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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A LEI


O Que é a Lei?
Quando se fala da "Lei" é bom especificar a qual refere pois pela Bíblia, existe várias leis e significados da palavra "lei". A lei pode ser a ordem de eventos estabelecida (lei da luz, som e da relação entre os elementos químicos). Neste caso as leis podem ser interpretadas simplesmente como fatos. A lei pode ser também a força que causa a ordem de eventos (lei da gravidade, de calor, da eletricidade, do pecado, etc.). A lei pode referir-se também àquela que obriga a consciência à moralidade. Por existir uma norma há obrigação de conformidade à ela (à lei moral que não é escrita ou à qualquer lei que é escrita enquanto tem uma operação legítima) - Hodge, V.III, p. 259.
Qualquer que seja a lei, a existência de uma lei implica a existência de alguém que deu a lei; ou seja, uma inteligência que age voluntariamente para realizar um propósito. A perfeição das leis naturais que existem (tanto a ordem quanto a força que impulsiona a ordem e aquela que obriga a consciência à moralidade) revela a natureza perfeita desta inteligência (Rom 7:12; I Ped 1;15,16). Pelo fato de um que pode promulgar uma lei é entendida a autoridade tanto para requerer a obediência ou para castigar qualquer desobediência.
As Leis na Bíblia
Nas Escrituras, o uso da palavra !lei? revela uma manifestação da vontade de Deus (Salmos 40:8). Em hebraico !lei? quer dizer instrução (traduzida !ensinamento? em Provérbios 1:8 e em grego a palavra !lei? significa costume ou aquele que rege a conduta do homem (Hodge, Vol III, p.265).
• A Bíblia - regimento moral que é escrito - Salmo 1:2; 19:7-10; 119. "Não seria esta a lei da natureza, que foi escrita no coração inocente de Adão, que agora é prejudicado pelo pecado, e tem se tornado imperfeito e insuficiente para alegrar o homem ou guiá-lo para felicidade verdadeira; nem pela lei de Moisés que é uma lei que condena, e opera ira, acusa o pecado, fazendo o culpado, amaldiçoado e condenado à morte; e portando, não pode alegrar o pecador iluminado, a não ser que este seja nas mãos de Cristo, e cumprida por ele, a Quem a lei aponta; e sendo que está escrito no coração do homem regenerado, quem, sendo regenerado, se alegra pelo homem interior, e a serve com o seu espírito: mas, são as Escrituras, todas que foram escritas na época de Davi; particularmente os cinco livros de Moisés, que tem o nome da Lei e O Testamento do Senhor; as quais, sendo inspiradas, eram proveitosas e boas para serem lidas, e ouvir as suas explicações; e como eram o gozo de Davi e os homens do seu concilio (Sal 119:24); também as são o gozo de todo homem bom, tendo muito nelas que referem a Messias, sua graça e reino (Lucas 24:44; Atos 26:22,23). Também, a palavra "lei" no hebraico significa !doutrina?, e pode significar a doutrina evangélica, como significa em Salmos 19:7; qual é um Salmo que fala acerca da doutrina dos apóstolos que foram pelo mundo e neste sentido é usada em Isaías 2:3; 42:4; da doutrina do Messias, que é O Evangelho; e é igual com a lei ou a "lei da fé" (Rom 3:27). Pode ser chamada a doutrina do Senhor por Ele ser o seu autor; veio por Ele, Ele revelou-a; e por Ele ser o objetivo dela; concerne Ele, Sua pessoa, oficio, graça e justiça; e aquela parte que foi publicada no tempo de Davi, foi um som maravilhoso, boas noticias e boas novas, e a prazer de todo homem bom" (Gill, Online Bible, Comentário sobre Salmo 1:2). Pelo seu efeito na vida do homem a Bíblia é chamada a "lei da liberdade" (Tiago 1:25).
• Lei da beneficência - regimento moral - Provérbios 31:26
• Lei da fé - regimento moral que se baseia no que é escrito - Rom 3:27. Essa lei é "a doutrina da justificação do pecador pela fé na justiça de Cristo." (Gill). Efés 2:8,9.
• Lei da justiça - regimento moral - Rom 9:31
• Lei de Cristo - regimento moral - Gal 6:2. Essa lei é: "a lei de amar uns aos outros (João 13:34,35) qual é oposto à lei de Moisés, da qual os Gálatas judaizares gostaram tanto, e pela qual os discípulos de Cristo podem se distinguir dos que são de Moisés, ou de outros. ... é o Seu novo mandamento, que Ele capacitou e autorizou pelo Seu próprio exemplo na morte pelo seu povo, e qual, pelo Seu Espírito, escreve nos seus corações" (Gill). A Lei de Cristo é o mesmo regimento moral da "Lei de Deus". O que motiva uma mudança de nome é que quando a Lei de Deus é manejado por Cristo e chamada a "Lei de Cristo" é porque a Lei de Deus não é mais em relação do Criador à criatura mas de Salvador ao salvo (Pink).
• Lei de Deus - regimento moral - Os anjos pecaram antes do homem. O pecado é "iniquidade" (I João 3:4;5:17) e iniquidade é definida pelo grego como sendo 1) a condição de ser sem lei por ser ignorante dela ou por violar ela 2) repúdio ou violação da lei, impiedade (Strong?s, # 458 anomia). A Bíblia traduz essa palavra grega sempre como iniquidade (Mat. 7:23; 13:41; 23:28; 24:12; Rom 4:7; II Cor 6:14; II Tess 2:3, 7; Tito 2:14; Heb 1:9; 8:12; 10:17; I João 3:4) ou maldade (Rom 6:19, Concordância Fiel). A palavra em I João 5:17 traduzida "iniquidade" vem de uma palavra grega (Strongs, #93 adikia) que significa injustiça, 1) de um juiz 2) de coração ou vida 3) ou de ação que viola a lei e justiça. O fato que os anjos pecaram revela que existia uma lei para eles. Pela natureza da punição entendemos que era uma lei moral e espiritual (Judas 6, "reservou em escuridão e em prisões eternas"). Essa lei é santa e segundo a verdade. Essas qualidades são atributos de Deus. É essa lei que está escrito no coração dos gentios (Rom 2:1-16) os quais eram sem a lei de Moisés. Essa lei é um regimento moral (Rom 7:22,25; 8:7; Neemias 10:28), foi incorporada pela Lei de Moisés (Neemias 10:29) e ainda continua depois que Cristo cumpriu a Lei de Moisés (Rom 7:6,22,25). A "Lei de Deus" pode referir-se também à Palavra de Deus (Josué 24:26).
• Lei de Moisés - regimento escrito - Não é a Lei que originou com Moisés mas foi dada através dele (Neemias 8:14; João 1:17; 7:19). Essa lei de Moisés engloba o Pentateuco (os primeiros cinco livros da Bíblia) e é chamada a Lei do Senhor ou de Deus por ser Deus o autor (Isa 5:24; Neemias 8:8,18; II Reis 10:31; II Crôn 12:1; Luc 23:24,29). Tem o nome de "Lei da verdade" (Mal 2:6), "Lei dos pais" (Atos 22:3), "Lei dos mandamentos" (Efés 2:15) e "Lei do mandamento" (Heb 7:11) para revelar seu atributo, sua natureza e a quem foi dada. Em Romanos 9:31 essa lei de Moisés é chamada a "lei da justiça" porque: "o conteúdo dela é justiça, e também a sua natureza; e porque obediência perfeita à ela é justiça" (Gill). Veja também a seção !O Decálogo e a Lei?.
• Lei do Espírito - regimento moral - Rom 8:2. " é chamada "lei" por que é uma doutrina, tem ordem e como uma corrente, tem elos de verdades, como a palavra hebraica significa e as vezes é usada para referir-se ao Evangelho (Isa 2:3; 42:4; Rom 3:27). Pode ser chamada a lei ou doutrina "do Espírito" porque o Espírito é o autor do Evangelho, e é Quem O capacita e faz que Ele seja eficaz para o bem nas almas. Pela doutrina, O Evangelho, o Espírito de Deus é transmitido ao coração; e a substancia da doutrina são coisas espirituais: é chamada "a lei do Espírito da vida" porque essa lei descobre o caminho da vida e salvação por Cristo; é o meio da vivificação dos pecadores mortos; e opera fé neles, pela qual vivem em Cristo" (Gill).
• Lei do Governo Civil - regimento escrito - Daniel 6:8; Rom 13:1-7; Ezra 7:26; Ester 4:11. Lei dos judeus, Atos 25:8
• Lei do meu entendimento - regimento moral - Rom 7:23. O John Gill diz dessa lei: "querendo entender que a "lei do meu entendimento" é, ou a lei de Deus escrito na sua mente na conversão, aquele que era gozo para ele, e a serviu com o seu entendimento, que foi renovado com o Espírito de Deus; ou a nova natureza nele, o princípio de graça que foi operado no seu entendimento, e chamada "a lei" por que era o princípio que governa ..."
• Lei do pecado - regimento imoral - Rom 7:23, 25; 8:2
• Lei dos Pais - regimento moral - Provérbios 3:1; 4:2; 6:20,23; 7:2: Lei da mãe - Prov 1:8; 6:20.
O Decálogo e A Lei de Moisés
Na Bíblia, ao referir à lei de Moisés, não se acha a distinção de lei "moral", "cerimonia" ou "civil" mas somente: "lei", "lei do Senhor"e "lei de Moisés". Nisso podemos entender que aquele chamada popularmente "O Decálogo" é só parte da lei e não "a lei" em si. Há muitos que querem distinguir o decálogo como a mais importante parte da lei, a parte moral, e as outras partes, as cerimonias ou civis, inferiores. Essa distinção popular não é uma distinção bíblica. O decálogo, os dez mandamentos, não são a única moral na lei, mas, faz parte do que foi dada a Moisés no monte, escrito pelo dedo de Deus, é parte de que é dado pela inspiração e escrito pela mão de Moisés (Canright).
É claro que a lei tem as partes morais, cerimônias e civis. Essas partes, em si, não são distinguidas como sendo maior ou menor da "lei" mas contrariamente, a própria lei. A parte cerimonial (sacrifícios) é chamada "lei" (Lucas 2:27). A parte moral é chamada "lei" (I Timóteo 1:9). A parte civil é chamada "lei" (Atos 23:3).
A Bíblia se refere à lei como sendo os cinco livros do Pentateuco. As palavras "A Lei" na Bíblia geralmente se referem a Lei Mosaica, ou ao Pentateuco" (Dicionário Smith, citado por Canright). Pode entender isso comparando o resto da Bíblia com o Pentateuco. Entenderá que a Bíblia distingue o Pentateuco como sendo a lei. Gênesis é a lei (I Coríntios 14:34; Gênesis 3:16); Êxodo é a lei (Romanos 7:7; Êxodo 20:17); Levítico é a lei (Mateus 22:39; Levítico 19:18); Números é a lei (Mateus 12:5; Números 28:9) e Deuteronômio é a lei (Mateus 22:36, 37; Deuteronômio 6:5).
As Limitações da Lei
Existe limitações importantes na lei. Esse assunto é uma importante consideração para os que querem depender da lei para a sua justificação eterna ou mesmo para os que usem a lei como modelo de vida. O que diz a Bíblia sobre a lei? Ela nos mostra que ela é limitada, por isso aponta a Cristo Quem é perfeito e o único que pode nos aperfeiçoar.
A Lei não pode:
• nos justificar, mas Cristo pode - Atos 13:38,39; Gal 2:16
• nos livrar do pecado e da morte , mas Cristo pode - Rom 8:2,3. A falha não está na lei mas na carne.
• nos livrar da condenação, mas Cristo pode - Rom 8:1-4
• nos livrar da maldição, mas Cristo pode - Gal 3:10-14
• nos remir, mas Cristo pode - Rom 3:24-31; Gal 3:13,14
• nos dar herança, mas fé em Cristo pode - Rom 4:13,14
• nos aperfeiçoar, mas Cristo pode - Heb 7:19, 25; 10:1-10
• controlar o pecado no homem, mas Cristo pode - Rom 7:7-25; 8:2
• capacitar o homem à obediência, mas Cristo pode - Heb 7:18; Fil. 4:13
Não devemos achar, pelas limitações citadas, que a lei não é boa ou que não teve utilidade nenhuma. Ela é útil mostrar a necessidade do homem ser santo para chegar às bênçãos de Deus e por isso foi chamada a "lei da justiça" (Rom 9:31). Pela lei sabemos que somos pecadores (Rom 7:7) e que Deus é santo pois "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom." (Rom 7:12). Todavia ela rege sobre o homem que é carne (Rom 8:3), incapaz (Rom 8:7,8), morto em pecados e ofensas (Efés 2:1). Portanto a lei é limitada pela impiedade do pecado existente no homem. É essa limitação que revela a necessidade de um salvador. Assim é apontada a pessoa de Cristo (Gal 3:13). O pecador, pela fé em Cristo, tem a justificação que a lei não pode trazer devido a fraqueza da carne (Rom 8:3,4; Gal 3:21,22). Está em Cristo?
Natureza da Lei de Moisés
• A Israel, Nacional - Êx. 19:3, "Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel" (Rom 9:4,5)
• Secundária - A promessa veio em primeiro lugar; a lei veio depois. Cristo foi prometido como Salvador (Gên. 3:15) e a Abraão foi prometido ser uma grande nação (Gên. 12:1-3) antes que a lei foi dada. É estimado que a primeira promessa de Cristo veio uns dois mil anos antes de Abraão. Sabemos que de Abraão até a lei foram quatrocentos e trinta anos (Gên. 15:13; Êx. 12:40; Gal 3:17). A lei foi dada uns mil e quinhentos anos antes de Cristo (Bíblia Vida). A promessa de Cristo foi primeira e não foi invalidada pela lei de Moisés (Gal 3:16-18). Fé em Cristo é maior da lei (Gal 3:26-29).
