sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Breve comentário sobre 1 Timóteo 2.4


"...o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1Tm 2.4).

Muitos utilizam este texto como prova de que Deus deseja a salvação de todos sem exceção. Mas se observarmos o contexto da passagem veremos que não era isso que Paulo pretendia dizer:

"Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1Tm 2.1-4).

Paulo exorta Timóteo a orar por "todos os homens" no verso 1. E no verso 4 diz que Deus deseja a salvação de "todos os homens". Ora, ambas as expressões estão no mesmo contexto e devem ter necessariamente o mesmo significado. Se no verso 4 o significado é que Deus deseja que todos os homens sem exceção sejam salvos, todos do passado, do presente e do futuro, então no verso 1 Paulo deve ter pretendido o mesmo significado. Porém, como Timóteo poderia cumprir esse dever? Orar por todos os homens sem exceção não só é impossível, como também é antibíblico, pois não podemos orar pelos mortos.

Mas, então, qual é o significado de "todos os homens" no texto? Paulo mesmo explica: "em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade" (vs.1-2). "Todos os homens" significa todos os tipos de homens, neste caso, especialmente os governantes. Isso está em harmonia com o restante da Bíblia, que afirma que pessoas de todos os povos, tribos, línguas, nações (Ap 7.9), classes sociais e sexos (Gl 3.28; Cl 3.11) serão salvas. Mas Deus não deseja a salvação de todos os homens sem exceção, assim como Timóteo não poderia orar por todos os homens sem exceção.

André Aloísio
11 de outubro de 2010
Campinas, SP

Extraído do site: teologiaevida.com acesso em 19/11/2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jonathan Edwards - Todo Homem Nasce Mau - R. C. Sproul


Evidência para o Pecado Original


Uma faceta interessante da defesa de Edwards da visão clássica da queda e do pecado original é a sua tentativa de mostrar que mesmo se a Bíblia fosse silenciosa sobre o assunto, essa doutrina seria demonstrada pela evidência da razão natural. Uma vez que os fenômenos da história humana demonstram que o pecado é uma realidade universal, deveríamos buscar uma explicação para essa realidade. Em termos simples, a questão é: Por que todas as pessoas pecam?


Aqueles que negam a doutrina do pecado original geralmente respondem a essa pergunta apontando para as influências corruptoras das sociedades decadentes. O homem nasce num estado de inocência, dizem, mas é subseqüentemente corrompido pela influência imoral da sociedade.


Essa idéia pede a questão: Como a sociedade se tornou corrupta em primeiro lugar? Se todas as pessoas nascem inocentes ou num estado de neutralidade moral, com nenhuma predisposição para o pecado, por que pelo menos uma média estatística de cinqüenta por cento das pessoas não permanece inocente? Por que não podemos encontrar sociedades nas quais a influência prevalecente é a virtude no lugar do vício? Por que a sociedade não nos influencia a manter a nossa inocência natural?


Mesmo os críticos mais otimistas da natureza humana, aqueles que insistem em que o homem é basicamente bom, repetem o aforismo axiomático persistente "Ninguém é perfeito". Por que ninguém é perfeito? Se o homem é bom no seu âmago e o mal é periférico, tangencial ou acidental, por que o âmago não vence sobre o tangente, a substância sobre os acidentes? Mesmo na sociedade na qual nos encontramos hoje, na qual os absolutos morais são vastamente negados, as pessoas ainda admitem prontamente que ninguém é perfeito. O conceito de "perfeito" tem sido desnudado pela rejeição dos absolutos morais. Apesar dos padrões ou normas de perfeição mais baixos do que aqueles revelados na Escritura, reconhecemos que mesmo esse "modelo" não é alcançado. Com o menor denominador comum da ética como o imperativo categórico de Immanuel Kant, ainda deparamos com a frustração de falhar em viver à sua altura.


Podemos diminuir os padrões éticos, deixando-os abaixo do nível da perfeição atual e ainda falharmos em alcançar esses padrões. As pessoas alegam um compromisso com o relativismo moral mas quando alguém rouba a nossa bolsa ou nossa carteira, ainda clamamos: "Delito".


Subitamente, o credo de que "cada um tem o direito de fazer o que bem entender" é desafiado quando o que uma pessoa faz entra em conflito com os interesses de outra pessoa.


Edwards viu na realidade universal do pecado uma evidência múltipla para a tendência universal para o pecado. Edwards expressa uma objeção a isso e, então, responde a essa objeção:


Se alguém disser, embora seja evidente que haja uma tendência no estado das coisas a este acontecimento geral - que toda a humanidade deva falhar na obediência perfeita e pecar e causar a si própria um demérito de ruína eterna; e também que essa tendência não se encontra em qualquer circunstância diferenciada de nenhum povo, pessoa ou era em particular - mesmo assim, isso pode não se encontrar na natureza do homem, mas na constituição e estrutura geral deste mundo. Embora a natureza do homem possa ser boa, sem qualquer propensão ao mal inerente nela, mesmo assim a natureza e o estado universal deste mundo podem ser repletos de tantas e fortes tentações e de uma influência tão poderosa sobre uma criatura como o homem, que habita num corpo tão débil, etc. que o resultado de tudo isso pode ser uma tendência forte e infalível num tal estado de coisas para o pecado e ruína eterna de cada membro da humanidade.


Edwards responde a essa suposição com a seguinte réplica:

A isso eu responderia que uma evasão como essa não iria, de forma alguma, beneficiar o propósito daqueles a quem me oponho nesta controvérsia. Ela não altera o caso para esta questão, se o homem, em seu estado presente, é depravado e arruinado pela propensão para o pecado. Se qualquer criatura tiver uma natureza tal que mostra o mal em seu lugar apropriado, ou na situação em que Deus o designou no universo, ela é de uma natureza má. Que parte do sistema não é bom, o qual não é bom no seu lugar no sistema; e essas qualidades inerentes dessa parte do sistema, as quais não são boas mas corruptas naquele lugar, são justamente consideradas qualidades inerentes más. Essa propensão é verdadeiramente considerada como pertencente à natureza de qualquer ser, ou como sendo inerente a ele, que é a conseqüência necessária da sua natureza, considerada conjuntamente à sua situação apropriada no sistema universal da existência, seja esta propensão boa ou má.


Edwards traça uma analogia da natureza para ilustrar o seu ponto: "É a natureza de uma pedra ser pesada; mas mesmo assim, se ela fosse colocada, como poderia ser, a uma distância deste mundo, não teria essa qualidade. Mas sendo uma pedra, tem uma natureza tal que terá essa qualidade ou tendência em seu lugar apropriado neste mundo; onde Deus a fez, é adequadamente considerada como uma propensão pertencente à sua natureza.... Assim, se a humanidade tem uma natureza tal que tem uma tendência eficaz universal para o pecado e ruína neste mundo, onde Deus a fez e a colocou, isso deve ser considerado como uma tendência perniciosa pertencente à sua natureza".


