Pedro e João a Samaria, onde o evangelista Filipe tinha pregado.
Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
Embora isto não seja explicitamente declarado, é argüido, e isto razoavelmente, que, quando Pedro e João impuseram as mãos sobre os Samaritanos, o Espírito veio sobre estes Samaritanos de forma que, como resultado, eles falaram em outras línguas. Isto é o porque Simão o Encantador queria comprar o poder para conceder este dom aos outros.
O segundo exemplo do derramamento do Espírito em alguém que resultou no falar em línguas é aquele do próprio Paulo e sua conversão em Atos 9:17,18. “E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o SENHOR Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado”. Este verso não necessariamente estabelece a reivindicação dos Pentecostais de que Paulo falou em línguas naquela hora, mas estabelece o fato de que o Espírito Santo foi derramado sobre ele. Mais tarde também, em 1 Coríntios 14:18, Paulo testifica o seu falar em línguas.
O terceiro exemplo do falar em línguas foi registrado para nós em Atos 10 e 11, onde lemos da pregação de Pedro do evangelho à família de Cornélio, um centurião gentio. Nos versos 44-46 de Atos 10 lemos:
E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.
Neste exemplo não pode haver debate. O milagre de falar em línguas deveras aconteceu na conversão de Cornélio e de sua família.
O quarto e último exemplo registrado em Atos é encontrado no capítulo 19:1-7 onde doze efésios, que ouviram a pregação de João o Batista e foram batizados por ele, agora ouvem o evangelho de Cristo pela boca de Paulo. Paulo explica que João já tinha pregado e batizado no nome de Cristo. Estes homens foram então batizados por Paulo, e o Espírito caiu sobre eles, e lemos que eles falaram em línguas.
Estes são os únicos exemplos que lemos em Atos. Mas a atenção é também chamada pelos Pentecostais para Marcos 16:15-18.
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.
Nossa atenção é atraída à inegável Palavra do nosso próprio Senhor: este milagre de línguas aconteceria com a vinda do Espírito. O falar em línguas, portanto, foi uma ação que definitivamente aconteceu na igreja primitiva. Isto é evidente, também, em 1 Coríntios 12-14, onde este assunto de forma completa é desenvolvido por Paulo. Obviamente, nas igrejas estabelecidas por Paulo em suas jornadas missionárias, o falar em línguas também aconteceu.
Concernente a estas provas do falar em línguas, o Rev. James Slay escreve (pág.90):
Se tais dons espirituais fossem somente para aqueles que viveram nos tempos Apostólicos, porque o Espírito Santo permitiria que tal informação fosse incluída em Sua palavra? Por que seríamos informados, numa terminologia precisa, sobre o regulamento de um dom se não estava no plano de Deus nos conceder o mesmo? Por que ensinar o filho de indigente como gastar a herança de alguém que não lhe deixou nada?
Novamente Slay escreve (pág. 91):
O batismo do Espírito Santo e o fenômeno de línguas têm uma afinidade que é inequívoca. Esta experiência não é o “fruto do subconsciente” nem é o “balbuciar” de um segmento ignorante da população. Temos evidência escriturística para esta extraordinária manifestação espiritual, e da última nuvem de testemunhas, testificando sua realidade, de forma que tem se chamado a atenção da imprensa nacional.
O argumento que é aduzido pelos Pentecostais, portanto, é simples: a menos que seja trazida uma prova ao contrário, a Bíblia ensina que este dom do Espírito está presente na igreja hoje. Não há razão para crer que este dom desapareceu. A razão pela qual não se pode levar em conta a igreja após o período primitivo é simplesmente esta: a igreja apostatou e negligenciou este dom.
B. O dom de cura
A mesma razão é aplicada ao dom de cura. O próprio Jesus, raciocina-se, gastou a maior parte do Seu ministério terreno curando o povo. A partir de Seu exemplo, é evidente para nós que Ele veio para curar não somente nossas almas, mas nossos corpos também. Foi este dom de cura que Ele prometeu a Sua igreja após o Pentecoste. Novamente, lemos disto em Marcos 16:17-18 (citado acima). Alguns exemplos diferentes foram registrados para nós no Novo Testamento. A Pedro foi dado poder para curar (por exemplo, Atos 3:1-11;5:15). O diácono Filipe, quando pregou em Samaria, curou pessoas que sofriam de paralisia (Atos 8:5-7). Lemos em Atos 6:8 que ao diácono Estevão também foi dado o poder para realizar milagres e maravilhas entre o povo, embora não sejamos informados sobre o que exatamente era isto. O apóstolo Paulo em muitas ocasiões diferentes curou enfermos e expulsos demônios (por exemplo, Atos 14:8-10; 19:11,12).
Como com o dom de falar em línguas, assim também com este dom de cura, os Pentecostais argumentam que se as Escrituras não declaram explicitamente que este dom desapareceu, certamente não podemos erroneamente declarar que sim. Este dom [segundo eles] Cristo ainda dá aos homens de hoje. Nem todo mundo recebe este dom, contudo, somente aqueles que são capazes de se exercitarem poderosamente na fé.
De fato, juntamente com este dom, o carismático tem desenvolvido a idéia completa do poder da oração, uma idéia que tem assolado a igreja pelo mundo inteiro. Eles reivindicam que somente se um crente, que recebeu o poder especial da fé e da oração pelo Espírito Santo, orar o suficiente de forma fervorosa, poderá curar outra pessoa. Ou se isto não acontecer, então, os crentes podem se unir em grupos de oração ou em correntes de oração e invadir o trono de Deus com suas orações que, como resultado, serão capazes de curar o doente! A fé que cura e a oração eficaz fervorosa andam de mãos dados no movimento carismático.

C. O Dom de Revelação.
Finalmente, há também o dom de revelação. Este dom particular do Espírito Santo é baseado na profecia de Joel que Pedro citou em seu sermão no Pentecoste em Atos 2:17,18:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão;
Aqui, também, é um dom do Espírito, e é enfatizado pelos Pentecostais, que existiu na igreja terrena. Embora os exemplos deste dom não sejam tão freqüentes como os dos outros, eles existem. Por exemplo, em Atos 21:8,9 lemos das quatro filhas de Filipe que profetizaram concernente a captura de Paulo pelos Judeus. Da mesma forma, é afirmado que a igreja em Corinto (1 Coríntios 12-14) esteve profundamente envolvida no profetizar. Destas passagens e de poucas outras, podemos assumir [segundo os Pentecostais] que o dom de profecia ainda continua na igreja hoje. Em nenhum lugar a Bíblia nos informa que este dom não está mais presente na igreja.
Nem é este dom para ser considerado equivalente à pregação, na mente dos Pentecostais. Este costume de algumas igrejas não deixa lugar para a obra espontânea do Espírito . Há aqueles na igreja, contudo, que por uma expressão espontânea do Espírito falam palavras que são extra-escriturísticas. Eles podem ainda hoje prever eventos futuros por meio do Espírito. O Espírito controla o coração e a língua de uma pessoa que está se exercitando no Espírito e a guia para falar coisas que ele não pode controlar, assim como faziam os profetas na antiga dispensação.