• É Servidão - A lei de Moisés rege pelas obras e quem se submete à ela, é obrigado a viver por ela (Gal 3:12). Gálatas 4:21-26 descreve a diferença entre as obras da lei e a fé em Cristo. Uma é para servidão (a lei) e outra para liberdade (a promessa, Cristo). Pela assembléia em Jerusalém Paulo estabelece, quem está em Cristo é livre das obras da lei (Atos 15:1-10).
• Temporária - A lei tem as suas qualidades gloriosas (ver a seção "O Propósito da Lei de Moisés") mas, permanência não é uma delas (II Cor 3:11). Quando o propósito da lei fosse cumprido terminaria a sua existência (Gal 3:23-25). Por Cristo ser maior que a lei, ela foi abolida quando Cristo morreu (Lucas 23:45; Heb 6:19; 9:3; 10:20; Col 2:14-17; II Cor 3:16,17).
• Simbólica - A lei mostrava "as sombras das coisas futuras" (Col 2:17; Heb 10:1) que eram "celestiais" (Heb 8:4,5). O proveito do estudo da lei é pelo conteúdo dela mostrando as coisas futuras e celestiais (Cristo).
• Imperfeita - O que limitou a lei era a fraqueza do homem por causa do pecado (Rom 8:3,4). É neste entendimento que a lei é repreensível (Heb 8:7-13; Jer 31:33,34), imperfeita ou algo que se pode tornar velho. Se pode envelhecer ao ponto de precisar uma Nova Aliança, é imperfeita. A lei não pode fazer ninguém perfeita (Rom 3:20), mas, pela Nova Aliança (Cristo) vem a perfeição (Col 2:9-12). A imperfeição e a limitação da lei é entendida em que ela não pode tirar os pecados (Heb 10:4). O que é perfeito é Cristo (II Cor 5:21) e pela fé nEle vem a justificação (Gal 3:24; Rom 5:1,2; 8:1,2) e todas as bênçãos celestiais (Rom 4:13,14; 8:17; Efés 1:3).
• Terrena - A Lei cuidava do homem somente enquanto estava no mundo. Não dava esperança de receber galardões futuros (celestiais) ou de escapar a maldição eterna. Existia bênçãos enquanto obedecia ou maldição se desobedecia, mas, essas bênçãos ou maldições eram recebidas em vida na terra (Deut 28). Não trouxe vida ou morte eterna, mas, prometia condenação (II Cor 3:7-11). A lei não é da fé (Gal 3:12). A fé nos dá herança na salvação (Efés 2:8,9).
O Propósito da Lei de Moisés
• A Lei de Moisés mostra principalmente como Deus é santo (Rom 7:12 - Crisp). Ela reflete a santidade de Deus e que o homem que quer chegar a Deus deve ser obediente em tudo e limpo de toda imundícia. Nisso se entende a natureza santa de Quem deu a Lei de Moisés. Pela lei estipular um "Não" à qualquer coisa (Êx. 20:10, 13-17), a sua moralidade é vista. Os absolutos morais estão estabelecidos e conhecidos pela lei. Aquele que não responda favoravelmente a eles é condenado e aquele que responda favoravelmente é abençoado. Essa lei santa e moral de Deus é o que está escrito nos corações de todos os povos (Rom 2:14-16). Quando se considera o sofrimento que era necessário para Cristo padecer (Luc 9:22), as feridas reais que Cristo levou (João 19:1-30) e como Deus moeu o Seu Unigênito (Atos 2:23; 4:27,28) pode entender um pouco mais a santidade de Deus. Levou tal sacrifício para lavar o pecador ao ponto de chegar a Deus (João 14:6). A Lei, pela sombra dos bens futuros (o sacrifício de Cristo) revelava essa santidade de Deus (I Ped 1:16).
• Além de mostrar a santidade de Deus o propósito da Lei de Moisés era reger a nação de Israel civicamente (Deut 4:14; 5:1-3; Malaquias 4:4; Rom 9:4;). Até Sinai, Israel era misturada entre as outras nações e sujeitas às leis daquelas nações. Com o povo de Israel saindo do Egito, pela mão de Moisés, e caminhando para a sua terra prometida, Deus os preparou para ter as suas próprias leis civis como uma nação separada de todas as demais. Por isso a Lei de Moisés é nacional, secundaria, a servidão e terrena (Veja a seção: Natureza da Lei de Moisés). Ela era para governar Israel civicamente como uma nação teocrática (Êx. 20:2-7, "Eu sou o SENHOR teu Deus"). A lei moral e espiritual que existia antes de Moisés continuava pela Lei de Moisés e continua até hoje (Mar 12:28-34, "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração ... e ... Amarás o teu próximo como a ti mesmo").
• A Lei de Moisés foi dada para o homem entender a iniquidade do pecado e restringi-lo do pecado (Rom 5:13,20; 7:12,13). A Lei de Moisés não foi dada para o homem justo. O homem justo já obedecia a lei de Deus que é espiritual e moral, e, assim, cumpria tudo o que uma lei civil podia pedir. Coincidentemente, quem cumpria a lei espiritual e moral também cumpria os princípios do evangelho do Novo Testamento. A Lei de Moisés foi dada para o homem injusto (I Tim 1:9-11; Gal 3:19). Qanto mais a Lei de Moisés for aplicada mais o homem se vê transgressor (Rom 7:13).
• A Lei de Moisés aponta ao Salvador, Jesus Cristo. O homem, pela lei, se viu pecador maligno (Rom 7:13-17), e, como pecador, deve se ver fraco e uma pessoa condenada necessitando um salvador. O Salvador a qual a lei aponta é Cristo (Gal 3:24,25; João 1:29; Heb 10:1-10). Qanto mais a Lei de Moisés condenava, mais é vista a graça de Deus em Jesus (Rom 5:20).
Portanto, não há perigo nenhum pregar a Lei de Moisés em todas os seus propósitos. A santidade de Deus será entendida, o equilíbrio das leis cívicas serão aceitas, a impiedade do pecado será estabelecida e a graça de Deus será fortemente declarada. O que não precisa ser feita é usar a lei pelo propósito da qual ela não foi entendida (nos justificar).
O Uso da Lei nos Dias Atuais
A Lei tem proveito para hoje?
Aquele que Deus é influi naquilo que Ele faz e deseja. Ele não pode agir contra o Seu próprio desejo ou natureza (Heb 6:17,18). Por Deus ser perfeito e eterno, Ele tem um eterno propósitoou decreto (Rom 8:28; Efés 3:11, "eterno propósito"). Deus não tem vários planos temporários mas um plano que Ele revela em maneiras diferentes pelos séculos. Também por Deus ser santo(I Sam 2;2; Isa 6:3), Seu propósito eterno é perfeito e santo. Por isso Deus não precisa de um plano de reserva pois o propósito (usado no singular) é perfeito. Pela vontade santa e eterna, Deus faz todas as coisas (Efés 1:11). Do começo da eternidade até o fim da eternidade todas as coisas que venham a acontecer são pela vontade de Deus. A santidade de Deus e a Sua qualidade de ser eterno indica que Deus nunca mudará (Mal 3:6). Por isso o Apóstolo Paulo escreve aos Romanos que "tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito" (Rom 15:4). Se a vontade de Deus não muda, o Seu eterno propósito é santo e perfeito, e, se as Escrituras Sagradas foram produzidas para o nosso ensino; então há uso da Lei de Moisés ainda nos dias atuais. As cerimonias, estatutos, julgamentos e princípios da Lei de Moisés são proveitosas e boas, se usadas "legitimamente" (I Tim 1:8).
Pela Lei de Moisés somos ensinados que Deus é soberano (Deut 6:4; Êx. 20:1,2). Por Deus ser o soberano criador Ele tem direito de ser adorado singularmente por todos (Apoc 4:11; Sal 86:9). Por Deus ser santo Ele tem merecimento de ser adorado como o Soberano (Apoc 15:4). Por Deus ser soberano Ele tem a dignidade e poder para ser temido por todos (Sal 89:7; Luc 12:5). A Lei de Moisés mostra que Deus é soberano (Êx. 20:1-3) e por isso é proveitosa a lei ainda hoje.
A Lei de Moisés nos instrui que o soberano Deus deseja serglorificado acima de tudo (Êx. 20:2-7). Deus é glorificado pela obediência rígida da sua lei (Num 20:12; Lev 10:1-3; Ecl 12:13). Se olhássemos à Lei de Moisés para entendermos que Deus é zeloso (Êx. 20:5; 34:14; Deut 4:23-26) seremos sábios. Essa sabedoria é pela instrução da Lei de Moisés e assim revela que a lei é benéfica para hoje.
Pela Lei de Moisés devemos ser conscientizados que Deus ésanto. Se Deus é santo, a Sua lei é também (Neemias 9:13; Rom 7:12). Pela santidade da lei, Moisés anima o povo a obedecer a lei e amar Deus como Soberano (Deut 4:8). O Salmista nos diz que a "lei do SENHOR é perfeita" e por isso guardar a lei traz "grande recompensa" (Sal 19:7-11). A santidade de Deus é razão suficiente a procurar proveito na Lei de Moisés ainda hoje.
Pela Lei de Moisés percebemos que o homem é impiamente pecaminoso. O proposto da lei é revelar ao homem que ele é pecador por transgredir o desejo do Deus soberano e santo. Sem uma lei, não há transgressão (Rom 7:8, "sem a lei estava morto o pecado") mas com este !conjunto de normas? (o significado da palavra !lei? segundo o dicionário Aurélio) o pecado é entendido em toda a sua malignidade (Rom 7:9,13; I Cor 15:56; Tiago 2:9). O homem que usa a lei para se conhecer, será convencido que ele é um transgressor diante de Deus. Este que usa a Lei de Moisés como um espelho entenderá que o Deus soberano e santo é justo em derramar toda a Sua santa ira sobre homem transgressor (João 3;36). Se a Lei de Moisés mostra o homem como ele é verdadeiramente conhecido diante de Deus (Sal 14:3,4; 53:2,3; Rom 3:10-23) e se o homem ainda é pecador nos dias atuais, a Lei de Moisés é proveitosa agora.
Pela Lei de Moisés entendemos a justiça de Deus. O delito, mesmo que seja mínimo, tem que ser retificado pois aquele que "tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tiago 2:10). Mesmo que haja perdão com Deus, a lei é clara que "ao culpado não tem por inocente" (Êx. 34:7; Naum 1:3). A santidade e a perfeição de Deus pede a condenação do pecado e o poder de Deus garante a aplicação dessa condenação. Sem a Lei de Moisés revelando a justiça de Deus, a própria ira de Deus derramada em Cristo e a razão do Evangelho têm menos sentido. Se a justiça de Deus não seja percebida, o pecador terá uma compreensão menos clara da sua impiedade. A Lei de Moisés ensina que somente pelo sangue existe remissão (Heb 9:22). Sem a observação exata requerida pela lei a alma pecadora seria "extirpada do seu povo" (Lev 7:20,21; 18:29; 20:18; Num 15:30). Pela Lei de Moisés revelar a justiça de Deus claramente e pelo homem ser ainda pecador, o proveito da Lm é evidente para os dias de hoje.
Pela Lei de Moisés entendemos a eqüidade nas leis civis. É verdade que a Lei de Moisés serviu para a nação de Israel literalmente (Deut 6:4, "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR"). Mas nem por isso a lei não é proveitosa para outras nações. Quando as leis civis tomam a Lei de Moisés como exemplo, a justiça reinará abertamente. Mais perto uma nação esteja aos princípios da Lei de Moisés menos tolerante às tolices em todos os níveis da sociedade fica. Ainda é uma verdade que a nação cujo Deus é o SENHOR, é bem aventurada (Sal 33:12). A lei pede amor uns aos outros (Rom 13:8-10; Gal 5:14; Tiago 2:8), salário justo para quem trabalha (I Cor 9:7-10), posição de submissão das mulheres diante dos homens (I Cor 14:34) e o respeito que filhos devem ter para com os pais (Efés 6:1-3). O tratamento da Lei de Moisés diante do criminal, o pobre, o desamparado, o surdo e o cego, a higiene, o casamento, os empregados, o comercio, etc., faz sentido para qualquer povo. A tendência do homem é se afastar de Deus em vez de reter os Seus princípios santos e assim trazer para ele em particular, e à sua sociedade em geral, o fruto da carne (Gal 5:19-21). A eqüidade civil que a Lei de Moisés promove faz com que ela seja proveitosa nos dias de hoje.
Pela Lei de Moisés compreendemos que Deus é gracioso. As lavagens, consagrações, holocaustos, ofertas e os princípios da lei tudo apontam à santidade de Deus e como um homem pecaminoso pode se aproximar a este Deus santo. A Lei de Moisés, pelas sombras e simbologia dela, apontava os "bens futuros" (Heb 10:1) que é o Cristo Jesus. A lei providenciou a remissão dos pecados assim mostrando a graça de Deus em fazer salvação. Mas a remissão que agrada Deus é somente pelo sangue (Heb 9:22). Por a lei apontar a Jesus João Batista, quando viu a Jesus, que vinha para ele, disse, "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo" (João 1:29). As Escrituras apontam exclusivamente a Cristo como sendo o sacrifício verdadeiro que as sombras da lei apontavam (Heb 9:23-28; I Ped 13-23). Enquanto a lei mostra a abundância do pecado no homem, ela também revela a graça de Deus que superabunda por Jesus Cristo (Rom 5:18-21). Por causa da Lei de Moisés revelar claramente a graça de Deus em Cristo ela é proveitosa em qualquer tempo.
Já se julgou pecador culposo pela lei justa de Deus? Já clamou pela misericórdia de Deus? A Sua misericórdia é vista claramente no Seu filho Jesus Cristo. Pede perdão pelos seus pecados dependendo de Cristo como o sacrifício suficiente que Deus deu para todo pecador que se arrependa verdadeiramente. Não busque a sua própria justiça em qualquer outro plano, crença ou pessoa. Somente por Cristo temos a plena justiça de Deus (I Cor 3:11; II Cor 5:21).