Edwards conclui que dentro da natureza do homem há uma propensão para o pecado. Essa inclinação é parte da natureza inerente ou constituinte do homem. Ela é natural à humanidade caída. Quando a Escritura fala do "homem natural", refere-se ao homem como ele é desde a queda, não como foi originalmente criado. A queda foi uma queda real e não uma manutenção do status quo da criação.


João Calvino reconhecia que os homens, embora caídos, realizavam obras de justiça aparente, e chamava essas obras de atos de justiça cívica. Tais "virtudes", as quais Agostinho chamava de "vícios esplêndidos", podem corresponder exteriormente à lei de Deus, mas não procedem de um coração inclinado a agradar a Deus, ou de um coração que ama a Deus. Nas categorias bíblicas, uma obra boa ou virtuosa não apenas corresponde exteriormente às prescrições da lei de Deus mas também procedem de uma disposição interior ou motivo enraizado no amor de Deus. Num sentido real, o Grande Mandamento para amar a Deus com todo o coração fundamenta o julgamento moral de toda a atividade humana.


Com respeito à preponderância das más obras sobre as boas, Edwards diz: "Nunca permita que tantos milhares ou milhões de atos de honestidade, boa natureza, etc, sejam supostos; mesmo assim, pela suposição, há uma propensão infalível para um mal moral tal que nas suas conseqüências terríveis, superam infinitamente todos os efeitos ou conseqüências de qualquer suposto bem".


Edwards prossegue apontando o grau de maldade e atrocidade que está envolvido em apenas um pecado contra Deus. Tal ato é tão grave porque é cometido contra um ser tão santo, que superaria a soma de qualquer quantidade de virtude contrastante. "Aquele que, em alguma circunstância ou grau, é transgressor da lei de Deus", diz Edwards, "é um homem mau, e mais, totalmente mau aos olhos da lei; toda a sua bondade é considerada nada, nada podendo ser contado a seu favor quando considerado juntamente à sua maldade".


Nesse ponto, Edwards repete o sentimento de Tiago dizendo que o pecado contra um ponto da lei é o mesmo que pecar contra toda a lei (Tg 2.10-11) e, naturalmente, contra o próprio autor da lei. Semelhantemente, Edwards diz que as obras de obediência, estritamente falando, não podem superar a desobediência. Quando somos obedientes, estamos meramente fazendo o que Deus requer de nós. Aqui, não podemos ser nada além do que servos inúteis.


Edwards vê evidências da natureza depravada do homem na propensão dos humanos em pecarem imediatamente, tão logo sejam moralmente capazes de cometerem um pecado real. Vê mais evidências no fato de que o homem peca contínua e progressivamente e que a tendência persiste mesmo nos mais santificados dos homens. Edwards também acha significante o que ele chama de "grau extremo de tolice e estupidez em assuntos de religião".


Numa rápida olhada na história humana, Edwards fornece um catálogo de desgraças e calamidades que foram cometidas pela raça humana e sobre ela. Mesmo o mais cansado observador da História deve admitir que as coisas não estão certas com o mundo. Então, Edwards se move para a universalidade da morte como prova para a universalidade do pecado. Na visão bíblica, a morte entrou no mundo por meio do pecado e por causa dele. Ela representa o julgamento divino sobre a maldade humana, um julgamento infligido mesmo sobre os bebês que morrem na infância. "Na Escritura, é dito que a morte é a principal calamidade", observa Edwards, "o mais extremo e terrível mal natural neste mundo".


A Bíblia e o Pecado Original


Edwards, então, volta a sua atenção para a garantia bíblica da doutrina do pecado original. Ele presta atenção particular ao ensino de Paulo em Efésios 2.


Outra passagem do apóstolo com propósito semelhante ao que temos considerado no quinto [capítulo] de Romanos é o de Efésios 2.3: "e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais". Isso permanece como um testemunho claro da doutrina do pecado original, como sustentada por aqueles que eram comumente chamados de cristãos ortodoxos, depois de todo o esforço e estratagemas usados para torcê-la e pervertê-la. Essa doutrina, aqui, não apenas ensinava claramente e de maneira completa, mas também abundantemente, se considerarmos as palavras com o contexto, quando os cristãos são repetidamente representados como seres, no primeiro estado, mortos no pecado, e despertados e ressuscitados de tal estado de morte numa exibição extremamente maravilhosa da livre e profunda graça e amor e da grandeza excelente do poder de Deus, etc.


Com relação ao ensino uniforme da Escritura, Edwards conclui: "Como essa posição é, em geral, completa e clara, assim a doutrina da corrupção da natureza, originada por causa de Adão, e também a da imputação do seu primeiro pecado, são ambas claramente ensinadas nela. A imputação da transgressão de Adão é, de fato, muito direta e freqüentemente afirmada. Somos, aqui, assegurados de que 'pelo pecado de um homem, a morte passou a todos'.... E é repetidamente reiterado que 'todos estão condenados', 'muitos estão mortos', 'muitos se tornaram pecadores', etc. 'pela ofensa de um só homem', 'pela desobediência de um só', e 'pela ofensa de um'".


Finalmente, Edwards argumenta em prol do pecado original a partir do ensino bíblico com relação à aplicação da redenção. A obra do Espírito na regeneração é um antídoto necessário para uma condição prévia corrupta: "É quase desnecessário observar o quão claro isso é dito como necessário para a salvação e como a mudança na qual os hábitos da verdadeira virtude, santidade e caráter de um verdadeiro santo são conquistados, como já foi observado quanto à regeneração, conversão, etc. e o quão visível é que a mudança é a mesma.... Assim, todas essas frases significam ter um novo coração e ser renovado no espírito, de acordo com o seu significado simples"."

http://www.josemarbessa.com/2010/11/jonathan-edwards-todo-homem-nasce-mau-r_12.html

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pelágio e o Livre-Arbítrio - Gordon Haddon Clark


Pelágio, um monge britânico de aproximadamente 400 d.C, de todos os escritores professamente cristãos antes do século vinte, patrocinou as teorias mais extremas e mais anti-bíblicas de regeneração e conversão. Agora, uma teoria aberrante de regeneração logicamente afeta a descrição da graça, da expiação e de todas outras doutrinas. Assim, Pelágio afirmou o livre-arbítrio e negou a depravação. A idéia de arrependimento deve ser alterada também, e assim, também a da santificação. Não somente um princípio errado afeta logicamente o corpo todo da teologia procedente dele, mas, além disso, há efeitos históricos. Agostinho, em sua defesa da graça, preveniu a igreja ocidental de se tornar inteiramente Pelagiana, mas, todavia, ela se tornou semi-Pelagiana. Então, em tempos modernos Armínio retornou, talvez mais do que ele mesmo percebeu, do Calvinismo Reformado para o semi-Pelagianismo de Roma. Por conseguinte, Pelágio ainda influencia a teologia hoje.