D. Como estes dons são adquiridos.
Estes são os carismas , os dons do Espírito. E é sobre o adquirir de tais dons que o serviço de adoração nas igrejas Pentecostais focam a sua maior atenção. Frederick Dale Brunner em seu livro Uma Teologia do Espírito Santo , escreve (págs. 132,133):
As reuniões das igrejas Pentecostais têm sido descritas como centradas no banco da igreja, e a descrição é apropriada. Em contraste com o Protestantismo centrado no púlpito e com o Catolicismo centrado no altar, o Pentecostalismo encontra seu centro na crença da comunidade. Os Pentecostais estão interessados, como alguém colocou, que “nunca alcancemos o ponto no qual nossas congregações sejam compostas de meros espectadores, e não de adoradores participativos”. Para evitar este desvio, os Pentecostais tentam oferecer a cada crente uma oportunidade de ativa e pessoalmente participar na vida da igreja. O foco supremo para esta participação é a reunião da igreja. Aqui os dons encontram a sua mais adequada e proeminente esfera de operação.
Há uma certa excitação no serviço de adoração Pentecostal. Todos na igreja são conduzidos a sentir uma certa expectativa ou prontidão para receber um ou mais destes dons.
Todos os tipos de meios são usados para incitar este alto nível de emoção: música que comove a alma, um alto-falante poderoso, testemunhos, gritos de aleluias e améns, e até mesmo risos. Então, começa a acontecer. As almas são emocionadas e o Espírito é dito entrar na adoração da igreja. As pessoas prorrompem em línguas, outros sobem o púlpito e reivindicam estar interpretando as línguas, enquanto ainda outros trazem uma palavra que Deus lhes disse pessoalmente. Alguns cantam um cântico ou se levantam e dançam. Alguns podem cair no chão e tremerem incontrolavelmente. Geralmente é reservado um período especial para que se dêem oportunidades a homens para que curem os enfermos.
Esta é, então, a experiência Pentecostal. Estes são os carismas – os dons do Espírito.

II. Uma Análise Bíblica dos Dons do Espírito.

A. Em geral
É importante que analisemos os argumentos dos Pentecostais sobre a base da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é o padrão objetivo de acordo com o qual todo ensino deve ser provado para se ver se é verdadeiro. Isto significa que não devemos meramente ler de uma forma superficial algumas passagens da Bíblia que parecem dizer algo que elas não dizem. Antes, significa que devemos examinar a Palavra de Deus para ver o que o Espírito verdadeiramente diz a igreja.
Este panfleto não tenciona analisar todos os aspetos dos ensinos dos Pentecostais sobre os dons do Espírito. Seria preciso, sem dúvida, um livro. O que constitui para os Pentecostais ser o falar em línguas apropriado pode ser criticado; o que está atrás das assim chamadas curas “sobrenaturais” pode ser exposto; o uso impróprio da oração pode ser refutado; o abuso e mau uso do serviço de adoração pode facilmente ser criticado. Mas o objetivo deste panfleto é especificamente analisar de uma forma positiva a posição bíblica sobre os dons do Espírito.
Há duas críticas sobre o acentuado exagero do movimento carismático sobre o adquirir dons do Espírito.
Em primeiro lugar, a ênfase que este movimento coloca sobre os dons do Espírito, rouba o povo de Deus da necessidade de conhecimento das Escrituras. Isto não quer dizer que o movimento Pentecostal não cita ou usa muitas passagens diferentes da Escritura. Seus escritos são cheios delas. Nem quer dizer que não há tempo de forma alguma (embora seja pequeno) gasto com a pregação na adoração das igrejas Pentecostais. Mas a ênfase descomunal que é colocada na adoração e vida sobre o adquirir dos dons do Espírito desencoraja qualquer estudo cuidadoso da Palavra de Deus. No prefácio ao estudo doutrinal de James Slay, a confissão é feita:
A Igreja de Deus conhece o que ela crê e prega, e publica o que crê, mas até agora a Igreja não sistematizou isto numa obra definitiva. Que tal obra não tenha sido completada não representa uma falta de interesse na teologia. Antes, isto provavelmente vem de nossa dependência história sobre a absoluta Palavra como nosso guia doutrinal.
Isto é totalmente uma confissão de uma denominação Pentecostal que existia há setenta e cinco anos no tempo da escrita daquele livro! Não há ênfase sobre o conhecimento objetivo das Escrituras. As Escrituras do Velho Testamento são virtualmente ignoradas. O Novo Testamento é usado, principalmente, como um meio para preparar os membros da igreja para receber os dons do Espírito ou o gozo do re-batismo. Que isto é verdade é manifesto na quase total falta de prova bíblica para a alegação deles de que os carismas ainda existem hoje! É também evidente a partir da total indiferença para a verdadeira obra do Espírito ensinada nas Escrituras. Verdadeiramente o que o profeta Amós falou em Amós 8:11 caracteriza este movimento: é uma fome de ouvir a Palavra de Deus!
Uma segunda crítica que pode ser levantada contra este movimento, falando de uma forma geral, é que ele é mais antropocêntrico do que Teocêntrico ou até mesmo Cristocêntrico; ou seja, é mais centrado no homem do que em Deus ou Cristo. A adoração dos Pentecostais não está centrada na pregação da Palavra. Novamente, não é que lá a pregação seja ocasional. Mas há uma pequena ênfase colocada sobre o ouvir a voz de Deus através de uma cuidadosa exposição e explanação de Sua Palavra por alguém que foi chamado e preparado para assim fazer. A adoração dos Pentecostais está, antes, ocupada em se tentar provar aos outros que alguém tem o dom do Espírito nele. A atenção é chamada ao homem que tem a capacidade de falar “de improviso”, por assim dizer, na frente do povo. É atraída ao cantor com a mais bela voz ou aquele que é experiente em fazer sons que possam parecer que ele está falando numa língua desconhecida. Isto gera desapontamento e desespero nas almas infelizes que estão tentando encontrar o Espírito. Eles começam a se sentir como se fossem Cristãos de segunda categoria!
Há outras críticas que também podem ser feitas sobre a ênfase acentuada que o movimento carismático coloca sobre o adquirir dos dons do Espírito, mas desejamos analisar agora de forma positiva a posição bíblica sobre estes dons.