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CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS SOBRE A LEI
A Vida Cristã e a Lei de Moisés
Há utilidade da Lei de Moisés para o crente que está esperando em Cristo para toda a sua justificação? A liberdade Cristã é libertinagem Cristã? Devemos ou não obediência à Lei de Moisés? Se passou a Lei de Moisés, existe uma lei para o crente nos dias atuais? Se não passou a Lei de Moisés devemos ainda respeitar a cerimonia que a lei pede?
Pela Palavra de Deus podemos afirmar que o crente não tem mais uma obrigação à Lei de Moisés. A Lei de Moisés era à nação de Israel e não ao gentil. A lei era simbólica e não o atual. A lei era temporária apontando ao eterno: Jesus Cristo. Cristo cumpriu a lei sendo aquele que a lei simbolizava e apontava (Gal 3:24,25). Pela fé em Cristo, e não pela lei, o crente tem a justiça de Deus (Rom 3:21-24; II Cor 5:21), paz com Deus (Rom 5:1,2), vida eterna (João 3:16; Rom 6:23; Efés 2:1), uma herança incorruptível (Rom 8:16,17; I Ped 1:3-9), bênçãos eternas (Efés 1:3) e capacidade de agradar a Deus nesta vida terrena (Fil. 4:13; Tito 2:12-14). A Lei de Moisés cumpriu o seu propósito.
Ao mesmo tempo que afirmamos que o crente não tem obrigação à Lei de Moisés, devemos entender que o Cristão tem uma lei sobre ele. O crente não está sem lei. Mesmo que Cristo é toda a justiça para o crente ainda há lei sobre o Cristão. A diferença está qual lei rege sobre o Cristão e não se tem ou não tem uma lei. O soberano Deus não muda (Malaquias 3:6; Tiago 1:17) e podemos saber que desde o princípio, mesmo antes do pecado, Deus estipulou a lei que regia (Gên. 1:26; 2:17). Depois que Cristo cumpriu a lei (Mat. 5:17; João 19:30), e nisso, desfez, a lei dos mandamentos (Efés 2:15), a "justiça da lei", que era incorporada na Lei de Moisés, agora rege no crente. O crente pratica essa "justiça da lei" (que é igual à "lei de Cristo" - I Cor 9:21) pelo Espírito que está nele (Rom 8:3-5). É o Espírito Santo que leva o crente à santidade e, por causa da presença dEle, o crente deve e pode deixar o pecado (Efés 4:17-32; Prov. 4:18; I João 2:1-7; 3:1-11).
Não há obrigação, ou servidão, nesta lei de Cristo. Todavia há uma boa lógica de bom senso que afirma que na presença da lei há uma racionalidade de amor que ensina o nosso dever espiritual (Rom 8:12-16;12:1-3;6:17,18; Col. 3:1-25). A importância desta "lei de Cristo" (I Cor 9:21) não é que ela é a nossa justificação diante de Deus, mas, que por ela, os Cristãos, andem em santificação diante dos homens para serem testemunhas para glória de Deus (Rom 6:22; 8:4; Mat. 5:13-16; Atos 1:8).
A LEI E A GRAÇA
João 1:17, "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo."
Por causa de João 1:17 um pensamento surge que sugestiona a lei e a graça são dois sistemas separados e contrários ou contraditórios de um e outro. Há confusão sobre se antes do tempo de Cristo ministrar na terra existia a graça de Deus. A força da dúvida pode até sugestionar a salvação no Velho Testamento era pelas obras da Lei de Moisés e no Novo Testamento a salvação é pela fé em Cristo.
A verdade é que com Deus "não há mudança nem sombra de variação" (Tiago 1:17; Mal 3:6; Heb 1:11,12; 13:8). Em qualquer época, a verdade eterna é: se existe salvação existe a graça de Deus. Sem a graça de Deus não há salvação (Efés 2:8,9). Disso podemos entender, se houve salvação no Velho Testamento, houve graça também.
A graça que veio por Cristo não foi para destruir a lei ou os profetas, mas para a cumprir (Mat. 5:17). Pela fé em Cristo Jesus a lei é estabelecida porque a lei simbolizava a graça e apontava a Ele (Rom 3:21-31). O fim, quer dizer o alvo, propósito, finalidade ou objetivo ("fim" no grego # 5056, Strong?s), da lei era Cristo (Rom 10:4) e não contraria a Ele. A lei sempre estava no coração de Cristo e Ele a amava pois a Lei revela o desejo de Deus (Sal 40:6-8; Heb 10:3-12). A Lei de Moisés e a graça por Cristo não são opostos, mas, duas partes de um mesmo sistema (citação de Dr. McNichol por Pink, p. 3). A lei apontou a Cristo, e, Cristo cumpriu a lei (Gal 3:21-26).
Na verdade, o Velho Testamento é cheio de graça e o Novo Testamento é cheio de lei. A lei simbolizava a graça pela cerimonia dos holocaustos e oblações e Cristo é a graça de Deus da qual a lei simbolizava (Heb 10:1-10). A graça veio, não em oposição à lei, para oferecer outro plano, mas para satisfazer os requisitos da lei e mostrar por Quem as suas obrigações estão cumpridas. Por isso João 1:17 estabelece que a verdade (o atual a qual a lei apontava) veio por Jesus Cristo (Gill). O crente em Jesus Cristo cumpre tudo que a lei apresenta quando vive pelo Espírito para a honra de Deus por Cristo (Rom 8:4; Gal 5:16-18; 6:14-16).
A LETRA DA LEI E O ESPÍRITO DA LEI
Romanos 7:6, "Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra."
II Cor 3:6, "O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica."
Como já tem sido estabelecido, Deus não muda (Tiago 1:17; Mal 3:6; Heb 1:11,12; 13:8). A intenção de Deus sempre é ser visto e amado como Deus. A primeira aliança, com Abraão (Gên. 17:7-9) tinha a finalidade de Deus ser posto por Deus entre o Teu povo. O SENHOR comunicou ao profeta Jeremias este mesmo desejo (Jer 9:23,24) assim revelando o intento de Deus ser amado e louvado como o único vivo e verdadeiro Deus (Deut 6:4,5; Mar 12:29,30; Isa 45:22-25). Quando Jesus ensinou os discípulos a orarem ensinou-os a amar e louvar o Senhor Deus (Mat.. 6:9-13). A própria vida de Jesus declara claramente como amar a Deus (João 5:30; 17:4).
Como temos estudado (veja as Limitações da Lei e O Propósito da Lei) a lei veio, entre outros aspectos, revelar ao homem o seu estado de pecador e que o pecado se fizesse excessivamente maligno, ou seja, a completa falta da glória de Deus (santidade) diante de um Deus Santo (Rom 7:7-13).
Se qualquer olhar à letra da lei (o que é escrito) como uma finalidade em si, quer dizer, crer que não existe uma intenção maior na lei além de ser obedecida exteriormente à risca, o espírito da lei (o que a lei intenta) será perdido e ficará desobediente à lei (Rom 2:25-29).
A Letra da Lei
A letra da lei (a cega obediência à todas as cerimonias) mata (II Cor 3:6) pois pelas obras da lei o pecado é conhecido e somos convencidos excessivamente malignos (Rom 7:6-13). Pela observação de tudo o que a lei diz (a letra) o pecado é conhecido (Rom 3:20) e entendemos a devida posição nossa sob a ira de Deus (Rom 4:15; João 3:36). A observação das obras da lei (a letra da lei) leva à maldição e nunca pode nos livrar dela (Gal 3:10,11).
O Espírito da Lei
O espírito da lei (a intenção da lei) é fé em Cristo (Gal 3:23-29) e pela fé Deus é glorificado com a adoração devida (João 4:23,24). O espírito da lei é a "justiça da lei" (Rom 2:26), a obediência da lei no coração (Rom 2:29) o qual Deus aprova. Pela fé em Cristo e pela nova criatura que vem por Ele (II Cor 5:17) os que entraram no espírito da lei são livres da letra da lei, pois, a letra já os matou e os conduziu a Cristo (Rom 8:2; Gal 2:20).
Os Crentes em Cristo
Os crentes, pela fé em Cristo, pelo Qual observam o espírito da lei, são determinados a circuncisão verdadeira (Fil. 3:3; Rom 2:25-29). Sirvam "em novidade de espírito" e não mais na "velhice da letra" (Rom 7:6; II Cor 3:6).
As cerimonias da lei (a letra) não estão mais em força sobre o crente, mas o intento da lei (o espírito) é, e, sempre será. Se os crentes não guardam as cerimonias exteriores da letra da lei (guardar o sábado, respeito da alimentação permitida e as outras milhares regras da lei) mas, de todo o coração amam Deus e seguem o espírito da lei que é a palavra e o exemplo de Cristo (dia do Senhor, submissão a Deus, ser santo) cumprirão o desejo eterno de Deus (João 4:24).
Os que andam em Cristo são da semente de Abraão quem, pela fé, ainda na incircuncisão, creu naquele que justifica o ímpio, Jesus Cristo (Rom 4:1-17). Como Abraão obedeceu o espírito da lei pela fé (para que seja da graça, v. 16) e foi justificado diante de Deus, hoje, os que crêem em Cristo pela fé (para que seja da graça, Efés 2:8,9) também são justificados diante de Deus.
Você está submissa à letra da lei (as obras) que mata e mostra a necessidade de ser salvo pela graça de Deus, ou, está já confiando no espírito da lei (a fé em Cristo para agradar a Deus) que vivifica (Rom 8:4-11)? A sua submissão a Deus de coração está vista pela sua testemunha pública de uma vida limpa pelo mundo afora? Eis o espírito da lei.
Conclusão
Pelo estudo da Lei de Moisés entendemos melhor o que significa a palavra !lei? e de quantos tipos existem na Bíblia. Estudamos as diferenças destas leis mencionadas na Bíblia para que o servo de Deus maneja melhor a Palavra de Deus. Até o decálogo foi comparado em relação a lei para compreender que ele, em si, não residia a totalidade da lei mas era parte da lei.
As limitações da Lei de Moisés são entendidas quando qualquer procura pela obediência rígida da lei a justiça de Deus. A justiça de Deus é somente pelo Cordeiro de Deus, o Jesus Cristo, o qual a lei aponta.
A natureza e o propósito da lei foram estudados para entender como a lei foi programada ser utilizada no tempo de Israel e quais razões que ela foi promulgada.
Mas nem pela lei ser programada e promulgada para a nação de Israel ela torna ser um ensinamento obsoleto. Por causa da vontade de Deus nunca ter mudada e pelo fato do homem ser sempre um pecador a Lei de Moisés tem muitas utilidades ainda nos dias atuais. A utilidade da Lei de Moisés é entendida quando se percebe as verdades eternas existentes nela. Ela declara fielmente a realidade da santidade e a justiça de Deus, a condenação de todos que tropeçam em um só ponto dela, e a salvação perfeita por Jesus Cristo. Ela também é útil nos dias atuais para reger as sociedades pelos princípios justos que ela contém.
Considerações especiais foram tratados na consideração da atitude do crente ao respeito da lei para que ele veja uma responsabilidade não às cerimonias da lei, mas, ao espírito da lei. Mesmo o crente não tendo uma obrigação à letra da Lei de Moisés ele tem responsabilidade ao espírito da lei. O espírito da lei é a lei de Cristo que o Espírito Santo rege no crente. Pelo estudo mais preciso da lei diferenciamos a letra da lei e o espírito da lei entendendo o fato de se o Judeu ou o gentil observa só a letra da lei a condenação eterna é declarada, mas, se Judeu ou o gentil observar o espírito da lei pela fé, há justiça.
Concluímos que nunca devemos racionar que mesmo que Moisés veio antes de Cristo que nunca existia graça na lei. A graça que a lei apontava realizou se perfeitamente em Cristo.
Que todo homem seja julgado por ela e que a graça de Deus por Jesus Cristo seja validamente vista pela Lei de Moisés. Se assim se faz, o propósito da Lei de Moisés será realidade e a vontade eterna de Deus feita.
Bibliografia
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BÍBLIA SAGRADA, Editora Vida, 1981
BÍBLIA SAGRADA, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, São Paulo, Brasil, 1994
CANRIGHT, D.M., Estudo "A Renuncia de Adventismo do Sétimo Dia" ("Seventh-day Adventism Renounced"), 1914, http://web2.airmail.net/billtod/ch17.txt
CLOUD, D. W, Enciclopédia da Bíblia e da Cristandade Caminho de Vida (Way of Life Encyclopedia of the Bible and Christianity, Ver 2.0, Oak Harbor, WA, http://wayoflife.org
CONCORDÂNCIA FIEL DO NOVO TESTAMENTO, Vol 1, Editor Fiel da Missão Evangélica Literária, S. J. dos Campos, São Paulo, 1994
CRISP, Ron, Estudos em Êxodo (Studies in Exodus), EUA, 1998
DICIONÁRIO AURÉLIO ELETRÓNICO, V. 2.0, um produto da Editora Nova Fronteira baseado no Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Junho, 1996
GILL, John, Comentário da Bible Inteira (Commentary of the Whole Bible), Online Bible
HODGE, Charles, Teologia Sistemática (Systematic Theology), Eerdmans Publishing, EUA, 1982
PINK, Arthur W., A Lei e o Santo (The Law and the Saint), Chapel Library (chapel@cheney.net), Pensacola, FL, EUA, s/d
STRONG, James, S.T.D., LL.D, Concordância Exaustiva da Bíblia (Exhaustive Concordance of the Bible, Abingdon, Nashville, EUA, 1981