A teologia da Reforma sustenta que Adão foi criado positivamente justo. Não somente Gênesis 1:27 claramente implica isso, mas Efésios 4:24 e Colossenses 3:10 repetem a mesma coisa. Isto torna a queda de Adão difícil de ser entendida. Como um homem criado justo poderia ser tentado, para não mencionar sucumbir a tal tentação? Alguns teólogos simplesmente dizem que Adão foi criado justo, mas mutável. Isto é um argumento circular. Como alguém perfeitamente justo, e, portanto sem desejos maus, pode ser mutável quanto ao pecado? Muitos teólogos evitam o problema. H.B. Smith conclui que ele é insolúvel. A.H. Strong (Systematic Theology, Vol. II, pp. 585 ss.), descreve brevemente uma dezena de tentativas, mas ele mesmo não oferece nenhuma explicação. Parece-me que o supralapsarianismo é a única resposta. De outra forma, a pessoa deve se contentar em dizer meramente que a solução do Romanismo é ainda pior do que aquela dos teólogos mencionados. O Romanismo sustenta que o homem foi criado moralmente neutro, mas então Deus deu a Adão um dom extra de justiça. Isto dificilmente torna o pecado mais compreensível. Quer a justiça fosse original ou um dom posterior, isso não influência a questão. O paradoxo é como um ser perfeitamente justo poderia pecar. O mesmo problema ocorre com o pecado inicial dos anjos agora caídos. Pelágio simplesmente sustentava que Adão foi criado moralmente neutro: ut sine virtute, ita sine vítío, isto é, nem virtuoso, nem pecaminoso. Seu corpo era mortal, e a morte física não era e não é um castigo para o pecado. Visto que Adão não tinha nenhuma justiça original para o refrear, Pelágio facilmente explica o pecado sobre a base do livre-arbítrio.

Visto que esta visão concebe o pecado como nada mais do que uma transgressão voluntária da lei, o pecado de Adão não poderia em si mesmo prejudicar sua posterioridade; nem afetar o livre-arbítrio deles - naturalmente, pois um livre-arbítrio é algo que não pode ser afetado. Portanto, ao nascer todo infante está no mesmo estado que Adão estava na criação. Não há nenhum pecado original ou corrupção inerente. Juliano, um discípulo de Pelágio, escreveu: "Nada no homem é pecado, se nada se originar de sua própria volição ou assentimento... Ninguém é naturalmente mau". Sobre esta visão, o pecado não pode ser herdado, e para nós Adão é apenas um mau exemplo.

Após ter ensinado milhares de estudantes durante um período de sessenta anos, estou ciente, não somente de uma falta de informação histórica da parte deles, mas, pior ainda, de um desinteresse pela história. Muitos destes estudantes retêm este desinteresse durante o restante de suas vidas. Portanto, se eles são membros de igreja, eles não gostam de sermões que explicam as visões de teólogos antiquados. O que eles falham em observar é que estas visões antiquadas são muito modernas. Com dificilmente uma exceção, as seitas repetem as antigas heresias.

Uma das proposições básicas de Pelágio, repetida em tempos modernos por Immanuel Kant, era que a "capacidade limita a obrigação". O homem deve ter capacidade plenária de fazer tudo o que Deus pode requerer justamente dele. Se Deus ordena "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento", então todo homem tem capacidade completa para obedecer ao mandamento perfeitamente. O homem tem livre-arbítrio. Esta teoria de capacidade plenária não somente foi adotada por Immanuel Kant e muitos pensadores seculares; ela foi também a base das doutrinas da perfeição impecável de John Wesley. Nem Deus nem o pecado podem limitar o livre-arbítrio.

O pecado importuno da teologia falsa, se ele professa ser de alguma forma cristã, é a substituição de definições bíblicas por definições incorretas. Neste caso, um exemplo importante é o termo pecado. Uma pessoa deve guardar em mente constantemente que pecado, para Pelágio, não é "qualquer falta de conformidade a", mas somente a "transgressão [voluntária] da lei de Deus".As crianças não nascem em iniqüidade; elas permanecem inocentes até que voluntariamente desobedeçam a uma lei divina. Elas não são culpadas do pecado de Adão; nem são os adultos. Adão não é o nosso cabeça federal, nem pode Deus imputar o pecado ou a justiça a alguém, exceto ao agente voluntário individual. Cada um deve passar por sua própria provação, assim como o neo-ortodoxo diz que Deus seria o "autor do pecado", a menos que um homem seja condenado ou justificado somente sobre a base de sua conduta individual.
Agostinho fez uma réplica esmagadora: Por que, então, a Igreja batiza os infantes? Na verdade, Pelágio respondeu esta pergunta dizendo que os infantes eram batizados para lavar os seus futuros pecados; mas a pergunta de Agostinho teve os seus efeitos, pois a resposta de Pelágio era claramente contrária à visão sustentada por toda a Igreja.

De qualquer forma, Pelágio admitiu que a maioria, se não todos os adultos pecavam. O que, então, devia ser feito? Primeiro, o batismo, como já relatado, limpa um homem dos seus pecados. Mas, segundo, o homem deve se "arrepender" e decidir guardar a lei de Deus perfeitamente. Que é possível guardar a lei perfeitamente é evidente a partir do fato de que os pecados passados, as transgressões voluntárias passadas, não puderam restringir um livre-arbítrio. Então, terceiro, Deus não ordena o impossível. A capacidade limita a responsabilidade. 0 arrependimento é, portanto, uma decisão de nunca pecar novamente. Não somente Pelágio deixa um lugar para o arrependimento; ele pode até mesmo falar de graça - ele pode chamar a graça de favor imerecido; mas o favor não é a ação irresistível do Espírito sobre as nossas mentes e vontades. Para Pelágio "graça" consiste de (1) a liberdade natural da vontade; (2) a revelação da lei de Deus; e (3) a remissão dos pecados pelo batismo.

Assim, todos os homens podem viver sem pecar, e muitos que conhecem a revelação de Deus o fazem.

Agostinho atacou vigorosamente o Pelagianismo; mas sua vitória não foi completa nem duradoura. No quinto século o Pelagianismo ou um semi-Pelagianismo inconsistente se espalhou por todo o sul da França. Este foi combatido por um decreto do Concilio de Orange do século sexto - que será citado após observarmos que por volta do século nove o Calvinismo tinha somente a fraca voz do mártir Gortschalk. O decreto declara:

Se alguém disser que a graça de Deus pode ser conferida como resultado da oração humana, mas que não é a própria graça que nos faz orar a Deus, contradiz o profeta Isaías, ou o Apóstolo que diz a mesma coisa: "Fui achado pelos que não me buscavam. Fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Romanos 10:20, citando Isaías 65:1).