B. Especificamente.
James Slay identifica corretamente o ponto de desacordo entre os Pentecostais e aqueles que negam suas reivindicações. Ele escreve (pág. 92):
Desta experiência (falar em línguas) ter sido somente para o período Apostólico, deve haver alguma razão lógica por não ter sido estendida até o descanso da igreja. Os apóstolos, que tinham, todos, conhecido ao Senhor, necessitavam deste dom especial para sustentar a sua fé?Necessitavam os contemporâneos de Jesus deste sinal extraordinário para convencê-los, a despeito do fato deles também terem visto e ouvido nosso Senhor?
Estas são questões retóricas que Slay pretende responder com um “não”. Nossa resposta a estas questões, contudo, é “sim”! Tanto os apóstolos como a igreja de Cristo naquele tempo necessitaram deste sinal extraordinário para convencê-los da obra do Espírito Santo na igreja! Isto descansa no fato de que o falar em línguas é um sinal! Um sinal! Aqui está um termo que pouquíssimos dão atenção nesta discussão inteira.
Um sinal, na própria natureza do caso, é algo que desaparece quando a realidade chega. Quando vemos um sinal adiante na estrada, avisando que um restaurante está chegando numa certa saída, então, este sinal nos aponta à realidade que está chegando. Quando passamos por esta saída, contudo, não há mais sinal. Por que? Porque quando a realidade chega, então, não há mais necessidade para o sinal. Esta é a natureza de um sinal. Ele desaparece quando é substituído pela realidade.
Bem, tanto o falar em línguas como a fé que cura são sinais. Não foi o que Jesus disse sobre eles em Marcos 16, que “ sinais ” seguiriam ao que cressem?

1. Línguas
Isto é verdade, em primeiro lugar, sobre o dom de falar em línguas. Paulo escreve em 1 Coríntios 14:22, “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis”. A questão é, do que o falar em línguas é um sinal? Certamente, ele não apontou simplesmente o derramamento do Espírito Santo. Senão, este terceiro sinal do Pentecoste teria cessado no Pentecoste com os outros dois, ou os outros dois ainda estariam prevalecentes na igreja hoje também. O significado do sinal do falar em línguas é encontrado especificamente nisto: ele era um sinal de que o Espírito foi derramado sobre todas as nações, povos e línguas da terra ! Este sinal de falar em idiomas estrangeiros tinha a intenção de provar conclusivamente a cada um que Deus agora reuniria Sua igreja de todos os povos e famílias da terra. A salvação em Cristo através do Espírito não mais seria limitada aos Judeus, mas seria dada aos povos de toda língua, raça e nação debaixo do céu. Disto, o falar em línguas foi um sinal.
Os apóstolos que conheciam a Cristo, e outros que tinham visto e conhecido nosso Senhor, necessitavam deste sinal extraordinário para convencê-los de que a salvação não mais seria dos Judeus somente! Por que os discípulos de Jesus falaram em línguas diferentes do dia de Pentecoste? Para que os Judeus de todo o mundo, Judeus de várias nações do mundo, pudessem ser trazidos a fé e ao arrependimento pela obra do Espírito.
Por que os samaritanos em Atos 8 falaram em línguas depois de Pedro e João imporem suas mãos sobre eles? Para provar, aos judeus céticos que tinham por séculos impregnado neles que a salvação era somente dos Judeus, que os samaritanos agora também compartilhavam, com os judeus convertidos, das bênçãos de Cristo que o Espírito derrama sobre Sua igreja. Os samaritanos eram odiados pelos Judeus como estranhos ao pacto. Agora, Deus provou que os samaritanos seriam uma parte da igreja e do pacto. Como? Quem poderia negar a existência do Espírito em seus corações, se eles falavam em línguas como no dia de Pentecoste?
O mesmo foi verdade quando Pedro foi enviado a Cornélio e sua casa e pregando a eles, foram salvos por meio daquela pregação. Quem poderia crer que os gentios poderiam ser uma parte da igreja, que poderiam ser os objetos da obra do Espírito em seus corações? Mas quando o Espírito operou neles, então, eles também falaram em línguas, o sinal da presença do Espírito. E quando os judeus em Jerusalém contenderam com Pedro sobre isto, Pedro simplesmente disse, em Atos 11:17: “Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?” A estas palavras os Judeus, então, responderam no verso 18: “E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida”.
Este sinal, sem dúvida, acompanhou a pregação de Paulo em outros lugares também. Acompanhou evidentemente em Éfeso, onde os doze efésios que foram batizados primeiramente no batismo de João o Batista foram agora claramente demonstrados que também foram incorporados por esse batismo no corpo de Cristo. Como foi que a igreja de Éfeso, assim também como Paulo, se asseguraram disto? Estes homens falaram em línguas. Obviamente, este mesmo sinal foi usado na igreja em Corinto. Ele é deveras evidente em 1 Coríntios 12-14. Quando Paulo escreveu a esta igreja, contudo, foi para admoestá-los do seu abuso deste dom. “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis”. As línguas eram um sinal para provar, àqueles que não criam, que o Espírito poderia ser derramado sobre os gentios, não àqueles que já criam nisto. O tema de Paulo em 1 Coríntios 14:22 é, então, este: por que vocês, que crêem que o Espírito está no meio de vós, continuam usando um sinal que tem o propósito de provar isto àqueles que não crêem neste fato?
No capítulo 12 de 1 Coríntios, Paulo coloca este dom no final de sua lista, em importância. No capítulo 14 Paulo coloca limitações estritas sobre o uso deste dom – a mulher não pode usá-lo no serviço de adoração, nem pode alguém usá-lo, a menos que outro possa interpretar o que é dito. No capítulo 13 Paulo declara literalmente (isto não se constata nas traduções inglesas do grego) no verso 8: “se houver línguas, elas cessaram por si mesmas”. Por que? Qual é a razão lógica de seu fim? Eles foram senão um sinal de que Deus agora reuniria Sua igreja de todas as nações do mundo. Uma vez que este fato, esta realidade, foi estabelecido, não há mais necessidade para o sinal. Ele desapareceu lentamente. A igreja agora conhece que o Espírito opera nos corações de todos os crentes de todas as nações, famílias e reinos deste mundo. Este é o porque não há mais línguas hoje. Isto é o porque elas foram necessárias somente no período apostólico.