Autor: Pastor Calvin Gardner
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br
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http://www.palavraprudente.com.br/estudos/calvin_d/miscelania/cap08.html Acesso em 25/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Grande Ruptura – John MacArthur


Martinho Lutero disse: "Se o nosso evangelho tivesse sido recebido em paz, ele não seria o verdadeiro evangelho". Se alguém já viu a verdade do Cristianismo causar divisões entre pessoas e instituições, essa pessoa foi Lutero. Ele pregou a verdade na Igreja Católica, mas essa verdade não trouxe paz; ao contrário, ela criou a maior ruptura na história da religião. Ela despedaçou o poder monolítico da hierarquia católica e deu início à Reforma Protestante, a qual resgatou o verdadeiro evangelho do sacramentalismo que o mantinha prisioneiro.

Na realidade, Mateus 10.34 é paradoxal porque deveríamos esperar que o Senhor trouxesse a paz. Afinal, João Batista era seu predecessor e ele falou sobre paz. Quando os anjos proclamaram o nascimento do Messias eles cantaram "Paz na terra". E, em João 14.27, Jesus afirma: "A minha paz vos dou".

Em pelo menos três lugares na carta aos Romanos, Paulo falou sobre a paz que Deus nos dá (5.1; 8.6; 14.17). E verdade que existe paz no coração daqueles que crêem, mas no que concerne ao mundo, não existe outra coisa senão divisão. Sim, ele trouxe a paz de Deus ao coração do crente, e, algum dia, haverá um reino de paz. O Antigo Testamento nem sempre fez uma distinção clara entre a primeira e a segunda vindas. A primeira trouxe uma espada; a segunda trará a paz perfeita

E verdade que a primeira vinda trouxe uma paz parcial, a paz que penetra o coração de todo que crê. Mas o Senhor advertiu os discípulos: "Lembrem-se disto quando saírem: Vocês causarão divisão. Causarão uma laceração e uma separação".

O evangelho faz isso. E o fogo refinador que consome. Ele produz a separação entre ovelhas e cabritos feita pelo pastor. Ele traz a pá do agricultor que joga os grãos para o ar e o joio é separado. A entrada de Cristo quebra e separa. Se Cristo nunca tivesse vindo, a terra teria continuado unida, condenada ao inferno. Mas quando ele veio, uma guerra estourou.

Em Lucas 12, vemos algo disso. No versículo 49, Jesus diz: "Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder". Versículo 51: "Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão". Ele veio para trazer uma espada, não paz, no sentido de que ele veio para colocar os membros de uma família uns contra os outros. Ele afirmava que aqueles que fossem verdadeiros discípulos estariam dispostos a criar uma divisão em seu próprio lar.

Isso vai contra todos os nossos instintos, porque desejamos paz no nosso lar mais do que qualquer outra coisa. E o nosso refugio, é o lugar onde vivem as pessoas que mais amamos e melhor conhecemos. Não queremos viver em desavença com eles. Mas quando nos comprometemos com Jesus Cristo, seremos leais a ele, mesmo que isso destrua nosso lar, a nossa vizinhança, nossa cidade, nossa nação. Se esse é o preço, pagaremos.

Jesus expressou a severidade dessa ruptura na frase de Mateus 10.35: "Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai". Algumas traduções dizem: "Pois vim colocar o homem em divergência com seu pai". A expressão grega "em divergência com", ou "contrário a" é rara, e usada apenas nessa passagem do Novo Testamento. Ela significa romper as relações. Jesus dizia: "Eu separarei totalmente o homem de seu pai e todos os outros parentes entre si. Destruirei as famílias de todas as maneiras possíveis".

Esse é o pior rompimento possível. Não é tão ruim quando estamos em desavença com vizinhos, com o patrão, com amigos ou com a sociedade, mas quando chega à família e o compromisso com Jesus Cristo significa uma rup¬tura com os parentes, é aí que as coisas realmente começam a se tornar difí¬ceis. Seu compromisso com Cristo vai contra o amor por eles e a necessidade que sentimos da presença deles.

Seu compromisso vai contra o desejo de viver em harmonia. Ser cristão e seguir a Jesus Cristo pode significar uma divisão dentro do lar. Mas essa é a marca do verdadeiro discípulo. Muitas vezes, unir-se a Cristo significa o afastamento de membros da família que nos rejeitam porque não rejeitamos o evangelho. Isso é especialmente verdadeiro em famílias judias, assim como nas famílias que professam outras religiões falsas.

Esse é um padrão difícil, e muitas pessoas sentem que é sacrifício demais. Algumas esposas não irão a Cristo porque temerão se separar do marido. Alguns maridos não aceitarão a Cristo porque temerão se separar da esposa. Os filhos podem não ir a Cristo por temerem seus pais ou mães, e vice-versa. As pessoas não assumem sua posição ao lado de Cristo porque desejam manter a harmonia familiar. Mas Jesus disse que o verdadeiro discípulo deixará sua família, se for necessário fazer tal escolha. Isso faz parte da auto-renúncia, aceitar alegremente o alto custo de servir a Jesus para receber suas infinitas bênçãos para os tempos de hoje e para a eternidade.

UM AMOR MAIOR

O amor familiar é forte; sem dúvida é o laço humano mais profundo e íntimo. Porém, ele não tem o poder que o amor por Cristo tem. Este é tão forte que algumas vezes rompe os laços familiares. Uma jovem senhora que conheço contou que se tornara crista vindo de uma família totalmente paga e, como resultado, seu pai, a quem ela amava muito, se recusava a falar com ela, quer pessoalmente quer por telefone; ele desligava o telefone quando ela ligava. Disse ela: "Sempre penso que ele deveria estar contente porque não sou uma alcoólatra, não sou viciada em drogas, não sou uma criminosa, não passei por nenhum acidente terrível que tivesse me deixado aleijada ou machucada. Nunca fui tão feliz em minha vida como sou agora que me tornei cristã e, por causa do meu amor por Cristo, ele não fala comigo". A razão é a espada.

A mesma espada caiu entre Caim e Abel. Abel era um homem justo, Caim era injusto, e a ruptura foi tão grande que Caim não conseguiu suportá-la — por isso matou o seu irmão.

Primeira Coríntios 7 mostra-nos como a espada interfere num casamento cristão. Se você tem uma mulher não-crente e ela concorda em permanecer com você, não se divorcie dela. Se você tem um marido não-crente e ele deseja permanecer com você, deixe-o ficar porque certa santificação ocorre. Ou seja, as bênçãos de Deus que caem sobre o crente atingem de modo temporal o parceiro não-crente. "Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz" (v. 15). Esse é o outro lado da situação. Uma vez que a espada caiu, então Deus nos tem chamado à paz, e se o descrente deseja apartar-se, devemos deixá-lo ir.

Tornar-se cristão significa estar cansado do próprio pecado, ansiando por perdão e pelo resgate do pecado atual e do inferno futuro, e afirmar nosso compromisso com o senhorio de Cristo até o ponto em que estamos prontos a abandonar tudo. Eu já disse isso antes e tornarei a dizer novamente: não se trata apenas de uma questão de levantar a mão, caminhar até a frente e dizer "Eu amo a Jesus". Isso não é fácil, não é algo que nos tornará mais popular nem é uma resposta às necessidades que o mundo diz que temos. Não é um mundo perfeito e cor-de-rosa no qual Jesus nos concede tudo o que desejamos. E difícil, exige sacrifício e põe tudo de lado.

A manifestação da verdadeira fé é um comprometimento que nenhuma influência consegue abalar. Sem dúvida você ama sua família, seus filhos, seus pais, seu esposo ou sua esposa. Mas se você é discípulo verdadeiro, o compromisso com a salvação encontrada unicamente em Cristo é tão profundo, tão intenso e tem um alcance tal que, se for necessário, dirá não àqueles a quem ama por causa de Cristo.

John Bunyan conheceu esse sofrimento de maneira muito especial. As autoridades disseram-lhe que parasse de pregar, mas ele respondeu: "Não posso parar de pregar porque Deus me chamou para isso". A resposta foi:"Se o senhor pregar, nós o colocaremos na prisão".

Então ele pensou consigo mesmo: "Se eu for para a prisão, quem cuidará da minha família? Ao mesmo tempo, como posso fechar a minha boca quando Deus me chamou para pregar?".

Bunyan foi suficientemente forte, corajoso e fiel para entregar sua família aos cuidados de Deus e permaneceu fiel e obediente ao chamado para pregar, e eles o colocaram na prisão. E foi na prisão que ele escreveu sua magnífica alegoria, O Peregrino, que tem abençoado tantos milhões de famílias ao longo dos séculos com seu ensino sobre o caminho da salvação. Sem ele, sua família sofreu, mas Deus cuidou dela. E mediante esse sofrimento, Deus realizou obras maravilhosas na vida de incontáveis pessoas.