Se alguém mantém que Deus espera uma disposição em nós para nos limpar do pecado, mas não confessa que até mesmo a nossa disposição para sermos limpos do pecado é operada em nós através da infusão e operação do Espírito Santo, resiste ao próprio Espírito Santo, que diz através de Salomão, "A vontade é preparada pelo Senhor" (Provérbios 8:35, LXX), e a palavra salutar do Apóstolo: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade " (Filipenses 2:13).

Esta é uma declaração excelente da posição calvinista e mostra que a doutrina bíblica ainda era professada por uma boa porção da igreja visível. Deus não espera uma disposição por parte do pecador antes de limpá-lo do seu pecado. A vontade não é livre, pois Deus opera em nós "tanto o querer" como também "o realizar". Mas este evangelho puro em breve seria obscurecido na noite da superstição.

Fonte: Introdução do livro Sanctification, Gordon H. Clark, Trinity Foundation, p. 9-13.

Josemarbessa.blogspot.com-acessoem:10/11/2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A IRA DE DEUS E A SOLUÇÃO PARA A HUMANIDADE


Texto: Rm 1.18-25

Introdução: George Thomas, um pastor inglês, chegou um dia na igreja carregando uma gaiola. Cuidadosamente, colocou-a no púlpito, e começou a falar:
"Estava andando pela rua ontem, e vi um menino levando essa gaiola com 3 passarinhos, tremendo de frio e medo. Eu perguntei:
-O que você vai fazer com eles?" Ao que ele respondeu:
-"Ah! vou me divertir com eles."
-"Vou levá-los para casa e tirar suas penas para fazê-los brigarem! Vou me divertir muito!"
- "Mas você vai logo se cansar deles...o que você vai fazer?"
- "Oh, eu tenho alguns gatos," respondeu o menino. “Eles gostam de passarinhos”
Estupefato, ainda pude perguntar:
-Quanto você quer por esses passarinho?
-Ah...O senhor não vai querê-los... Eles não servem pra nada!
Eles não cantam. Nem são bonitos!"
Sendo muito insistente, consegui dissuadir o menino de seu intento e comprei os passarinho por dez dólares. E já de posse dos pobres pássaros, libertei-os tão logo o menino deu-me as costas...

Este exemplo nos mostra o quanto o coração do homem é corrupto e pecaminoso. O texto que acabamos de ler, nos fala sobre o pecado no mundo, da apostasia e da degeneração do gênero humano. Este versículos nos ensina algumas verdades que precisamos considerar se queremos ter uma vida de glória diante do Senhor:

I. QUAL A REAÇÃO DE DEUS, PARA COM A HUMANIDADE?

O texto nos mostra claramente que a reação de Deus para a humanidade é de Ira e ira é um sentimento de Cólera, raiva, indignação, Desejo de vingança. No comentário ao livro de Romanos, o Pr. John Murray ensina que “a ira consiste na santa reação de Deus contra aquilo que é contrário a sua santidade”. Paulo nos diz que a ira de Deus tem uma grande expansão, ele diz que, “Porque do céu se manifesta a ira de Deus”, o salmista reafirma está expansão da ira de Deus quando diz que: “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus”, Sl 53:2 e a resposta é que ninguém buscava a sua face, ninguém era fiel para com Deus, o salmista continua dizendo que: “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. Acaso não têm conhecimento estes obreiros da iniqüidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? eles não invocam a Deus”, v.v 3, 4. Paulo diz que “do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”. Deus está irado com a impiedade e injustiça dos homens. Impiedade significa falta de piedade; desumanidade, crueldade.
Todos tem conhecimento de Deus, pelo fato do próprio Deus se fazer conhecido a humanidade e se rejeitado pela mesma. Mesmo não conhecendo a Bíblia, Deus se fez conhecer a todos pelas coisas que foram criadas, porém o homem tem transferido a glória que é devida somente a Deus, e a colocou nas coisas que foram criadas, e até no próprio homem, é isso que Paulo nos fala nos VS. 21-23: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, E mudaram a glória do Deus incorruptível, em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis”. Precisamos entender que a ira de Deus opera de maneira eficiente e ativa neste mundo, sobre os homens e por ser procedente dos céus, do Trono de Deus, ela é poderosa. Por isso, segue um alerta para aqueles que estão distantes de Deus e andam descuidados em sua vidas, pois a ira de Deus terá conseqüências eternas, em Ap. 14:10 nos diz que: “Também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e diante do Cordeiro”. Precisamos atentar para esta realidade, pois Deus não está contente com as praticas deste mundo.

II. EM SUA IRA, O QUE FEZ DEUS?

Paulo nos diz no v. 24: “Pelo que, também, Deus os entregou às concupiscências dos seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si”, Este versículo nos fala da vontade permissiva de Deus e da sua justa punição sobre aqueles que assim se esbaldam em seus prazeres carnais. Dentro disto podemos ver que o pecado nasce do coração humano, gerando assim uma degeneração completa chegando a situação atual do homem em até mesmo ser pervertido em seus relacionamentos sexuais, cometendo assim imoralidades em vários aspectos. Por isso Paulo nos fala que “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, Rm 3.23. “Não há um justo, nem um sequer”, Rm 3.10. Nisto, ainda há pessoas que não concordam com a ação santa de Deus em relação a humanidade caída. Paulo ainda afirma que do céu desce a ira de Deus no homem, pelos motivos:

a) Todos se extraviaram e se fizeram inúteis – Rm 3.13-18
b) A sua garganta é um sepulcro aberto: com as suas línguas tratam enganosamente: peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura.
c) Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
d) Nos seus caminhos há destruição e miséria;
e) E não conheceram o caminho da paz.
f) Não há temor de Deus diante dos seus olhos.

Por tudo isto a ira de Deus está sobre este mundo, por isso Deus tem abandonado aqueles que tem endurecido os seus corações para ele. Diante de tudo isto, qual a solução para este mundo?