2. Curas.
E as curas? Jesus nos disse, em Marcos 16, que elas também seriam um sinal. Do que elas foram um sinal? Bem, elas claramente não significam a mesma coisa como o sinal do falar em línguas. O dom de cura não foi um sinal usado no Pentecoste para provar que o Espírito foi derramado. Paulo, contudo, nos revela que elas eram um sinal. Note: 2 Coríntios 12:12, “Verdadeiramente”, Paulo escreve aos coríntios, “os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas”. Em Atos 4:29,30 o apóstolo Pedro pede a Deus para confirmar os apóstolos por meio do sinal de curas: “Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus”. Aqui, foi um sinal que indicou aos outros a autoridade e o poder apostólico. Paulo usou isto para provar àqueles em Corinto que vocalmente questionavam seu apostolado, dizendo que ele não era um apóstolo.
Foi aos doze discípulos, e um pouco mais tarde a setenta homens que O seguiam, que Jesus durante o Seu ministério terreno deu autoridade para expulsar espíritos e curar as pessoas de suas enfermidades. Após o Pentecoste não lemos mais daqueles setenta homens. Lemos somente dos apóstolos realizando a obra de curar outros. Há somente outros dois homens que não foram apóstolos, Estevão e Filipe, a quem foi dada a autoridade para curar. Não lemos de ninguém mais recebendo este poder para curar. Isto foi dado estritamente àqueles homens que foram apontados por Deus para a obra de estabelecimento da igreja do Novo Testamento; foi dado somente aos apóstolos e então, a outros dois que foram instrumentos no estabelecimento da igreja. Quando estes homens morreram, esta autoridade e poder especial para curar morreram juntamente com eles. E isto porque eram um sinal! Não há mais necessidade de provar a autoridade destes homens e de seu ofício especial na igreja, visto que eles agora se foram. A igreja está estabelecida. Os ministros do evangelho foram ordenados para continuar a obra do ministério. A autoridade apostólica não é mais necessária. O sinal não é mais necessário.

3. Revelação.
E sobre o dom da revelação? Não é difícil provar a falácia envolvida na reivindicação de homens ainda possuírem este dom hoje. Alguns meses atrás recebi em meu e-mail os escritos de um homem que reivindicava que Deus lhe falava por revelação direta. Ele estava então sendo afligido por Deus, assim ele explicou, para compartilhar esta tão importante revelação com outros. Assim, ele me enviou a primeira parte com a explicação de que a segunda chegaria em breve. Eu não podia ajudá-lo, mas dei risadas quando li algo do que ele tinha escrita. Gramaticalmente seus escritos eram horríveis! De uma forma muito estranha, ele também tentou escrever num inglês antigo, como se isto concedesse um ar de autoridade ao que ele escreveu. Evidentemente, Deus lhe falou num inglês antigo. Além de tudo isto, o que ele escreveu era sem sentido, algumas delas dificilmente inteligíveis. Eu lhe escrevi de volta e lhe disse que não me interessava na segunda parte do seu escrito.
Alguns anos atrás um pastor de uma rádio Pentecostal declarou à sua audiência que Deus havia lhe aparecido. Ele disse que Deus lhe declarou que se seus seguidores não dessem alguma quantia exorbitante de dinheiro (a quantia me escapa), Deus estaria tirando sua vida. O homem foi capaz em pouco tempo depois de levantar aquele dinheiro e até mais! Vocês vêem para onde a tolice de uma revelação contínua nos leva?
Revelação não era um sinal da obra do Espírito na igreja primitiva. Revelação, contudo, era realmente dada a um homem pelo Espírito. O Espírito usou a revelação para estabelecer o registro objetivo da Palavra de Deus. Uma vez que este cânon da Palavra de Deus foi estabelecido, a revelação cessou. Não há mais necessidade dela hoje. Temos contido nas Escrituras, de acordo com o seu próprio testemunho (2 Timóteo 3:15-17; 2 Pedro 1:19-21), o infalível padrão de toda verdade. Temos nela tudo o que é necessário conhecer para a salvação. Não necessitamos de nenhuma revelação adicional de homens.
Nós vivemos nos últimos dias. João nos diz que nestes últimos dias haveria falsos profetas reivindicando que o que eles dizem é a verdade. João nos informa em 1 João 4, nos primeiros versos, que devemos provar estes espíritos! Como fazemos isto? Julgando o que eles dizem com o que a objetiva Palavra de Deus diz.

III. Uma Admoestação Concernente aos Dons
Há duas precauções para as quais devemos atentar quando consideramos o erro do Pentecostalismo. Primeiro, não é suficiente saber o que não é a obra do Espírito. Neste panfleto expusemos somente o erro com respeito à obra do Espírito. Como crentes somos também obrigados a conhecer qual é a obra verdadeira do Espírito. Tome tempo para estudar isto. O Espírito é o Espírito de Cristo que nos revela a obra de Cristo por nós sobre a cruz. É o Espírito que opera em nossos corações, quieta e poderosamente, as bênçãos da salvação que Cristo mereceu por nós em Sua morte e ressurreição. Estude estas bênçãos!
Uma outra advertência: que nossa adoração e nossas vidas neste mundo sejam teocêntricas, centradas em Deus. Talvez muitos não abraçaram os extremos deste movimento, mas muitos têm aderido aos raciocínios que estão por destras deste movimento. O aspecto da adoração está mudando, a idéia da oração foi alterada, a necessidade de doutrina é desprezada. O sentimento substitui a verdade objetiva! Devemos tomar cuidado para que estas tendências não entrem sorrateiramente naquelas igrejas das quais somos membros! Que possamos permanecer na Palavra de Deus. Que o nome de Deus possa ser glorificado. Possa Ele ser o princípio e o fim de nossas vidas e da nossa adoração. A Deus, que enviou o Seu Filho para morrer pelos pecadores, seja a glória.
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Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 09 de Abril de 2004.
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sábado, 12 de março de 2011

452 anos do Primeiro Culto Evangélico no Brasil

Num país de secular hegemonia católica em que os livros didáticos de história apresentavam até pouco tempo atrás como data a ser memorizada pelos alunos a Primeira Missa no Brasil (quem se lembra?); num país em que os jornais noticiam que ele agora detém a posição de maior país católico e pentecostal do mundo; num país em que se realizou uma Conferência do Episcopado latino-americano na cidade de Aparecida do Norte/SP com a presença do papa cuja temática foi como pano de fundo o cenário da redução gradativa de fiéis por parte de Igreja Católica; num país com esta cultura religiosa nunca é demais lembrar uma data que passa desapercebida do calendário religioso brasileiro – 452 anos do primeiro culto evangélico( ou protestante como se queira) no Brasil.

Por ocasião da efêmera colonização francesa na baía da Guanabara(1555-1560), Nicolas Durand de Villegaignon mobilizou um grupo de calvinistas franceses conhecidos como huguenotes para contribuirem no estabelecimento da França Antártica. A situação dos huguenotes não estava nada favorável na França. No final de 1555 Villegaignon chegou com 400 homens a Ilha Serigipe (hoje Villegaignon) na Baía da Guanabara. Em março de 1557 a colonia foi reforçada por mais 280 pessoas. Entre elas estavam 12 calvinistas de Genebra que traziam credenciais do próprio Calvino. Pierre Richier e Guillaume Chartier, pastores ordenados, celebraram o primeiro culto protestante em terras brasileiras, talvez, nas Américas, no dia 10 de março de 1557. O pregador baseou-se no Salmo 27.4: “Ao Senhor Eterno peço somente uma coisa: que Ele me deixe viver na sua casa todos os dias da minha vida, para sentir a sua bondade e pedir a sua orientação.”