Num apêndice à sua autobiografia Grace Aboundingto the ChiefofSinners, Bunyan escreveu:

A separação de minha esposa e de meus pobres filhos tem sido freqüentemente para mim neste lugar [a cadeia], como arrancar a carne de meus ossos; e isso não porque eu seja de certo modo muito ligado e aficionado a essas grandes Misericórdias, mas também porque eu sempre tinha de trazer à minha mente as muitas dificuldades, misérias e necessidades que minha pobre família teria de enfrentar se eu tivesse de ser apartado deles, especialmente meu pobre filho cego, que permanece mais próximo do meu coração do que qualquer um dos outros. O, o pensamento das dificuldades que eu penso que o meu filho poderá enfrentar, parte o meu coração em pedaços ... Mas, ainda assim, relembrando o que se passou, eu pensei: preciso entregar todos a Deus, embora eu esteja para deixá-los em breve. Nessa condição eu me percebi como um homem que estava destruindo sua casa sobre a cabeça de sua esposa e filhos; ainda assim, pensei, eu tenho de fazer isso, eu tenho de fazer isso.'

Peço a Deus que nunca tenha de tomar esse tipo de decisão, mas é uma possibilidade. Você pode ter tido a necessidade de fazer essa escolha porque confessou a Jesus Cristo, e certamente isso foi um fardo para sua família. Mas essa é a maneira pela qual provamos a realidade da nossa conversão. Aquele que diz: "Não estou disposto a fazer esse sacrifício", não é genuíno. Em Mateus 10.37 Jesus diz: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim". Não podemos ser seus discípulos e receber sua salvação se nossa família significa mais para nós do que Cristo.

http://www.josemarbessa.com/2011/01/grande-ruptura-john-macarthur.html

A Doutrina da Graça na Vida Prática: Adversidade


por
Terry Johnson

Por favor, leia Romanos 8.26-39; Gênesis 50.15-21
Em 1858, um jovem missionário presbiteriano talentoso chamado John G. Paton, navegou com sua esposa e seu pequeno filho para as ilhas New Hebrides no Pacífico Sul para começar um trabalho missionário entre os ilhéus. Após alguns meses de sua chegada, sua esposa e seu filho morreram, deixando-o sozinho no trabalho.

Em agosto de 1876, um jovem teólogo talentoso chamado Benjamin Breckinridge Warfield e sua esposa, estavam em lua-de-mel na Alemanha. Durante a visita aos pontos turísticos da região da Floresta Negra, eles foram pegos de surpresa por uma terrível tempestade, e algo aconteceu com sua esposa que nunca foi completamente explicado, submetendo-a a uma invalidez para o resto da vida.
Na década de 1950, a congregação da Igreja Presbiteriana Independente de Savana chamou um jovem pregador para tomar as rédeas de uma igreja muito dividida. Ele veio com sua esposa e seus cinco filhos, o mais novo tinha apenas três anos. Depois de um ano e meio, desenvolveu um tumor no cérebro, e após dois anos do início de seu trabalho em Savana, o Rev. Van Puffelen estava morto.
Como você explica estas coisas? Talvez um tanto frustrante. Como você explica as respostas destes indivíduos? John G. Paton permaneceu no campo e teve uma grande colheita, e mais tarde disse:
Eu construí um túmulo cercado com blocos de coral, e cobri o topo com lindos corais brancos, pequenos cascalhos quebrados; e aquele lugar se tornou para mim, meu mais sagrado e freqüentado santuário durante todos os meses e anos que se seguiram, enquanto eu trabalhava na salvação daqueles ilhéus selvagens, em meio a dificuldades, perigos e mortes. Quando esta ilha se voltar para o Senhor, e for ganha para Cristo, nos dias seguintes os homens encontrarão a memória daquele lugar ainda vívida – onde, com incessantes orações e lágrimas, eu reivindiquei aquela terra para Deus, na qual eu “enterrei minha morta” com fé e esperança. [1]
Warfield cuidou de sua esposa durante os quarenta anos em que permaneceram juntos, humilde e submisso, sem lamúrias, sem pena de si mesmo, sem justificar a necessidade de auto-satisfação, cumprindo seus votos matrimoniais, cumprindo seu dever para com sua esposa.
A “Sra. Van” , como era conhecida em Savana, gentil e dócil por fora, forte como cravos por dentro, começou a lecionar no Externato Presbiteriano Independente e educou seus cinco filhos com um tremendo sacrifício próprio, e sem lamúrias.
Qual é a explicação em cada uma destas situações? A explicação é que cada um deles cria na soberania de Deus. Todos entenderam a justiça de Deus, sua misericórdia, seu governo absoluto, e cada um recebeu suas circunstâncias como de Sua mão para seu bem e se submeteram a elas.
Ainda, como você explica a adversidade? Como você lida com o sofrimento que está no mundo? Admita que leva tempo para que nossas emoções alcancem nossas mentes, que não há respostas “fáceis” , e que quando nós perguntamos “por que” , não devemos fazer de forma tão simplista ou como uma questão de fatalidade; porém temos uma explicação para o sofrimento, a única explicação para o sofrimento que opera e abre caminho para o conforto num mundo de dor.

O Problema do Prazer
Do nosso ponto de vista, muito da discussão sobre o “problema da dor” e sofrimento tem começado do jeito errado. Como vimos em nossa consideração sobre predestinação, há uma tendência por começar com a suposição da inocência humana. A adversidade então, é vista como uma intromissão imparcial ou injusta na vida de quem não a merece. Isso está implícito em quase todas as discussões sobre o assunto. Portanto, nós freqüentemente questionamos: “Por que Deus tem permitido que isso aconteça a uma família tão pura (e não merecedora)?”.
O lugar bíblico para se começar qualquer consideração sobre o sofrimento, não é a inocência, mas a culpa. No começo da Bíblia está um relato do que é chamado a “Queda do Homem” . Ele está lá para lembrar-nos que vivemos em um mundo “caído” , um mundo em desordem e sob a maldição de Deus. A resposta de Deus ao pecado de Adão e os pecados de sua descendência é uma condenação. Deus prometeu a morte “no dia em que dela comeres” . Entretanto, num sentido final, a morte foi adiada. Enquanto isso, a vida consiste em múltiplos mini-julgamentos que nos visitam por causa do pecado de Adão e de nossos próprios pecados, como pré-estréias do julgamento final. Estes mini-julgamentos, porque são desprovidos da morte eterna do inferno, são, em efeito, graciosos estágios de execução.
O que estamos dizendo é que cada momento que um de nós vive do lado de cá do inferno é um problema. Como é que um Deus justo e verdadeiro pode tolerar o mal e deixá-lo continuar existindo? Como ele pode atrasar seu aviso de que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4)? O problema não é a dor, mas o prazer. Uma justiça severa lançará cada um de nós no inferno. Qualquer coisa menor do que isso – enfermidade, injúria, miséria, fome, ou sofrimento profundo – é misericórdia.
Considere a resposta de Jesus à questão de seus discípulos sobre os infelizes galileus que haviam sido massacrados por Pilatos (Lc 13). Eles queriam saber se “estes galileus eram mais pecadores que os outros porque sofreram este destino” . Esta questão é antiga. Aqueles que sofrem, sofrem porque são mais pecadores que as outras pessoas? Podemos dizer que o sofrimento é diretamente proporcional ao pecado? A resposta popular é dizer “não” , e ela está correta. Podemos corretamente citar Jó como um exemplo de um homem que não sofreu por seu pecado pessoal. Jesus, de fato, diz: “Não eram, eu vo-lo afirmo…” Jesus concorda com a resposta popular ao dizer que estas pessoas não eram necessariamente mais merecedoras de sofrimento que outras. Elas não morreram porque eram mais pecadoras que o resto. Nós esperávamos que ele continuasse a falar sobre como o sofrimento é imerecido. Muitas vezes, nós diríamos, os inocentes sofrem neste mundo. Freqüentemente, nós dizemos, é o bom que é injuriado e ofendido. Mas, surpresa, isso não é o que ele diz afinal. Em vez de dizer que alguns são sofredores inocentes, ele diz que todos merecem sofrer deste modo. Ele avisa que “se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” . Em outras palavras, não é que eles sejam piores do que os outros, mas é o que cada pecador merece, e terá, a menos que se arrependa. Jesus não se concentra na tragédia que caiu sobre alguns, mas na graça pela qual a maioria é poupada.
Da mesma maneira, Jesus continuou a falar nos dezoito sobre quem a “torre de Siloé caiu e matou” . Ele pergunta: “(eles) eram mais culpados que os outros habitantes de Jerusalém?” Podemos deduzir, a partir da quantidade de sofrimento que as pessoas suportam, quem é justo e quem é pecador? Não, ele diz. Mas, novamente, isso significa que eles poderiam não ser merecedores? Não. Eles têm o que todos merecem, mas alguns são poupados.
Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis (Lc 13.5).
Assim, o problema do sofrimento, como Jesus o interpreta, não é afinal um problema de dor. A dor pode ser explicada facilmente. Vivemos em um mundo caído e sob julgamento. Todos os piqueniques da vida têm suas formigas. Em nossa lua-de-mel, Emily e eu fomos um dia à praia. Quando chegamos, começou a chover. Não sendo a teóloga da família, ela perguntou: “por que Deus fez isso conosco?” Minha resposta sensível foi: “por que não choveu outro dia? Por que ele permitiu que viéssemos aqui afinal?” Ela não estava para brincadeira. É claro, há sofrimento. O extraordinário não é que exista dor, mas que exista prazer. Uma vez que se entenda a doutrina da queda e da depravação do homem, o problema filosófico não está no explicar o porquê Deus permite o sofrimento, mas no porquê ele mostra graça e misericórdia. Qualquer dor e sofrimento menor que as chamas do fogo eterno no inferno, é um adiamento misericordioso de Deus. Eu posso entender porque sofremos. Eu não posso entender porque não sofremos mais.