III. JESUS É A SOLUÇÃO PARA ESTE MUNDO.

Podemos ver que diante de tanta imperfeição e tanta miséria humana, muitas pessoas tem afirmado que não há mais solução para este mundo. Tentam buscar a solução para os seus problemas em coisas que não resolver, como:

• Feitiçaria
• Idolatria
• Religiões ocultas
• Obras da carne

A Bíblia nos ensina que a solução para os nosso problemas está em Jesus. Jesus diz: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”, João 14:6. Jesus Cristo é a Única esperança para uma humanidade escrava do pecado, uma humanidade que não busca a face de Deus.
Podemos ver que nos tempos de Noé, ninguém se importava com as coisas de Deus, cada um vivia a sua vida, sem se preocupar com as coisas de Deus, até que um Dia Deus derrama sobre este mundo as águas do Dilúvio e tudo que existia morreu com exceção a família de Noé, por que ele creu e jamais negou o nome de Deus. Tudo estava bem, até que um dia a porta da arca se fechou, e as pessoas que estavam do lado de fora, não puderam mais entrar, não houve mais oportunidade de arrependimento. O homem pode ter muito dinheiro, ter a sua família, ter bens, porém quando morrer não vai levar nada. As pessoas nos acompanharam até ao cemitério, porém nada irá adiantar, pois estaremos diante do grande tribunal de Deus, lá ninguém vai nos defender, a mascara vai cair, nossos pecados, a nossa negligencia, nossas desculpas, nossa falta de tempo para Deus, tudo será pesado na balança eterna de Deus. O que vamos ouvir da boca de Cristo naquele dia? Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo ou Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos?
Pense sobre sua vida atual. O que você tem plantado para Deus? Qual a sua contribuição para as coisas de Deus? Não pense que alguém vai interceder por você naquele tão grande e importante dia, pois você responderá por você mesmo, nem eu como seu pastor vou poder dar uma palavra por você no grande juízo de Deus.
O que temos e o que plantamos neste mundo será consumido pelo fogo do justo juízo de Deus, “Mas os céus e a terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios”. 2 Pe 3.7. Ai daqueles que tem abandonado o Senhor, ai daqueles que não tem dado ouvidos as Palavras que o Senhor tem dito em sua Palavra, ai daqueles que são preguiçosos, descansados e negligentes para com as coisas de Deus por que “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão”, 2 Pe 3.10. Arrependam-se enquanto é tempo! Pois esse é o conselho que Pedro nos dá em sua segunda Epistola Capitulo 3.9: O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

CONCLUSÃO:

O que Deus quer de vocês? O que ele espera de Vocês? Que vocês:

• Se arrependam e creiam em seu Nome,
• Sejam fies a Ele
• Busquem a sua face,
• Tenham compromisso com ele e com a sua obra

Finalizo com este versículo, que Deus me mandou falar a vocês:

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza, Tg 4.8, 9
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Autor: Rev. Davi Nascimento
Pregado no dia 17 de Outubro de 2010, no Templo da Igreja Presbiteriana Fundamentalista Betel.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lutero e a Verdadeira Pregação - Steven Key


A influência de Martinho Lutero sobre a pregação é digna de consideração. A Reforma aconteceu, afinal de contas, pela restauração da pregação fiel, com Lutero e os outros reformadores abrindo o caminho.

Embora seria um exagero dizer que a pregação tinha sido inteiramente perdida antes da Reforma, é verdade que haviam poucos pregadores fiéis na igreja, e a própria pregação certamente tinha caído em tempos difíceis. O elemento da proclamação, o "assim diz o Senhor" que é o cerne de toda pregação verdadeira, tinha sido quase perdido. Por essa razão, uma das mais importantes contribuições de Lutero à igreja foi sua ênfase sobre a pregação.

O próprio Lutero nos dá uma visão do que a pregação comumente envolvia em seus dias, ridicularizando e desprezando abertamente o que se passava então por pregação na igreja por parte de pastores infiéis. Os sermões eram superficiais, freqüentemente incluindo fábulas ou estórias, bem como uma mistura de filosofia pagã. Além do mais, esses "sermões" eram geralmente comunicados de uma forma vulgar ou cômica, para entreter o povo. Cristo era esquecido. As Escrituras eram negligenciadas.

"Ó, temos tido pregadores cegos por um longo tempo; eles têm sido totalmente cegos, e líderes de cegos, como o evangelho diz; deixaram o evangelho e seguiram suas próprias idéias, preferindo a obra de homens ao invés da obra de Deus".

Nunca medindo palavras, Lutero falou duramente dos pregadores infiéis:

Esses são os pregadores preguiçosos e inúteis que não dizem aos príncipes e senhores seus pecados. Em alguns casos, nem notam os pecados. Eles deitam e roncam em seu ofício, e não fazem nada que pertença ao mesmo, exceto que, como porcos, ocupam o lugar onde bons pregadores deveriam estar.

Contra essa corrupção da pregação, Lutero exigia fervorosamente uma pregação bíblica e expositiva. "Foi Lutero quem redescobriu tanto a forma como a substância dessa pregação... Para ele pregação era a verdadeira

Palavra de Deus mesmo, e, como tal, ocupava a posição central da Igreja" De fato, a ênfase sobre pregar o evangelho se tornou uma das principais marcas das igrejas da Reforma e, como Lutero nunca cansou de apontar, deu propósito bem como autoridade à existência delas.


Pregação com Substância

Martinho Lutero entendia que a pregação fiel deve ter substância. Essa substância é a verdade do evangelho, a exposição fiel da Sagrada Escritura.

A. Skevington Wood resume a pregação de Lutero da seguinte forma:

A característica saliente da pregação de Lutero era seu conteúdo e referência bíblica. Ele estava preso à Palavra. Sua pregação nunca era meramente tópica. Ele nunca poderia transformar um texto num pretexto. "Eu me esforço para tratar um versículo, para agarrá-lo", ele explicou, "e assim instruir o povo de forma que possam dizer, 'Era sobre isso o sermão'." Sua pregação nunca foi um movimento dos homens para o texto; sempre foi um movimento do texto para os homens. O assunto nunca determinava o texto; o texto sempre determinava o assunto. Ele não tinha o hábito de abordar assuntos ou questões, mas doutrinas. Mas quando o fazia, ele invariavelmente seguia uma determinada passagem da Escritura, passo a passo. Ele considerava uma das principais qualificações do pregador ser familiarizado com a Palavra.

Lutero ensinou claramente a centralidade da Palavra. Fé é nada mais que aderência à Palavra de Deus. É essa Palavra que destrói o pecador pela lei, e levanta o crente no evangelho.

Sua alta estima pela Palavra de Deus explica o porquê Lutero também tentava pregar sistematicamente por toda a Escritura, pregando séries de sermões tanto do Antigo quanto do Novo Testamento.

Por causa dessa ênfase bíblica sobre a primazia da Palavra e a centralidade da pregação, Lutero não tinha lugar para o falso misticismo que troca a Palavra de Deus pelos sentimentos internos. "Fora com os cismáticos que menosprezam a Palavra, enquanto sentam-se nos cantos aguardando a revelação do Espírito, mas à parte da voz da Palavra!".

Deve ser observado nessa conexão que Lutero falava da pregação em termos de "a voz". Ele disse: "Observem: o princípio de todo conhecimento espiritual é essa voz de alguém clamando, como Paulo também diz, Romanos 10:14: "Como crerão... sem um pregador?'."


Pregação com Autoridade

Lutero ensinou claramente que a pregação que é fiel e verdadeira vem como a autoridade da "voz".