O desfecho da primeira presença protestante mais articulada foi trágica. Villegaignon muda a sua atitude em relação aos calvinistas. Polemiza em torno de questões teológicas e, diante do clima desfavorável, os protestantes decidem voltar à França. Uma parte do grupo por razões náuticas retorna. Cinco são presos e intimados por Villegaignon a se posicionar em relação a pontos teológicos controvertidos. O documento redigido ficou conhecido como “Confessio Fluminense” (primeira confissão de fé evangélica brasileira no dia 8 de fevereiro de 1558). No dia seguinte foram executados três signatários – Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre Bourdon. Eles ficaram conhecidos como os três primeiros mártires evangélicos do Brasil. Um dos signatários, André Lafon, foi poupado por ser o único alfaiate da colonia e o quinto, Jacques le Balleur conseguiu fugir para São Vicente/SP, mas foi preso e depois enforcado.

O relator desta história foi o sapateiro Jean de Léry. Ele conseguiu voltar para a França, tornou-se pastor e escreveu o livro “História de uma Viagem à Terra do Brasil” (1578).


Torna-se importante trazer à memória dos protestantes, evangélicos e católicos contemporâneos este evento histórico. A afirmação da fé ocorre em meio aos conflitos e às contrariedades da existência humana. O testemunho evangélico acontece em meio à disputa de forças políticas e econômicas. Será que ainda faz sentido uma disputa por hegemonia religiosa nos dias de hoje? Os sensatos dirão que ela é anacrônica, mas a realidade mostra que entre os belos discursos e as boas intenções escondem-se interesses inconfessados. Ou será uma profunda inocência e ingenuidade achar que as religiões não estão no mercado?

Rolf Schünemann

http://reformaeavivamento.blogspot.com/ Acesso em 11/03/2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vocês não são frutas! Mulheres é que são!

Vocês não são frutas! Mulheres é que são!


No Dia Internacional da Mulher, quero falar daquelas que me são mais próximas, e a partir delas, homenagear a vocês, mulheres, pelo seu dia.

Em minha caminhada, muitas são as mulheres que ainda estão por perto. Minhas avós Dulce e Mercedes, Diva, a querida mãe, Daniela e Débora, as irmãs, Victória, Gabi e Danizinha, as três sobrinhas e, é claro, Isabela, a minha princesa, minha linda filha!

Além dessas, muitas e queridas amigas às quais devo grande parte de meu aprendizado cotidiano e observação perene. Passaria todo este texto enumerando-as...

Uma coisa em comum a todas estas admiráveis mulheres: são SIMPLESMENTE MULHERES!

Não abriram mão, em momento algum, da leveza e da sublimidade feminina em busca de uma “identidade” que lhes ofenda. Não se deixaram levar por aquilo que o mercado impõe ser a “mulher ideal”.

Não são melhores que nós homens, mas não se enganem: nós homens também não somos melhores que elas. Somos apenas diferentes! Que bom! Elas nos completam. Nos inspiram por sua beleza, por sua poesia natural, por seus olhos e olhares, qualidades que emanam do universo feminino sem que façam força para isso...

Nos arrancam de uma solidão, que nem Deus preenche. Sim! Por mais que o homem se encontrasse com Deus todos os dias, ainda assim o Criador, em sua imensa sensibilidade e seu amor infindável, “viu que o homem estava só”. Àqueles que arrogam não precisarem do colo feminino, saibam, nem Deus pensa como vocês...

Mas o principal dessas mulheres, e de tantas outras, é que não se transformaram em “frutas da estação”. Não reduziram sua beleza às nádegas e peitos siliconados para deixarem os homens “babando”. Não destruíram suas belezas em corpos “sarados”, mas desprovidos de conteúdo. Não são frutas, são mulheres! E como são belas!

Não se venderam como “um pedaço de carne na vitrine de um açougue”. Não foram seduzidas pelas lentes das “revistas do momento”. Não se deixaram embriagar pelos 15 minutos de fama, em detrimento de sua dignidade.

Abro parênteses. Acho engraçado quando as “Mulheres-frutas” vêm a público dizerem-se não valorizadas. Como assim??? É claro que são valorizadas... mas seus valores são os cifrões das capas de revista, os carros importados que ganham de seus “namorados”, em sua grande maioria jogadores de futebol, pagodeiros, e “artistas” emergentes. E se não têm namorados... é só fazer um programa de televisão para arrumar um... Triste fim dessas “valorosas” mulheres. Já receberam seus prêmios, e não valem mais que seus cachês... As “poesias” que inspiram não vão além de “tchutchucas”, “cachorras” e “preparadas”.

Como frutas, não se dão conta que são apenas produtos, na imensa prateleira dos supermercados machistas, que comem e jogam fora o caroço... isso quando a fruta não apodrece nos locais de exposição. Fecho parênteses.

Nesse dia tão especial para vocês mulheres, lembrem-se sempre: “Vocês não são frutas! Mulheres é que são!”

Portanto, encham a vida de poesia e beleza, com essa feminilidade que encanta e que nos deixa boquiabertos, com seu gingar que nos embala, com a inteligência e sabedoria que só vocês têm, capaz de seduzir e deixar “arriado” o mais insensível dos homens.

Celebrem a vida e o “ser mulher”.

Nós homens, eternamente rendidos e inebriados, também teremos sempre o que agradecer...


(Apesar de escrito em 2010 é ainda o que penso sobre vocês, queridas mulheres que tornam minha vida muito mais encantada)

José Barbosa Junior – 08 de março de 2010

http://www.crerepensar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=182&Itemid=26 Acesso em 10/03/2011

sábado, 5 de março de 2011

Entrevista com o Dr. Douglas Kelly: A Santificação e os Puritanos


1. Dr. Douglas Kelly, por que os Puritanos foram chamados de os Teólogos da santificação?
“Nós poderíamos dizer que os Puritanos, na verdade, restabeleceram a doutrina da justificação pela fé somente, defendida pelos reformadores. Mas podemos dizer, que eles foram um pouco mais além quando trataram desta doutrina. Eles desenvolveram a doutrina de que a justificação deve produzir na pessoa uma total santificação na vida cristã prática. Eles desenvolveram a doutrina da santificação porque entendiam que esta santificação faz parte de todo o ser na vida social. Para eles, a conversão é uma renovação total, tanto da pessoa, como da sociedade”.