Soberania e Dor
Em capítulos anteriores, vimos que a soberania de Deus se estende sobre cada molécula existente. Ele decretou e planejou “tudo quanto acontece” . Então, não pense por um só momento que sua dor está excluída. Quando eu estava no seminário, um jovem cristão muito promissor, um estudante talentoso da Cal Tech [2], com uma mente brilhante, estava se preparando para uma missão de campo com os Tradutores Wycliffe da Bíblia. Ele caiu, em uma viagem a pé e morreu tragicamente. Um teólogo evangélico mundialmente famoso disse em seu funeral: “Esta não era a vontade de Deus” . Em um funeral em Savana, poucos anos atrás, uma declaração similar foi feita no velório de uma jovem mãe que morreu repentinamente: “Deus não queria que isso acontecesse”. Esta posição também é tomada num livro muito popular, Why Bad Things Happen to Good People (Porque Coisas Ruins Acontecem a Pessoas Boas). O autor perdeu sua filha adolescente para a leucemia. Ele lutou tentando explicar como Deus poderia ter permitido que isso acontecesse. Note seu modo de pensar. Existem pessoas “boas” (leia “inocentes” ) que não merecem que coisas “más” aconteçam a elas. A resposta que ele deu foi que Deus é bom, mas não há nada que ele possa fazer acerca do sofrimento. Ele não pode interferir. Suas mãos estão atadas. Ele não é culpado. Ele não pode ser acusado. Podemos estar certos de que ele ainda nos ama, pois não foi ele quem fez estas coisas horríveis acontecerem conosco.
O que podemos dizer sobre isso? Em nosso conceito, esta explicação não oferece qualquer consolação e, de fato, é horripilante. Por quê? Considere o seguinte.
Primeiro, se existe um Deus, o que acontece deve ser sua vontade . Se acontece alguma coisa que não é de sua vontade, ele não é Deus, e nós temos um problema. Se existem moléculas perambulando por aí, fazendo o que não foi ordenado por Deus, então ele tem um concorrente igual a ele, portanto não é Deus como a Bíblia o descreve. Para Deus ser Deus, ele deve ser soberano. Para ele ser soberano em tudo, ele deve ser o soberano sobre tudo .
Deixe-me ver se consigo esclarecer o que eu quero dizer. Todos os que crêem em Deus, crêem que ele pode prever todas as coisas. Uma vez que você deixe de crer na presciência, você realmente deixa de crer em Deus. O que ele prevê, certamente acontecerá. Então quando Deus prevê algo e decide permitir que aconteça, ele o faz porque isso convém a seus propósitos. Isso serve a seus planos. A alternativa é dizer que ele prevê coisas e as permite até mesmo que elas não combinem com seus propósitos, o que é claramente ilógico e absurdo. Isso não significa que ele “gosta” do que prevê, ele só permite que aconteça porque encontra algo positivo e alguma razão nisto. O bom Deus permite acontecer o que acontece porque convém a seus propósitos; e seus propósitos são bons.
Às vezes as pessoas tentam evitar as implicações disto apelando para a previsão, dizendo que Deus meramente “prevê” todas as coisas, ele não as fará realmente. Mas conforme pudemos ver, esta distinção não se sustenta. O que um Deus onipotente prevê e permite, ele quer e ordena.
Segundo, ou os eventos têm um significado dado por Deus, ou não têm sentido algum . Na tentativa de manter Deus “fora da armadilha” , as pessoas acabam deixando suas tragédias sem sentido, transformando-as em algo realmente trágico. Você deve reconhecer que não pode haver dois caminhos. Ou Deus está nele, ou ele não está. Se ele não está, então é o diabo, o mal, a “sorte”, o destino, ou o acaso.
Quando eu era pastor dos jovens em Miami, nós presenciamos duas mortes trágicas de pais de adolescentes. Um foi o pai de minha esposa Emily, que sofreu um ataque do coração quando ela tinha apenas dezesseis anos. O outro foi do pai de uma garota de dezesseis anos também, mas as circunstâncias foram diferentes. Enquanto que o pai de Emily morreu de repente, este homem, o Dr. John Richardson, filho do Reverendo J.R. Richardson, morreu lentamente durante um período de quase dois anos. Os dias finais foram diferentes de qualquer coisa que eu já havia visto ou que veria. Ele morreu em casa, rodeado por sua família. Seus últimos momentos foram passados com sua filha mais nova aconchegada a ele de um lado, a outra filha nos seus pés, sua esposa ao seu outro lado, seus filhos sentados junto a sua cama. Esta foi a morte mais triste e mais doce que eu já presenciei. Algumas semanas depois, a filha mais nova veio a mim e perguntou: “Por que Deus permitiu isso?” Minha resposta foi gentilmente dizer: “Ah, ele permitiu, mas teve boas razões” , e continuei, “ e nós nos agarramos a isso porque a única alternativa é dizer que Deus não o permitiu, e não há razão e é apenas uma tragédia sem propósito” . O que você deve fazer agora? Confiar nele! Diga que ele não é o responsável e você perde a oportunidade de confiar nele.
“Deus é grande e Deus é bom”. Esta foi a primeira oração que eu aprendi. Ela também expressa o problema do sofrimento. Por que um Deus grande permite o mal quando ele poderia impedi-lo? Por que um Deus bom permite o mal quando o odeia? Negue qualquer lado da equação e você resolverá o problema do mal: Deus é bom, mas não é grande; ele gostaria de impedir o mal, mas ele é fraco. Deus é grande, mas não é bom; ele não quer impedir o mal porque ele se deleita nele.
Desde Agostinho, os cristãos têm dito que Deus permite o mal para um bem maior. O paradigma é encontrado na crucificação. Quando o homem realizou este grande mal, Deus produziu a partir dele o maior bem. Porém, a crucificação foi realizada pelo “determinado desígnio e presciência de Deus” (At 2.23). Deus estava nela; ele a tinha ordenado. Da mesma maneira, ele está em nosso sofrimento. Por ele estar no sofrimento, este tem um propósito, tem um sentido.

Cristo e a Dor
Finalmente, vamos às respostas encontradas em Romanos 8. A maravilha de nossa adoção e conseqüentemente glorificação, leva Paulo a falar do caminho para a glória que é o caminho do sofrimento. Ele diz que nós somos “ co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados ” (8.17). Novamente, ele une o sofrimento e a glória dizendo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (8.18). Ele fala de nossos “gemidos” e os contrasta com “nossa adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (8.23). Ele estimula à necessidade de “esperança” e “perseverança” (8.24,25). Ele promete a ajuda do Espírito quando oramos “ com gemidos inexprimíveis” (v.26). Então vem a jóia da coroa das promessas bíblicas. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Paulo regozija-se num Deus que está em todas as coisas, fazendo-as trabalhar para o bem daqueles que o amam. E precisamente no caso de que você pudesse parar e duvidar se você ama Deus o suficiente ou não, ele acrescenta: “daqueles que são chamados segundo o seu propósito” . Machen disse sobre estes versos:
… que pequeno conforto existiria nessas palavras se o versículo parasse ali – se nos tivesse sido dito simplesmente que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e então seríamos levados a acender aquele amor de Deus em nossos corações frios e mortos. Mas, graças a Deus, o versículo não termina ali. O versículo não diz apenas, “ sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus ” . Não, ele diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Aí está, meus amigos, o verdadeiro motivo de todo o nosso conforto – não em nosso amor, nem em nossa fé, ou em qualquer coisa que está em nós, mas neste misterioso e eterno conselho de Deus do qual vem toda a fé, todo o amor, tudo o que temos, somos e podemos ser neste mundo e no mundo que está por vir. [3]
Aqueles que amam a Deus são aqueles que foram chamados. Os chamados são aqueles que foram conhecidos de antemão (o que significa amados de antemão) e predestinados. A “corrente de ouro” está exposta no verso 30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). Àqueles nos quais Deus colocou seu amor – àqueles que foram chamados eficazmente a Cristo pelo evangelho, que foram justificados e glorificados (o tempo passado indica que Paulo até mesmo vê isso como um fato concluído) – é prometido que tudo tem um bom propósito para eles. O próprio Deus o garante.
Quando eu tinha três anos, meus pais distraidamente deixaram minha irmã e eu no carro da família depois que voltamos da Igreja num domingo. Nós brincávamos e eu soltei o freio de mão. O carro começou a rolar pela rampa da garagem. Nós nos apavoramos. Minha irmã pulou para fora do carro. Ela tinha cinco anos – podia fazer aquilo. Eu caí debaixo da roda dianteira, e nossa perua Plymouth ano 56 passou por cima das minhas costas, pescoço e cabeça.
Quando eu tinha quinze anos, eu estava praticando com o time de futebol do colégio, que incluía três futuras estrelas do futebol universitário, entre eles Vince Feragammo. Certa tarde, eu corri um “ reinício ” [4] padrão, peguei a bola, contornei o campo, tentei evitar meu defensor; nesta tentativa de evitá-lo, subitamente senti uma dor aguda na minha coxa. Um barulho tão forte como o de um galho de árvore quebrando pôde ser ouvido em todo o campo enquanto eu caía, minha perna torceu debaixo de mim, meu fêmur estava caprichosamente quebrado.
Por quê? Eu não sei. Eu não tenho que saber. Tudo o que eu sei é que Deus estava nesse acontecimento, e o estava trabalhando para o bem.
Alguns de vocês já sofreram coisas muito piores que isso. Alguns de vocês perderam filhos e netos em acidentes e doenças. Outros foram assolados pela morte de seus maridos e esposas. Amigos, parentes, outros amados têm sofrido com circunstâncias trágicas. Você tem gritado. “Ah não, isso não – tudo menos isso! Senhor, por quê? Por que o Senhor fez isso?” Talvez você tenha cultivado amargura. Você tem estado ressentido com Deus desde então. Você está desiludido e confuso. Tenha isso por certo – em Cristo, embora o diabo, o mundo e os inimigos tenham planejado sua destruição, Deus estava trabalhando todas as coisas para o bem.
Considere a vida de José. Que adversidades ele sofreu! Pense em seu coração quebrado por causa da total rejeição por parte de seus irmãos, que estavam prontos para matá-lo de imediato. Pense na dor de ter sido vendido como escravo, sendo obrigado a deixar sua família, e não vê-la por décadas. Mesmo no Egito ele teve que lidar com a falsa acusação de tentativa de estupro, armada pela esposa de Potifar, o qual o lançou na cadeia. Ele tinha muitos motivos para a amargura. Pense em tudo o que Deus permitiu que acontecesse. Sua infância lhe foi tirada, foi tirado de sua terra natal e de sua família, bem como seu bom nome, por que ele não deveria amaldiçoar a Deus? Mas o que ele diz? Ele vê a mão soberana de Deus em tudo. Primeiro, ele diz a seus irmãos: “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” (Gn 45.8). E numa segunda ocasião ele diz: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20). Leia de novo: “Deus o tornou em bem”, ele diz.
Algumas vezes, até mesmo muitas vezes, não saberemos que bem Deus estará trazendo da adversidade. Este não é o ponto crucial. O ponto crucial é saber que Deus é bom e que ele quer isso! Quando você perdeu seu amado, ele o quis. Quando você foi afligido por doenças, ele o quis. Quando você foi atingido por reversões financeiras, ele o quis. Ele promete transformar isso em bem. Agora você precisa confiar nele.
Crer na soberania de Deus tem algum impacto prático sobre a vida? Eu espero que você tenha começado a entender que estas doutrinas são vitais. Somente quando entendemos que Deus ordenou nosso sofrimento, podemos começar a entender o sentido dele. Somente então, estaremos certos de que ele tem um propósito. Quando as tragédias vierem, quando as adversidades atacarem, não seremos abalados. Sim, nós choraremos. Sim, nós sofreremos. Mas continuaremos andando confiantes, sabendo que Deus está no seu trono, que estamos em suas mãos, que nossas circunstâncias são seus feitos, e que ele trabalha este mal para o nosso bem.

Notas:
1. Iain Murray, The Puritan Hope , Banner of Truth, pp.179, 180.
2. NT – Cal Tech refere-se a California Technology School.
3. J. Gresham Machen, The Christian View of Man , Banner of Truth, p.68.
4. NT – Do inglês “quick-out”, refere-se ao início ou reinício do jogo no futebol americano.

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Fonte: Extraído de A Doutrina da Graça na Vida Prática, Terry Johnson, Ed. Cultura Cristã, 2001. São Paulo, SP. p.45-58.

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http://www.monergismo.com/
http://www.monergismo.com/textos/doutrina_graca/doutrinas_graca_adversidade.htm Acesso em 19/02/2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade


Uma Expressão Bíblica Teológica da Corrupção da Natureza Humana e sua Hereditariedade


A confissão Belga (1561), produzida por Guido De Brès, é um dos três símbolos de fé das igrejas reformadas. Ela traz uma exposição bíblica das verdades indispensáveis à unidade da verdadeira igreja. Verdades que devem ser proclamadas e defendidas contra as invenções e contradições dos homens que poluem e maculam o conceito de verdadeira religião.
No artigo 15 desta confissão que trata do pecado original, lemos que: “Esse pecado é a corrupção de toda a natureza humana e um mal hereditário que contamina até mesmo as criancinhas no ventre de suas mães”. Estas sentenças refletem a verdade bíblica e teológica? Como se pronuncia a teologia? A Bíblia evidencia e/ou comprova esta doutrina? O mal hereditário, descrito por De Brès, é uma contaminação genética?
Este modesto trabalho, tem por objetivo esclarecer tais questionamentos e expor as verdades acerca da corrupção da natureza humana e de sua hereditariedade ao demais componentes da raça. Para uma devida compreensão do assunto, faz-se necessário abordar, suscintamente, a natureza original do homem, percorrendo o caminho que o conduziu a ruína (queda), para chegarmos ao cerne de nossa temática e então apontar, com clareza, o entendimento de De Brés.