Esse pensamento refletia a alta visão de Lutero do ofício. O ministro é enviado por Deus e entrar no ofício de Deus. "Dessa forma, S. Paulo é confiante (2Co. 13:3) que está falando não sua própria palavra, mas a Palavra do Senhor Cristo. Assim nós, também, podemos dizer que ele a colocou em nossa boca."

Essa verdade era importante para Lutero, também, em face de toda a oposição que obscurecia seu caminho. Era uma verdade que ele proclamava consistentemente.

Em seu tratamento do Salmo 2, falando do ofício de Cristo como Mestre que declara o decreto de Deus, Lutero explicou que o Espírito Santo assim nos ensina que Deus faz tudo por meio do Filho. Pois quando o Filho prega a Lei, o Pai mesmo, que está no Filho ou é um com o Filho, prega. E quando pregamos sobre esse mesmo decreto, Cristo mesmo prega, como ele diz: 'Quem vos ouve a vós, a mim me ouve' (Lucas 10:16).9

O pregador, portanto, é o porta-voz de Deus, o instrumento através do qual Cristo e Deus pregam.

Nós, pastores e ouvintes, somos apenas alunos; há somente uma diferença, que Deus está falando a você por meio de mim. Esse é o poder glorioso da Palavra divina, através da qual Deus mesmo lida conosco e fala conosco, e na qual ouvimos o próprio Deus.

Comentando sobre João 14:10, Lutero escreve: "Não somos nós que falamos; é o próprio Cristo e Deus. Por conseguinte, quando você ouve este sermão, está ouvindo Deus mesmo. Por outro lado, se despreza este sermão, está desprezando não nós, mas o próprio Deus."


Pregação e a Obra do Espírito
Porque Cristo fala pela pregação do evangelho, a pregação é poderosa e eficaz na realização do propósito para o qual Deus a envia.

Assim, Lutero chama a atenção em seus escritos para o lugar do Espírito Santo na pregação. Cristo opera essa palavra poderosa por seu Espírito Santo. É através das palavras de pregadores que o Espírito Santo opera, convencendo o mundo do pecado e estabelecendo a fé dos eleitos de Deus por meio do chamado eficaz e irresistível.

O Espírito Santo de Cristo dá à pregação o seu poder. Cristo atrai os homens por meio da palavra somente, resgatando o seu povo do poder do pecado e da morte, e dando-lhes liberdade, justiça e vida,

Essa coisa grande e maravilhosa é realizada inteiramente por meio do ofício da pregação do Evangelho. Visto superficialmente, parece algo insignificante, sem qualquer poder, como qualquer discurso ou palavra de um homem comum. Mas quando tal pregação é ouvida, seu poder invisível e divino está em ação no coração dos homens por meio do Espírito Santo. Portanto, S. Paulo chama o Evangelho de "um poder para salvação de todos que têm fé" (Rm. 1:16).

Claramente, os pregadores são apenas instrumentos nas mãos de Deus: "Que faremos? Podemos deplorar a cegueira e obstinação do povo, mas não podemos trazer uma mudança para melhor".13 Somente quando Cristo mesmo fala por seu Espírito Santo é que a pregação é poderosa para mudar e trazer salvação.

"Eu, nem qualquer outra pessoa pode pregar a Palavra adequadamente; o Espírito Santo somente deve expressá-la e pregá-la".14 Pois é o Espírito que opera obras pela palavra. Quando por meio da pregação externa da palavra e o testemunho interior do Espírito Santo a fé é criada, então o que é prometido no evangelho se torna eficaz para o crente.
"Conseqüentemente, ela é uma Palavra de poder e graça quando infunde o Espírito ao mesmo tempo em que fulmina os ouvidos. Mas se ela não infunde o Espírito, então aquele que ouve não difere de forma alguma daquele que é surdo."


Ouvindo a Pregação

Lutero não ignorou o chamado de todos os que ouvem a pregação, para examinar essa pregação, a fim de ver se a mesma é fiel às Sagradas Escrituras. "Por conseguinte, essa é a pedra de toque pela qual toda doutrina deve ser julgada. Uma pessoa deve tomar cuidado e ver se essa é ou não a mesma doutrina que foi publicada em Sião por meio dos apóstolos". É tal pregação que é usada por Deus como a voz poderosa e salvífica de Cristo. "Pois essa somente, como tem sido dito, é a verdadeira doutrina, que concede aos homens um entendimento correto e adequado, conforto ao coração e salvação".

Junto com essas linhas, Lutero enfrenta honestamente a questão de se Cristo fala ou não através de um pregador, simplesmente porque o mesmo ocupa o ofício.

Em primeiro lugar, devemos saber que aqueles que são enviados falam a Palavra de Deus somente se aderem ao seu ofício e o administram da forma como o receberam. Nesse caso, certamente estão falando a Palavra de Deus. Um embaixador ou emissário do rei cumpre seu dever quando permanece pela ordem e instrução do mestre. Se falha nisso, o rei decapitou-o.

Quando um ministro, portanto, prega fielmente a palavra de Deus, Cristo se agrada em falar por meio dele por seu Espírito Santo; se não, então essas palavras aplicam-se ao pregador: "Acautelai-vos dos falsos profetas!" Não devemos falar nem ouvir nada, senão a palavra de Deus.
Por essa razão, o evangelho deve ser ouvido e pregado. A pregação não tem apenas substância, mas também um conteúdo bem específico. Lutero insiste: "A primeira mensagem do pregador é ensinar penitência, remover ofensas, proclamar a Lei, humilhar e aterrorizar os pecadores".18 Nosso pecado deve ser exposto pela pregação do evangelho. Concernente ao livro de Romanos, ele diz,

A soma e substância dessa carta é: rebaixar, erradicar e destruir toda sabedoria e justiça da carne. não importa quão enérgica e sinceramente elas possam ser praticadas, devemos implantar, estabelecer e engrandecer a realidade do pecado. Pois Deus não quer nos salvar por nós mesmos, mas por uma justiça externa que não se origina em nós, mas que nos vem dos céus."

A necessidade de pregar a depravação do homem é encontrada no fato que a graça é dada aos humildes. Cristo não veio salvar os justos, mas trazer os pecadores ao arrependimento (Lucas 5:32). Assim, Lutero diz: "Não pode ser humilde aquele que não reconhece ser condenável, cujo pecado fede até os altos céus. O desejo pela graça se origina quando o reconhecimento pelo pecado aparece. Uma pessoa doente procura o médico quando reconhece a seriedade da sua enfermidade".

E porque o povo de Deus tem uma luta contínua com sua carne pecaminosa, a pregação deve ser antitética. Ela deve ser pregação que não somente soa a trombeta de prata da salvação, mas que soa também a buzina que expõe e reprova o homem velho do pecado e chama ao arrependimento.