2. Se eles pregavam tanto a doutrina da predestinação por que se preocupavam com a santificação?
“Os Puritanos desejavam pregar todo conselho de Deus, todas as partes da Bíblia, não omitiam nenhum assunto. Certamente criam na predestinação porque criam que Deus é soberano. Mas, se cuidadosamente lermos e estudarmos os trabalhos que eles produziram, veremos que eles não superestimaram a questão da soberania de Deus. É um erro pensar que eles, nos seus escritos, superestimaram a predestinação. Posso dizer que a visão do puritano estava cheia da grandeza e do poder de Deus. Da mesma forma, tinham uma visão grandiosa do amor de Deus. Nesta visão do amor de Deus viam a glória do próprio Deus. A verdadeira maneira de expressar nossa gratidão pelo amor de Deus em nossa eleição é oferecer-lhE totalmente nossas vidas. Eles falavam muito da santificação como um elemento para nos capacitar a agradecer a Deus”.

3. Os Puritanos achavam que poderiam ser completamente santos aqui no mundo?
“Se você ler John Owen (o grande teólogo puritano), especialmente no volume 6 de suas obras, na parte que fala do pecado habitando no incrédulo, ou as obras de Richard Sibbes, no seu tratado, “A Cana Abrasada”, ou ainda nas obras de Richard Baxter, no seu livro “Pastor Aprovado”, você verá o equilíbrio com que tratam esta questão da santificação na vida do crente. Eles criam que nós somos feitos santos em Cristo. Mas, apesar disso, o crente deve lutar para buscar a santificação e a mortificação do pecado que vive nele. Dessa forma podemos ver que eles não criam que possamos alcançar uma perfeição aqui na terra. Eles ensinavam que nós podemos contar com a pessoa do Espírito Santo nessa luta. Criam que o Espírito Santo pode transformar nossas vidas, mesmo que não seja de um modo perfeito, mas substancialmente. O ensino deles está perfeitamente de acordo com o que escreve Paulo em Romanos 6, 7 e 8. Com Paulo eles estão em muito boa companhia.”

4. O quanto a santificação é um esforço meu e o quanto é uma obra de Deus?
“Acredito que este é mais um dos mistérios, como a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. O que é básico e fundamental é que o eleito é unido na morte de Cristo e com a Sua ressurreição para vida. Então, toda a capacidade para sermos santos, vem do Espírito Santo que nos aplica os recursos da cruz. Mas isso não significa que a personalidade humana fica inativa e não faz nada. Eu penso que eles se firmavam no que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses 2.2-13: “...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”. Em resumo, o que eles criam era: o que Deus faz em mim me capacita a fazer o que eu preciso fazer. A união com Cristo não tira o que o homem tem de fazer, mas torna-o frutífero. Isto pode parecer um mistério filosófico, mas posso dizer que esta é a verdadeira obra que Deus opera na vida”.

5. Eu posso me converter e deixar a santificação para depois, como algo que é opcional na vida cristã? O que pensavam os Puritanos a este respeito?
“ Os Puritanos não criam que você seja convertido sem que tenha havido uma santificação. Isto é o resultado da seriedade como eles viam a doutrina bíblica da regeneração. Eles não criam de forma alguma que ir a Cristo é uma mera decisão humana sem o concurso da graça de Deus. Eles criam que ninguém pode vir a Cristo sem que o Espírito Santo tenha tocado no seu coração e operado uma regeneração. Uma das coisas essenciais que o Espírito Santo opera no coração do eleito é o desejo de santidade. O que os Puritanos diziam é exatamente o que Paulo diz em Romanos 6, capítulo um em diante. Então, o Espírito Santo nos traz unidos com a morte e ressurreição de Cristo. Isso significa que recebemos um novo desejo de sermos santos. Esta é a razão de todo verdadeiro crente ter o real desejo de ser santo, mesmo quando ele falha. Pensar que um crente possa ser um verdadeiro crente e não desejar santidade é simplesmente negligenciar e desmerecer o ensino da Palavra de Deus. Os Puritanos nunca pensariam que esta pessoa fosse de fato convertida”.

6. Em que áreas da vida os Puritanos são um exemplo de santidade para nós e como conseguiram ser tão santos?
“Me parece que os Puritanos tiveram uma visão real, completa, da santidade na vida. Eles não tinham uma visão dicotômica daquilo que é sagrado e daquilo que é mundano. Por isso tantos historiadores os odeiam. Os Puritanos recusaram aceitar a interferência do governo na educação, por exemplo. Eles pensavam que a vida pessoal, o governo, os negócios, tudo deveria estar debaixo do que ordena a Palavra de Deus. Exatamente por pensar de forma tão séria a respeito disso, é que surgiu a guerra civil na Inglaterra. Isto foi decisivo: a questão da mentalidade secular. Contudo, é importante que nós preservemos o equilíbrio. Os Puritanos nunca quiseram, na verdade, uma revolução política. Isto não era exatamente a preocupação deles. Seu objetivo principal era glorificar a Deus pessoalmente, na família e na Igreja. Isso era porque estavam tão preocupados em ter um culto puro. Por isso receberam o nome de Puritanos. Eu não conheço nenhum outro grupo, como os Puritanos, que buscassem com tanta seriedade e profundidade o serem santos conforme o Senhor nos manda na Sua Palavra. Muitos têm ouvido pregadores e expositores da Palavra de Deus por muitos anos, mas estes Puritanos que pregavam assim, expositivamente, viram a transformação acontecer na Inglaterra. O famoso historiador Richard Green, no século passado, disse que a família puritana elevou o conceito de piedade e de comunhão no lar. Todo pensamento de liberdade e justiça do mundo moderno vem da luta dos Puritanos. Por causa da piedade pessoal puritana, eles tinham a consciência de que Deus tinha de ser glorificado em todas as áreas da vida. Isto sempre causou um conflito com o poder reinante no mundo. Isto é a razão do porque os Puritanos, até hoje, têm um nome enlameado. Mas, na minha opinião, eles foram crentes consistentes de fato, e nós temos de imitar o exemplo deles. Podemos não fazer as coisas exatamente como eles fizeram, mas a idéia de Deus ser glorificado em todas as áreas da nossa vida certamente deve ser também o nosso alvo”.

7. Posso ter a esperança de ter esse mesmo espírito puritano nas Igrejas brasileiras?
Isso depende da pregação fiel da Palavra de Deus e o Espírito Santo ungindo-a. Talvez pudesse responder melhor citando um moto antigo da cidade de Glasgow, depois da Reforma: “Glasgow florescerá pela pregação da Palavra e pelo louvor do Senhor”.De fato podemos dizer que isto aconteceu. Da mesma forma, o Brasil há de florescer também quando a Palavra de Deus for pregada e Deus louvado em Espírito e em verdade. A Palavra de Deus em Hebreus diz que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e será para sempre. Certamente Ele pode fazer no Brasil o que Ele fez nos tempos passados na Escócia. Isto pode dar a você grande esperança. Amém!