UM ESCLARECIMENTO

É de fundamental importância abordar a origem da humanidade antes de falar sobre sua ruína.
A maneira peculiar que o homem foi criado (Gn 1.26-27; 2.7,21-22) o coloca de maneira distinta acima das demais criaturas e aponta claramente o seu domínio sobre elas (Gn 1.28). Ele foi criado em estado de maturidade e perfeição (adulto e perfeitamente adequado ao fim a que foi criado), isento de enfermidades e da morte. Ele desfrutava da mais elevada felicidade e bem-esta, em plena perfeição de sua natureza.
Apesar de ter sido formado do pó da terra, Adão recebeu o sopro de Deus (Gn 2.7) e foi feito à imagem e semelhança de dEle (Gn 1.26), uma imagem que se assemelha, perfeita. Ao criar o homem Deus o dotou de razão e moral, ele era livre e espiritual, à sua imagem, o que o faz capaz de relacionar-se com Ele. Ele recebeu a imagem essencial de Deus (ser espiritual) e dotes naturais (agente inteligente e voluntário), sendo os últimos passivos de perda, contudo, sem perder-se a própria humanidade.
O homem possuía retidão original, ou seja, desfrutava de uma perfeita harmonia em todas as suas partes (razão, vontade, afetos e apetites), e perfeição moral, que o assemelhava a Deus – conhecimento, justiça e santidade (Gn 1.31; Ec 7.29; Col 3.10; Ef 4.24) – estes últimos versos nos ensinam que tais condições são obtidas através da comunhão com Cristo, exemplo e propósito final em Deus e faz com que o homem novamente compartilhe da natureza de Deus(1) como na criação original).
Calvino em plena consonância com o exposto afirma:
“A integridade de Adão, quando possuía espírito reto, tinha afetos ajustados à razão e todos os sentidos em ordem retamente disposta e, com seus exímios dotes, de fato refletia a excelência do seu criador. [...] no princípio, a imagem de Deus era conspícua na luz da mente, na retidão do coração e na santidade de cada parte” (Institutas da Religião Cristã, livro I, pg. 176,177).
Fica claro que, a semelhança de Deus no homem se torna mais forte na perfeição moral, ou justiça original que se expressa, principalmente no puro conhecimento e na perfeita justiça e santidade, com a qual o homem foi dotado. O catecismo de Heidelberg, no DS 3, respondendo a pergunta 6, afirma que “Deus criou o homem bom e à sua imagem, isso é, em verdadeira justiça e santidade, de modo que ele pudesse conhecer a Deus, o seu criador, ama-lo de coração, e viver com ele em eterna felicidade para o louvar e glorificar”(2).
Este mesmo ensino ecoa nos 3º/4º capítulos dos Cânones de Dort – (Artigo 1):
“No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e total conhecimento do seu criador e de todas as coisas espirituais. A sua vontade e o seu coração eram retos; todos os seus sentimentos, puros; o homem era, portanto, completamente santo”. (Cânones de Dort, 3º/4º capítulos da Doutrina, pg. 116).
Contudo, o todo harmônico em que foi formado o homem, é suscetível à mudanças. Deus estabeleceu um relacionamento gracioso com este homem ao cria-lo, estabeleceu uma aliança, por meio do qual ele poderia desfrutar dos mais elevados privilégios (plena vida acima da possibilidade de errar, pecar e morrer). Entretanto, foi-lhe anunciada que havia a possibilidade de desobediência, para a qual, a morte seria o castigo (Gn 2.16-17; Os 6.7). Adão não deveria seguir seu próprio caminho, mas o que Deus tinha apontado para ele. Isso evidencia que, apesar do homem desfrutar de uma formação tão privilegiada, e de ser feito à imagem de Deus, havia à possibilidade de transgredir (Gn 3.6; Ec 7.29). À luz da revelação, ficou patente, a liberdade de vontade humana, que por natureza era sujeito à mudança.

O PONTO DE PARTIDA

Tendo esclarecido a forma exaltada que o homem recebeu em sua criação, passemos a olhar mais de perto, como do estado original em que foram criados, nossos primeiros pais, Adão e Eva, se precipitam em condenação e ruína, para então, refletir sobre o que levou De Brès a sua exposição.
Fizemos referência, à luz das Escrituras, que a liberdade da vontade humana era sujeita a mudanças. E, é exatamente isso que fica explicitado no relato bíblico da queda, que se encontra em Gênesis 3. Sobre o relato, algumas observações podem ser propostas: 1. A mulher não transgrediu a lei de Deus por si só, mas foi seduzida pela serpente; 2. A tentação ocorreu na forma de um ataque ao mandamento de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal; 3. Esse mandamento tinha o objetivo de fazer que a obediência de Adão se tornasse manifesta. Isso indica que obedecer não estava além de suas forças; 4. Satanás transformou o mandamento em uma tentação, atacando de maneira sorrateira, a obediência do homem; ele lança dúvida na alma de Eva sobre as intenções de Deus, apontando-os como uma violação da liberdade e dos direitos do homem; 5. Isso gera incredulidade e leva a pensamentos pecaminosos acerca das razões pelas quais Deus tinha dado esse mandamento – manter o homem em sujeição, impedindo-os de ser “como Deus”; 6. Esse emaranhado de pensamentos leva Eva a ver a transgressão com um caminho para a vida, quando Deus disse que sua transgressão teria como resultado a morte. 7. Por consequência, a árvore se torna “agradável aos olhos e desejável para dar entendimento”; 8. O desejo concebido conduziu ao ato pecaminoso – Eva “tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3.6; Tg 1.15). Adão subscreveu as mentiras de satanás que acusam Deus de egoísmo, inveja e maldade. Ele desprezou a verdade e se encurvou a mentira, renunciando a autoridade de Deus.
Podemos concluir citando Berkhof, que sobre o primeiro pecado expressou a distinção dos seguintes elementos: “no intelecto revelou-se com incredulidade e orgulho, na vontade, com desejo de ser como Deus, e nos sentimentos, como uma ímpia satisfação ao comer do fruto proibido” (Teologia Sistemática, pg.206)(3). Já Bavinck que descreve o pecado dos nossos pais e, por conseguinte, os nossos, expressando que “começa com o obscurecimento do entendimento, continua através da excitação da imaginação, estimula o desejo no coração e culmina em um ato de vontade” (Teologia Sistemática, pg.246)(4).

O CERNE DA QUESTÃO

Da queda no pecado somos conduzidos à questão da imputação do pecado de Adão. Aqui, reside o ápice de nossa temática no processo de compreensão das sentenças expressas por De Brès: a corrupção e a conseguinte imputação do pecado de Adão aos seus descendentes.
Ao pecar, uma mudança tremenda aconteceu com nossos primeiros pais; imediatamente tiveram vergonha um do outro, seus olhos se abriram e percebendo que estavam nus; tentaram se esconder de Deus e um do outro, então colheram folhas de figueira para esconder sua nudez. Eles se sentiram culpados e impuros. Como comparecer perante Deus, cobertos de vergonha e desgraça? Eles fugiram e se esconderam, evidenciando a perda da comunhão com Deus. A completa corrupção da natureza aparece, uma depravação total que contaminou todos os poderes e faculdades do corpo e da alma. Por conseguinte, passaram a ter uma consciência corrupta e culpada que os acusavam.
Essa contaminação se espalha por toda a humanidade. Isso transparece com clareza, já entre os primeiros descendentes (Caim matando seu irmão Abel – Gn 4.8; Lameque – matando dois homens por motivo fútil e tendo duas esposas – Gn 19,23) e da geração anterior ao dilúvio é dito que sua maldade crescia muito e que seus pensamentos eram sempre e somente para o mal (Gn 6.5,11,12). A corrupção atingiu patamares tão elevados que levou Deus a exterminar toda a raça, a exceção de Noé e sua família. Entretanto, a geração seguinte continua tendo maus desígnios desde sua mocidade (Gn 8.21). E, assim, prossegue por toda a Escritura (Jó 14.4; 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Sl 51.5; 58.3; Pv 20.9; Ec 7.20; Mt 9.12,13; 15.24; Rm 3.19,20; 1.18-32; 2.1-3.20; 11.32; Gl 3.22; Ef 2.1-3; Tg 3.2; 1 Jo 1.8,10). O pecado provocou uma corrupção tão profunda que, o próprio mundo se tornou uma força antagônica a Deus, onde satanás governa como um príncipe (Jo 14.30; 16.11), e é claramente expresso que quem se faz seu amigo, torna-se inimigo de Deus (Tg 4.4). E seguir-se-ia uma interminável lista. Todavia, parece-me suficiente para esclarecer, que do ponto de vista bíblico “toda a história do mundo é uma prova do fato de que a raça humana, tanto em conjunto, quanto em seus membros individuais, é culpada diante de Deus, tem uma natureza moralmente corrompida, e está sempre sujeita à decadência e à morte”(5).
Como se deu tamanha propagação da corrupção? Calvino diz que essa propagação é oriunda da perda da imagem celeste:
“Então, depois de que nele foi apagada a imagem celeste, não sustentou sozinho essa pena pela qual, no lugar da sabedoria, da virtude, da santidade, da verdade, da justiça – das quais fora revestido como ornamentos – odiosamente acometeram a peste, a cegueira, a impotência, a impureza, a vaidade, a injustiça, mas envolveu e mergulhou sua posteridade em cada uma dessas misérias. Tal corrupção hereditária... os antigos chamaram pecado original... transmitido desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã. Livro II, pg. 230).
A luz do exposto acima transparece com mais nitidez a raiz das expressões de De Brès. No entanto, devemos nos perguntar: Como somos feitos culpados em Adão? Por genética, imitação ou imputação? Os Cânones de Dort ao tratar sobre a corrupção do homem, esclarece a opinião na igreja acerca de uma das questões acima (a imitação pelagiana – na qual não nos determos no momento), ao passo que nos ajuda na compreensão das restantes:
“Depois da queda o homem se tornou corrompido e como um pai corrompido gerou filhos corrompidos. Assim a corrupção, de acordo com o justo juízo de Deus, propagou-se de Adão a todos os seus descendentes – a exceção de Cristo somente – não por imitação, como afirmam os antigos pelagianos, mas pela propagação de uma natureza pervertida”.
“Portanto todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer bem salvador, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado.” (Cânones de Dort, 3º/4º capitulo, artigos 2 e 3 pg.116)
Essa exposição reflete o consenso reformado sobre como nos tornamos culpados em Adão – por imputação imediata – em virtude de nossa união, natural e federal, com Adão. Porém, isso requer elucidações:
Primeiramente, convém definir imputação. Imputar é pôr algo na conta de alguém; tratando-se do pecado, é a obrigação judicial de satisfazer a justiça (o que anula a acusação de uma aplicação arbitrária). Nossa temática é uma excelente ilustração da natureza desta imputação – a imputação do pecado de Adão ao homem, dos pecados do homem a Cristo, e da justiça de Cristo aos crentes. Todos, a uma, são cientes de sua indignidade e miséria, e que são merecedores da ira e condenação de Deus, entretanto se regozijam nos méritos de Cristo, que fez expiação pelos pecados, e os concedeu sua justiça, fazendo-os legalmente justos.
Em segundo lugar, convém definir nossa relação com Adão. A base da imputação é a união da humanidade com ele. Ele foi designado cabeça natural e federal de toda sua posteridade . As promessas e ameaças, bem como domínio com que foi investido, foram dito a ele em sua capacidade representativa, sendo transmitida também a sua posteridade, o que inclui também, os males provenientes da queda.
Como podemos comprovar estas afirmações à luz das Escrituras? Em primeiro lugar, podemos referir o próprio Deus, que se declarou a Moisés como sendo aquele “que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Êx 34.7). Jeremias o descreve como aquele que usa “de misericórdia para com milhares e retribuis a iniquidade dos pais nos filhos” (Jr 32.18). Uma visão panorâmica das Escrituras ilustrará o exposto, pois apresenta que a imputação do pecado de Adão ao restante da raça não é um caso isolado, mas que caracteriza de modo geral a maneira de Deus tratar o mundo. Charles Hodge descreve:
“Este princípio representativo impregna todas as Escrituras [...] A venda que Esaú fez de sua primogenitura excluiu seus descendentes do pacto da promessa [...] No caso de Datã e Abirão, bem como no de Acã, ‘suas mulheres, seus filhos e seus pequeninos’ pereceram em decorrência do pecado de seus pais [...] Disse-se a Davi: ‘Não se apartará a espada jamais de tua casa, porquanto me desprezastes e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher’. Ao desobediente Geazi, foi dito: ‘A lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência para sempre’. O pecado de Jeroboão e dos homens de sua geração, determinou o destino das dez tribos para toda a história. A imprecação dos judeus, quando exigiram a crucificação de Cristo, ‘Caia sobre e nós o seu sangue e sobre os nossos filhos’ continua gravitando sobre o disperso povo de Israel” (Teologia Sistemática, pg.631).
Corroborando com Hodge podemos mencionar que o plano de redenção repousa sobre este mesmo princípio. Pois, a aliança que Deus firmou com Abraão, não incluiu só ele, mas todos os seus descendentes e, o sistema cerimonial na antiga dispensação tinha sua raiz na ideia de transferência de culpa ou de castigo a outrem. Isso nos leva inevitavelmente a Cristo em quem nos foi estabelecida uma eterna e nova aliança, não com sangue de animais (que não pode tirar pecados), mas com seu precioso sangue, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito. Aqui reside a suma de ensino das Escrituras, da expiação oferecida por Cristo. Ele carregou nossos pecados e foi feito maldição por nós, carregando sobre si, em nosso lugar, o castigo da lei.
A passagem bíblica de Romanos 5.12-24 estabelece a ligação entre Adão e Cristo e constitui a base para nossa justificação. Mas, qual o ensino básico nela estabelecido? Ilustrar o método de salvação inferido por Paulo acerca do trabalho de Deus. Paulo havia descrito que todos os homens são pecadores, e por isso, culpados diante de Deus e debaixo da condenação da lei. No texto referido, ele faz uma analogia da condenação em que a raça humana se precipitou pelo pecado de Adão, pois todos estavam representados nele, e da justificação judicial dos que estão confiados na obediência de Cristo. O que se conclui? Como o primeiro pecou e isso foi a base da condenação de sua posteridade, a justiça do segundo é a base da justificação dos que nEle estão. A rejeição de um, inclui, consequentemente, a rejeição do outro.