Como Lutero reconheceu e experimentou, requer-se coragem na pregação para servir como um embaixador de Cristo. Mas o pregador não pode deter-se em pregar meramente o pecado, pois então equivaleria a machucar e não ligar, ferir e não curar. "Portanto, devemos pregar também a palavra de graça e a promessa de perdão, pela qual a fé é ensinada e levantada".

O foco de toda pregação deve ser Cristo. O único conteúdo de sua mensagem é sobre ele. "Essa é a essência de sua pregação: Eis o seu Deus! Tromova Deus somente, sua misericórdia e graça. Pregue somente a mim'."

Portanto, não menos que Calvino, Soli Deo Gloria era o moto de Lutero. A soberania de Deus ocupava um lugar proeminente em toda a pregação de Lutero, pois ele realmente pregava o evangelho. Chegou até ele também o grito da Reforma: "Deixem Deus ser Deus!" Em suas palavras: "O evangelho proclama nada mais que a salvação pela graça, dada ao homem sem quaisquer obras e méritos, seja quais forem. O homem natural não pode receber, ouvir e ver o evangelho. Nem podem os hipócritas, pois o evangelho joga fora as suas obras, declarando que eles não são nada, e não agradam a Deus."

Somente Deus opera sua maravilhosa obra de graça ao nos salvar. Pois em Cristo somente descansa toda a nossa salvação. O evangelho é pregado com o propósito de consolar com graça aqueles que são contritos de coração.

Martinho Lutero também viu a importância da pregação à luz dos seus frutos positivos. Em oposição aos erros do legalismo, ele reconheceu que a vida cristã deve ser uma vida de gratidão a Deus e, portanto, um abraçar consciente do evangelho de uma salvação graciosa. Vidas gratas seguem-se à pregação fiel.

A abordagem de Lutero para com a pregação é uma que mais tarde seria delineada no Catecismo de Heidelberg. Esse é o caminho do conforto, operado pelo Espírito por meio da pregação.

"Assim, não são as pedras, a construção, e a grandiosa prata e ouro que tornam uma igreja bela e santa; é a Palavra de Deus e a pregação sã."24 E essa é a pregação na qual Deus é glorificado.
Tal pregação é a maior bênção de Deus para a sua igreja. "Portanto, que aqueles que têm a Palavra pura aprendam a recebê-la e dar graças ao Senhor por ela, e que busquem ao Senhor enquanto se pode achar."25 Que nós, os filhos da Reforma, possamos nos humilhar e agradecer a Deus pela pregação fiel. Deus certamente exigirá que prestemos conta de nossa pregação e do nosso escutar.

http://www.ocalvinismo.com/2010/10/lutero-e-verdadeira-pregacao-steven-key.html

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MISTICISMO RELIGIOSO NO CONTEXTO DA IGREJA


Como bem falou o grande “príncipe dos pregadores”, o grande C. H. Spurgeon, a mais de cem anos: “A apatia está por toda à parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”. Esta ainda é a realidade de muitas igrejas em nosso século.

O QUE É MISTICISMO? Esta palavra pode significar muitas coisas dependendo do contexto que está inserida. Por exemplo: Se alguém gosta de orar muito ou de buscar de maneira enfática o poder de Deus, ele é denominado por alguns de místico. Vejamos uma definição de misticismo:

Aurélio: Misticismo: 1. Crença ou doutrina religiosa dos místicos; 2. Disposição para crer no sobrenatural. Místico: 1. Misterioso e espiritualmente alegórico ou figurado. 2. Relativo à vida espiritual e contemplativa; 3. Religioso; 4. Aquele que procura atingir o estado extático de união direta com a divindade.
Misticismo: Conjunto de normas e práticas quem tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema que os místicos sempre exaltam a experiência em detrimento a Palavra. É a atitude da pessoa que deposita sua confiança em algo que não existe, ou, mesmo que exista, é ineficaz. Exemplos: orixás, iemanjá, ninfas, duendes, ídolos, amuletos, simpatias, água benta, óleo ungido, galho de arruda e sal grosso. Seu nome deriva do termo grego “mystikós”, relativo aos mistérios. Estes eram religiões herméticas, somente reveladas aos iniciados, que deviam fazer voto de guardar total silêncio a seu respeito. Na Grécia antiga, conhece-se os mistérios de Elêusis e de Dioniso como seus principais representantes. O adjetivo “mystikós” deriva do verbo “mio”, que significa fechar; mais especificamente, fechar os olhos, porta de entrada do mundo sensível, para que se torne possível o acesso a uma experiência de ordem anímica ou espiritual; e fechar a boca, para que esta não procure falar disso que, em sua essência, manifesta-se como indizível. Em sentido amplo, podemos considerar a mística como a irrupção do absoluto dentro da vida humana. Para a filosofia neoplatônica, a mística é a atividade que conduz ao contato direto entre a alma individual e seu fundamento divino. Este contato possui o caráter de participação da alma em Deus. Para isso, é preciso deixar de lado a realidade sensível, uma vez que Deus é intelecto puro, sendo a alma, de caráter inteligível, a única via de acesso a Ele.
A mística neoplatônica influenciou marcadamente o pensamento de vários filósofos e teólogos da Idade Média, de modo a que se constituísse, assim, uma mística cristã medieval. A mística é trabalhada pelos pensadores alexandrinos, em especial Orígenes e São Clemente, em relação à história da salvação por Cristo e à experiência de apreensão da Unidade Trinitária de Deus. Também no gnosticismo ela se faz presente. Os Pais da Igreja alargam esta noção, denominando místico todo o conhecimento da realidade divina, cujo acesso é facultado através de Cristo. Santo Agostinho a define como uma iluminação da alma pela luz procedente de Deus. Entre os séculos XI e XIV, ela aparece como contraposição à tendência excessivamente racionalista da teologia e filosofia escolástica. No século XVI, a mística volta a ser intensificada, especialmente na Espanha, através de São João da Cruz e de Santa Teresa d‟Ávila.
Além dos acima citados, os principais representantes do pensamento místico no Ocidente são Fílon, Dionísio Aeropagita, São Bernardo, São Boaventura, João Gerson, Mestre Eckhart, João da Bohêmia, João Ruysbroek, Angela de Foligno e Ângelo Silésio.