Entrevista com Dr. Douglas Kelly, por ocasião do Congresso Nacional de Evangelização e Missões da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Brasília. Dr. Kelly é professor de Teologia Sistemática no Reformed Teological Seminary, Charlotte, U.S.A. e estudioso dos Puritanos.


Fonte: Projeto Os Puritanos

Extraído do blog: http://blogdoseleitos.blogspot.com/2011/02/entrevista-com-o-dr-douglas-kelly.html#ixzz1EA47lrLY Acesso em 16/02/2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Deus Ainda Revela Sua Palavra Hoje em Dia?

Dos dias de Adão e Eva até o tempo dos apóstolos, Deus revelava seu plano passo a passo. À medida que Deus revelou cada parte, ele confirmou a mensagem com sinais e milagres. Em Jeremias 31, próximo ao fim da revelação dada no Velho Testamento, Deus prometeu fazer uma nova aliança com seu povo, assim predizendo que ele mandaria a mensagem do Novo Testamento. Esta nova aliança começou a ser anunciada por Jesus. Ele disse que não deu toda a mensagem por ele mesmo, mas que o Espírito Santo revelaria o restante do evangelho através dos apóstolos (João 16:12-13). Esta promessa foi, de fato, cumprida, e o evangelho foi completamente revelado e confirmado no primeiro século (Hebreus 2:3-4).


Mas, e agora? O Novo Testamento já foi dado para nós por completo? Deus ainda está revelando seu plano? Devemos nós esperarmos por uma revelação mais ampla no futuro?
Numerosos grupos afirmam que Deus tem revelado mais mensagens através deles. Os mórmons, por exemplo, ensinam que Joseph Smith recebeu uma tradução inspirada de uma mensagem especial de Deus no século XIX. Esta mensagem foi escrita no Livro do Mórmon e em outros livros e ensinamentos da igreja Mórmon. Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Deus revelou mais de sua mensagem através de Ellen G. White nos Estados Unidos há 150 anos atrás. As Testemunhas de Jeová ensinam que a Sociedade Torre de Vigia é o servo de Deus através do qual o Senhor revela suas mensagens para hoje. A igreja Católica ensina que os pronunciamentos do papa são a revelação de Deus e que a igreja continua a desenvolver e definir as doutrinas do evangelho. Muitas igrejas Pentecostais recebem semanalmente, até mesmo todas as noites, mensagens dos profetas e profetisas, que afirmam ser a revelação da vontade de Deus para as vidas de determinadas pessoas. As pessoas que freqüentam centros espíritas dizem que recebem mensagens especiais de Deus através dos espíritos dos mortos.
A Bíblia nega todas estas afirmações. De acordo com o ensinamento das Escrituras, o Novo Testamento é a última revelação de Deus para o homem e não há mais revelações. Vejamos algumas afirmações das Escrituras.

A Revelação Está Completa

Jesus prometeu que o Espírito Santo guiaria os apóstolos a toda a verdade (João 16:13). Os apóstolos disseram que eles não deixaram de anunciar nada (Atos 20:27) e que Deus tinha dado todas as coisas que pertencem à vida e ao serviço espiritual (2 Pedro 1:3). Os primeiros cristãos conheciam todas as coisas (1 João 2:20,27). Paulo, em Colossenses 2, argumentou vigorosamente que havia perfeição em Cristo no primeiro século. Ele ensinou que Cristo contém todos os tesouros da sabedoria e conhecimento, toda a plenitude da divindade, a verdadeira circuncisão, etc. Se a perfeição já estava disponível em Cristo no primeiro século, como pode ainda existir mais alguma mensagem para Deus nos revelar? Se a Torre de Vigia, Allan Kardec, ou Ellen G. White podem nos dar uma revelação posterior, então aqueles a quem Paulo escreveu em Colossos não foram realmente completos em Cristo.
As Escrituras que já foram reveladas no primeiro século foram suficientes para completar a alegria do cristão, mantê-lo longe do pecado, dar a ele o conhecimento da possessão da vida eterna, dar a ele a sabedoria para a salvação, ensiná-lo, repreendê-lo, corrigi-lo e instruí-lo na justiça (1 João 1:4; 2:1; 5:13; 1 Timóteo 3:15; 2 Timóteo 3:16). Através das Escrituras reveladas no primeiro século, o homem de Deus podia ser adequado e preparado para toda a boa obra (2 Timóteo 3:17). O que mais poderia nos prover uma outra revelação hoje em dia?

A Nova Aliança é Final

Hebreus 7:11-14 mostra que há uma inseparável ligação entre a aliança e o sacerdócio. Hebreus 7:15-28 mostra que o sacerdócio de Jesus é infindável, indestrutível, permanente e final. Portanto, a aliança tem que ser permanente, imutável e final. Hebreus 13:20 refere-se especificamente à eterna aliança. O sacrifício de Jesus foi um sacrifício feito uma vez para sempre (Hebreus 9:26) e a fé foi dada uma vez para sempre aos santos (Judas 3). Se houvesse uma contínua revelação da fé, teria que haver uma contínua oferta de Jesus, também. Mas na verdade, Jesus foi oferecido uma só vez; e o evangelho foi revelado uma só vez, também. Não existirá mais sacrifício; não haverão mais mensagens de Deus.
Esta não era a situação no passado. Antes que Cristo viesse, Deus se revelou muitas vezes em muitas maneiras, mas então ele deu sua última revelação através do seu Filho (Hebreus 1:1-2). Pela própria natureza de Jesus, deve ficar claro que não poderia haver acréscimos nem modificações à perfeita mensagem que ele revelou através de seus apóstolos no primeiro século. Aceitar qualquer acréscimo, seja o Livro do Mórmon, seja o mais recente pronunciamento de alguém que alega ser profeta, é negar a perfeição de Cristo e a mensagem que ele entregou.

A Profecia Terminou

As profecias (revelações da vontade de Deus) não foram planejadas para durarem para sempre. Note, com atenção, em 1 Coríntios 13:8-13. Paulo fala sobre três épocas neste texto. Primeiro, há o tempo em que a profecia era em parte, quando Deus estava revelando sua palavra pedaço por pedaço (versículo 9). Segundo, viria um tempo em que as profecias cessariam, entretanto a fé e a esperança continuariam (versículos 10 e 13). Então, finalmente, quando Cristo retornar, a fé e a esperança também cessarão (Romanos 8:24-25; 2 Coríntios 5:7) e somente o amor irá permanecer. O tempo no qual não haveriam mais profecias é agora, a época na qual temos o perfeito Novo Testamento. Deus nunca pretendeu que a revelação continuasse através dos séculos, mas sim, até que a mensagem do evangelho pelos apóstolos fosse dada por completo.