UMA PALAVRA FINAL

À luz do exposto, sob a perspectiva bíblica e teológica, ficamos convencidos que De Brès ao descrever a corrupção da humanidade como decorrente da desobediência de Adão estava, simplesmente, expondo as verdades contidas na Palavra de Deus.
Quanto a sua descrição como “um mal hereditário que contamina até as criancinhas no dentre de suas mães”, requer uma explicação por partes. É evidente, pelas mesmas razões expressas quanto à corrupção, que as criancinhas são herdeiras desta corrupção e depravação, conforme expusemos por textos bíblicos e citações. A perversidade própria acompanha o homem desde seu nascimento; descendemos de uma semente impura e consequentemente, nascemos infectados pelo pecado, sujos e manchados aos olhos de Deus. O Catecismo de Heidelberg no DS 3, respondendo a pergunta 7, reza que por causa da desobediência de nossos primeiros pais, no paraíso, “nossa natureza tornou-se corrupta de tal modo que somos todos concebidos e nascidos em pecado”(6).
Quanto à hereditariedade do pecado, é evidente que, o vocábulo empregado por De Brès não se referia ao conceito biológico. Embora se fale sobre a nossa imundície sendo transmitida dos pais aos filhos, e que todos desde sua origem tenham sido manchados por esta corrupção, precipitados em ruína e desgraça, feitos filhos da ira desde o próprio ventre, devemos esclarecer que a alma do filho não é originada ou transferida da alma do pai, mas simplesmente que o Senhor depositou em Adão os bens que quis dar ao restante da raça e, havendo ele perdido o que recebeu, não perdeu unicamente pra si, mas para toda sua posteridade. Como disse Calvino, de quem faço as palavras de Conclusão:
“De uma raiz apodrecida, foram produzidos ramos apodrecidos, que transmitiram sua podridão a outros rebentos que deles nasciam. Assim, os filhos tiveram o vício nos pais, como se fossem corrompidos pela descendência, isto é, tal como o início da corrupção que esteve em Adão, como um perpétuo afluir, transvasasse dos ancestrais à posteridade. Com efeito, não está o contágio na carne ou na alma, mas porque assim foi ordenado por Deus: ao conferir aqueles bens ao primeiro homem, aquele simultaneamente tanto conservaria quanto perderia tanto a si quanto aos seus [...] Embora se diga que somos sujeitos ao juízo de Deus pelo pecado de Adão, isso não deve ser aceito desse modo, pois assim nos sustentaremos inocentes e desmerecedores da culpa de seu delito, mas cumpre ser dito que ele nos tenha comprometido porque estamos todos revestidos pela maldição de sua transgressão. Portanto, não provem de Adão apenas a pena que caiu sobre nós, mas reside em nós, por ele inculcado, o flagelo a que por direito é devida a pena [...] E, por isso, as próprias crianças também são culpadas, enquanto trazem consigo a condenação desde o ventre materno” (Institutas da Religião Cristã, livro II, pg. 234).
Portanto, rejeitamos o ensino herético de transmissão do pecado por imitação, dos pelagianos (junto com a igreja em sua confissão já exposta), bem como a da transferência da alma paterna no ato da geração natural. E, consideramos respondidos os questionamentos supostos que deram origem a esta pesquisa. Que a verdade bíblica e teologia professa por De Brès em sua confissão, nos conduza a piedosa devoção a Deus que nos amou em Cristo, resgatando-nos de tamanha corrupção e miséria.

CETIRB – Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil Instituto João Calvino

Elton da Silva
Professor: Clarence Bouwman
Camaragibe, 2010

NOTAS
(1) Bavinck, Teologia Sistemática, p. 227
(2) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 6
(3) Louis Berkhof, Teologia Sistemática, p. 206
(4) Bavinck. Ibidem, p. 246
(5) Bavinck. Ibidem, p. 267
(6) O catecismo de Heidelberg, DS 3, resposta 7

http://obradagraca.blogspot.com/ Acesso em 24/01/2011

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A IRA DE DEUS E A SOLUÇÃO PARA A HUMANIDADE


Texto: Rm 1.18-25

Introdução: George Thomas, um pastor inglês, chegou um dia na igreja carregando uma gaiola. Cuidadosamente, colocou-a no púlpito, e começou a falar:
"Estava andando pela rua ontem, e vi um menino levando essa gaiola com 3 passarinhos, tremendo de frio e medo. Eu perguntei:
-O que você vai fazer com eles?" Ao que ele respondeu:
-"Ah! vou me divertir com eles."
-"Vou levá-los para casa e tirar suas penas para fazê-los brigarem! Vou me divertir muito!"
- "Mas você vai logo se cansar deles...o que você vai fazer?"
- "Oh, eu tenho alguns gatos," respondeu o menino. “Eles gostam de passarinhos”
Estupefato, ainda pude perguntar:
-Quanto você quer por esses passarinho?
-Ah...O senhor não vai querê-los... Eles não servem pra nada!
Eles não cantam. Nem são bonitos!"
Sendo muito insistente, consegui dissuadir o menino de seu intento e comprei os passarinho por dez dólares. E já de posse dos pobres pássaros, libertei-os tão logo o menino deu-me as costas...

Este exemplo nos mostra o quanto o coração do homem é corrupto e pecaminoso. O texto que acabamos de ler, nos fala sobre o pecado no mundo, da apostasia e da degeneração do gênero humano. Este versículos nos ensina algumas verdades que precisamos considerar se queremos ter uma vida de glória diante do Senhor:

I. QUAL A REAÇÃO DE DEUS, PARA COM A HUMANIDADE?

O texto nos mostra claramente que a reação de Deus para a humanidade é de Ira e ira é um sentimento de Cólera, raiva, indignação, Desejo de vingança. No comentário ao livro de Romanos, o Pr. John Murray ensina que “a ira consiste na santa reação de Deus contra aquilo que é contrário a sua santidade”. Paulo nos diz que a ira de Deus tem uma grande expansão, ele diz que, “Porque do céu se manifesta a ira de Deus”, o salmista reafirma está expansão da ira de Deus quando diz que: “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus”, Sl 53:2 e a resposta é que ninguém buscava a sua face, ninguém era fiel para com Deus, o salmista continua dizendo que: “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. Acaso não têm conhecimento estes obreiros da iniqüidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? eles não invocam a Deus”, v.v 3, 4. Paulo diz que “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”. Deus está irado com a impiedade e injustiça dos homens. Impiedade significa falta de piedade; desumanidade, crueldade.
Todos tem conhecimento de Deus, pelo fato do próprio Deus se fazer conhecido a humanidade e se rejeitado pela mesma. Mesmo não conhecendo a Bíblia, Deus se fez conhecer a todos pelas coisas que foram criadas, porém o homem tem transferido a glória que é devida somente a Deus, e a colocou nas coisas que foram criadas, e até no próprio homem, é isso que Paulo nos fala nos VS. 21-23: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, E mudaram a glória do Deus incorruptível, em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis”. Precisamos entender que a ira de Deus opera de maneira eficiente e ativa neste mundo, sobre os homens e por ser procedente dos céus, do Trono de Deus, ela é poderosa. Por isso, segue um alerta para aqueles que estão distantes de Deus e andam descuidados em sua vidas, pois a ira de Deus terá conseqüências eternas, em Ap. 14:10 nos diz que: “Também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e diante do Cordeiro”. Precisamos atentar para esta realidade, pois Deus não está contente com as praticas deste mundo.

II. EM SUA IRA, O QUE FEZ DEUS?

Paulo nos diz no v. 24: “Pelo que, também, Deus os entregou às concupiscências dos seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si”, Este versículo nos fala da vontade permissiva de Deus e da sua justa punição sobre aqueles que assim se esbaldam em seus prazeres carnais. Dentro disto podemos ver que o pecado nasce do coração humano, gerando assim uma degeneração completa chegando a situação atual do homem em até mesmo ser pervertido em seus relacionamentos sexuais, cometendo assim imoralidades em vários aspectos. Por isso Paulo nos fala que “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, Rm 3.23. “Não há um justo, nem um sequer”, Rm 3.10. Nisto, ainda há pessoas que não concordam com a ação santa de Deus em relação a humanidade caída. Paulo ainda afirma que do céu desce a ira de Deus no homem, pelos motivos:

a) Todos se extraviaram e se fizeram inúteis – Rm 3.13-18
b) A sua garganta é um sepulcro aberto: com as suas línguas tratam enganosamente: peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura.
c) Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
d) Nos seus caminhos há destruição e miséria;
e) E não conheceram o caminho da paz.
f) Não há temor de Deus diante dos seus olhos.

Por tudo isto a ira de Deus está sobre este mundo, por isso Deus tem abandonado aqueles que tem endurecido os seus corações para ele. Diante de tudo isto, qual a solução para este mundo?

III. JESUS É A SOLUÇÃO PARA ESTE MUNDO.

Podemos ver que diante de tanta imperfeição e tanta miséria humana, muitas pessoas tem afirmado que não há mais solução para este mundo. Tentam buscar a solução para os seus problemas em coisas que não resolver, como:

• Feitiçaria
• Idolatria
• Religiões ocultas
• Obras da carne

A Bíblia nos ensina que a solução para os nosso problemas está em Jesus. Jesus diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”, João 14:6. Jesus Cristo é a Única esperança para uma humanidade escrava do pecado, uma humanidade que não busca a face de Deus.
Podemos ver que nos tempos de Noé, ninguém se importava com as coisas de Deus, cada um vivia a sua vida, sem se preocupar com as coisas de Deus, até que um Dia Deus derrama sobre este mundo as águas do Dilúvio e tudo que existia morreu com exceção a família de Noé, por que ele creu e jamais negou o nome de Deus. Tudo estava bem, até que um dia a porta da arca se fechou, e as pessoas que estavam do lado de fora, não puderam mais entrar, não houve mais oportunidade de arrependimento. O homem pode ter muito dinheiro, ter a sua família, ter bens, porém quando morrer não vai levar nada. As pessoas nos acompanharam até ao cemitério, porém nada irá adiantar, pois estaremos diante do grande tribunal de Deus, lá ninguém vai nos defender, a mascara vai cair, nossos pecados, a nossa negligencia, nossas desculpas, nossa falta de tempo para Deus, tudo será pesado na balança eterna de Deus. O que vamos ouvir da boca de Cristo naquele dia? Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo ou Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos?
Pense sobre sua vida atual. O que você tem plantado para Deus? Qual a sua contribuição para as coisas de Deus? Não pense que alguém vai interceder por você naquele tão grande e importante dia, pois você responderá por você mesmo, nem eu como seu pastor vou poder dar uma palavra por você no grande juízo de Deus.
O que temos e o que plantamos neste mundo será consumido pelo fogo do justo juízo de Deus, “Mas os céus e a terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios”. 2 Pe 3.7. Ai daqueles que tem abandonado o Senhor, ai daqueles que não tem dado ouvidos as Palavras que o Senhor tem dito em sua Palavra, ai daqueles que são preguiçosos, descansados e negligentes para com as coisas de Deus por que “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão”, 2 Pe 3.10. Arrependam-se enquanto é tempo! Pois esse é o conselho que Pedro nos dá em sua segunda Epistola Capitulo 3.9: O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

CONCLUSÃO:

O que Deus quer de vocês? O que ele espera de Vocês? Que vocês:

• Se arrependam e creiam em seu Nome,
• Sejam fies a Ele
• Busquem a sua face,
• Tenham compromisso com ele e com a sua obra

Finalizo com este versículo, que Deus me mandou falar a vocês:

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza, Tg 4.8, 9
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Autor: Rev. Davi Nascimento
Pregado no dia 17 de Outubro de 2010, no Templo da Igreja Presbiteriana Fundamentalista Betel.