Os Cristãos Devem Segurar
Firme o Evangelho Já Revelado

"Assim, pois, irmõos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" (2 Tessalonicenses 2:15). "Para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos" (2 Pedro 3:2). "Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo" (Judas 17). Estas passagens são muito importantes. Elas indicam que o servo de Deus deve olhar para atrás e ver a mensagem revelada pelos apóstolos e guardá-la, e não ficar à espera de mensagens vindouras. As Escrituras nos encorajam para permanecermos na revelação original e não procurar desenvolvê-la com uma outra revelação do Senhor.

A Pregação das Outras Coisas é Condenada

Sempre existiu e existe um considerável perigo de pessoas serem enganadas por impostores. Há uma constante necessidade de testar o professor comparando sua mensagem com a palavra já revelada e confirmada (Atos 17:11; 1 João 4:1). Deus adverte a respeito de confiar em pessoas que afirmam ter recebido um sonho (Jeremias 23:25-32), e também de acreditar em pessoas que pregam a mensagem errada, mesmo quando elas predizem um acontecimento, e este se torna realidade (Deuteronômio 13:1-5). Qualquer outra pregação, seja por Paulo, ou até mesmo por um anjo do céu, está condenada (Gálatas 1:6-9; 1 Timóteo 1:3-4).

Conclusão

Não há mais revelação hoje. Devemos nos opor a qualquer mensagem que revela algo a mais ou alguma coisa diferente do que Deus falou no Novo Testamento. Assim, todas as religiões baseadas em alguma outra revelação são automaticamente rejeitadas. O verdadeiro seguidor do Senhor se lembrará e guardará o que ele tem aprendido do Evangelho. Cuidado com as mensagens posteriores!

- por Gary Fisher

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Porque Abandonei o "Poder" das Igrejas Pentecostais


por
Felipe Sabino de Araújo Neto

Definitivamente abandonei o “poder” pentecostal porque todos os pentecostais são ensinados a buscar, clamar e reivindicar um “poder” que de maneira alguma é o poder de Deus. Ao contrário, é um “poder” vazio e sem resultados. Um “poder” que mexe somente com as emoções daqueles que são mais sensíveis e fracos, sem mexer com o mais fundamental: as suas vidas. Por toda a Escritura e durante toda a história cristã dos verdadeiros reavivamentos (como o dos tempos de Jonathan Edwards, George Whitefield, John Wesley, Spurgeon, etc) sempre o resultado desses derramamentos de poder (genuíno) foi o arrependimento dos pecados e uma volta à Palavra de Deus. Curiosamente a geração que hoje reivindica passar por avivamento é uma geração apóstata, uma das gerações mais ignorantes acerca das Escrituras que já existiu; uma geração de “crentes” legalistas, facciosos, trambiqueiros, fariseus e sem uma vida piedosa. Como o Dr. Russell Shedd disse: “Somos 25 milhões de evangélicos no Brasil. Onde está o poder dessa multidão?” A resposta é clara: o Brasil ainda não passou por um verdadeiro avivamento, mas tem passado por diversos movimentos de emocionalismo e falsificações. Rejeito o “poder” pentecostal porque ele carece de provas de genuinidade, não passando pelo crivo da experiência (pois não gera transformações), muito menos no das Escrituras. Em que os crentes pentecostais são melhores do que os ditos tradicionais? São as suas vidas mais piedosas? São mais consagrados? Pelo contrário, se fôssemos fazer comparações (e este não é o nosso objetivo), teríamos razões para crer no exato oposto, porque o maior índice de casos de adultérios e roubos são encontrados nas igrejas pentecostais e neo-pentecostais.
O mais interessante é que, visto que os sinais característicos de um verdadeiro avivamento estão ausentes das igrejas pentecostais, elas têm inventado substitutos para estes. Ao invés de arrependimento, vemos “línguas” (realmente estranhas!) por todos os lados. Ao invés de vida piedosa, vemos pessoas caindo no chão por um “poder” ainda mais estranho. Ao invés de uma volta à Palavra, vemos uma busca desenfreada por “novas revelações” e profecias mentirosas. Ao invés de amor, vemos divisão e facção (geralmente estas igrejas se consideram a mais santa de todas, ou melhor, a única!). Os contrastes alarmantes poderiam ser multiplicados ad infinitum.
O mais interessante é quando pessoas que dizem crer nas doutrinas da graças, ou seja, na salvação exclusivamente pela graça, começam a crer e propagar esse “poder”. Pessoas que dizem crer numa salvação pela graça, mas num reavivamento pelas obras. Pessoas que seguem o ensino de Calvino e seus seguidores na sotereologia, mas o de Pelágio, Finney e companhia no reavivamento. Ora, se tais manifestações ocorrem somente nestes recintos, eles são merecedores delas? Se nas igrejas reformadas (que sem dúvida são as mais fiéis no ensino da Palavra de Deus) não se manifesta tal “poder”, porque deveria ele se manifestar naquelas que mais e mais se distanciam da verdade? A resposta só poder ser: ou esse “poder” é meramente emocional ou ele é diabólico. Todas as bênçãos espirituais foram adquiridas por Cristo para TODOS que fazem parte do Seu povo. Paulo diz que Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo” (Efésios 1:3). Dizer que alguns crentes não desfrutam das bênçãos que Cristo adquiriu ou que não desfrutam do “melhor da graça”, é simplesmente dizer que eles não são crentes!
E por último, e não menos importante, deixei o “poder” pentecostal porque ele é um “poder” dissociado da Palavra. Um “poder” que se manifesta justamente naquelas igrejas que não são totalmente fiéis às Escrituras e onde a pregação da Palavra está longe de ter um lugar proeminente. O poder que eu quero é o poder que nos transforma, que nos santifica e ajuda a viver mais perto de Deus. Não quero ter meus sentimentos estimulados, mas sim a minha vida transformada dia a dia pelo poder da Palavra de Deus, aplicada pelo Espírito Santo. E o poder santificador reside justamente na Palavra de Deus e não nas artimanhas dos homens. Jesus orou: “santifica-os na verdade” (João 17:17). É a verdade que nos santifica e não os gritos, berros e “corridas” na igreja. Foi para isso que fomos chamados, para viver inteira e exclusivamente para Deus. Como bem expressa o Catecismo de Westminster: “o dever do homem é amar a Deus e glorificá-lo para sempre”. E não é emocionalismo que gerará isso, mas sim a pregação simples e pura da Palavra de Deus, na dependência do Espírito Santo.
Cuiabá-MT, 17 de Maio de 2004.

Felipe Sabino de Araújo Neto
Ex-membro da Assembléia de Deus (por motivos óbvios).

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