MISTICISMO MODERNO: O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e se basear apenas em suas experiências. Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos.
O Misticismo neopentecostalista é a mistura de figuras, objetos e símbolos para representarem elementos espirituais. Eles tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em "proteções" semelhantes às usadas pelas magias pagãs. E deste ato aparecem crentes com fitinhas no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo portas e janelas com azeite, colocando sal ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água abençoada, usam óleos consagrados em Jerusalém, guardam gravetos que misteriosamente aparecem brilhando nos montes, ungem roupas para libertar as pessoas e etc.
As magias pagãs estabelecem como pontos de contatos objetos tais como amuletos, talismãs, patuás, cristais, pedras e coisas para "proteção". O problema é que tais pessoas acabam baseando sua fé em objetos. Estamos vendo novamente a famigerada doutrina da Idade Média das indulgências, só que agora no meio evangélico. A bênção é comprada. Quando mais dá, mais bênção. Hoje em dia, estão sendo chamadas de correntes místicas todas as crenças em seres intermediários, sejam anjos, demônios do bem e do mal, forças ocultas e todos os poderes que podem interferir no cotidiano das pessoas e que têm que ser dominados e controlados. Este tipo de misticismo poderia englobar as correntes da Teologia da Prosperidade e da Nova Era.
Essa tendência pode ser vista no número cada vez maior de pessoas que acreditam em uma revelação especial fora da Bíblia, que buscam nortear-se por sonhos e visões e não pela Palavra de Deus. Com a perda crescente dessa norma objetiva como regra de fé e prática a tendência é buscar o subjetivismo e emocionalismo. Cada um passa a crer naquilo que os grupos têm experimentado, e por isso o testemunho de experiências sensacionais vai cada vez mais substituindo o lugar da pregação da Palavra de Deus no culto.
É uma prática usada por várias seitas. Por exemplo: A ROSA-CRUZ. Utiliza-se de objetos em suas práticas ocultistas tais como: incenso, estátuas, toalhas, aventais, bandeiras, decalques, discos, fitas K-7; publicações como monografias, de vários graus, enviadas pelo Correio para os membros do Sanctum da Grande Loja. Promete desenvolver o poder da vontade; manter a saúde; superar hábitos maus, atingir uma conscientização cósmica; mudar o ambiente; superar o complexo de inferioridade; decifrar antigos símbolos.
O Misticismo tem estado presente em todas as épocas da humanidade. O Evangelho e as cartas de João e Colossenses foram escritos para combater o pensamento gnóstico que era cheio de misticismo (Cl 2.16-23). O Misticismo está intimamente ligado ao panteísmo (tudo é Deus e Deus é tudo). Nos Estados Unidos houve um movimento chamado Transcendentalismo que foi influenciado pela filosofia Hindu, paralelamente a isso foi fundado o movimento teosófico por Helena (Madame) Blavatsky, escritora russa. Paralelamente surgiu a Ciência Cristã. O que eles tinham em comum?
A idéia de que o homem deve desenvolver a sua divindade. Se descobrir o pleno poder que existe dentro deles. Tendo o poder sobre a enfermidade, dos problemas etc. Essek Kenyon, pastor evangélico, estudou numa das escolas da Ciência Cristã. Começou a pregar que nós somos pequenos deuses, que temos o poder de criar a realidade pelo que nós dizemos. Ele discipulou pela sua literatura Kenneth Hagin que introduziu grandes heresias dentro da igreja evangélica. No Brasil, a literatura de Hagin foi introduzida por R. R. Soares.

“HERESÍAS DENTRO DAS IGREJAS”
“Se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja”. – John F. MacArthur Jr.
• ORAÇÃO MÍSTICA: R. R. Soares disse certa vez: "Nunca ore dizendo; Faça a tua vontade". Paul (David) Yonggi Cho, especificando seus pedidos sobre a escrivaninha, bicicleta e a cadeira de rodas, disse: “Depois que aprendi a especificar os meus pedidos, eu não tive mais medo de Deus errar na entrega". No entanto, veja estas passagens: Sl 94.10; Is 29.16 e Mt 6.8.
Resposta Bíblica. Contradizendo o que esses pregadores ensinam veja os seguintes exemplos: O pedido de Moisés (Dt 3.23-27), o espinho na carne de Paulo (2Co 12.7-10) e o próprio Jesus (Mt 26.39). O conselho de Tiago (4.13-16) A galeria dos heróis da fé (Hb 11.32-40). A Falácia do "Há poder em suas palavras" (até para criar) Exemplos bíblicos: Jacó (Gn 42.36); Davi (1Sm 27.1); os jovens na fornalha (Dn 3.17,18) e o pai do jovem lunático (Mc 9.23,24). Todos cristão, por mais fiel que possa ser, sempre passará por tribulações.
Usam palavras mágicas, é o “abracadabra” da fé. Não é preciso pedir e sim exigir. Jesus não só nos ensinou a orar: ... seja feita a tua vontade (Mt 6:9 e 10), como também pôs em prática o que ensinou: ... todavia, faça-se a tua vontade ... (Mt 26.42). Pronunciar uma frase por deliberação própria e dar a entender que está autorizado por Deus, sem, na verdade, estar, é enganar o rebanho do Senhor. Deus não opera onde há engano; não compactua com enganadores e não terá por inocente aquele que tomar seu nome em vão (Êx 20.7).
• HINOS ESTRANHOS E SEM CONTEÚDO: Devemos oferecer a Deus um culto racional – Rm 12.1-2. A música está sendo usada para animar os crentes. Há um triunfalismo exarcebado. A verdadeira adoração é voltada para Deus, nunca para o homem. O louvor místico não é adoração a Deus, mas instrumento de psicologia humanística. Quase não há hinos que exaltem a Pessoa de Deus.
Onde está a Cruz em nosso meio? Os grandes temas e mensagens de hoje são: “Você pode!”; “Você tem poder!”; “Você faz e acontece!” Além disso, você é que diz se pode liberar, soltar, prender e conquistar. É o homem, mediante fé na fé, que obriga Deus a agir. O sangue de Jesus virou uma confissão positiva-mágica, para ser usada antes de um tá amarrado! Assim, o sangue de Cristo não purifica mais todo o pecado, mas virou palavra de ordem para amarrar o pecador. O grande problema é que o fogo divino depende de Deus e o fogo humano é produzido a qualquer hora, circunstância e empolgação. “Emoções fortes despertadas durante o culto não constituem necessariamente uma evidência de que houve verdadeira adoração” – John MacArthur Jr.
• OS CRENTES NÃO PODEM ADOECER: Os pregadores da fé afirmam que tanto a salvação quanto à cura física estão totalmente garantidas em Is 53.4,5. Veja Mt 8.14-17 e 1Pe 2.24. Ora, em Mt 8.14-17, Jesus ainda não havia morrido. Assim, o que Mateus quis dizer é que dentre as atribuições do Messias, uma delas seria curar os enfermos. Quanto ao texto de 1Pedro 2.24, podemos ver que o apóstolo aplicou a passagem de Isaías 53 para se referir ao pecado e não à enfermidade física. Deus cura sempre? A enfermidade de Timóteo (1Tm 5.23), de Trófimo (2Tm 4.20) e de Epafrodito (Fp 2.25-30). O espinho na carne do apóstolo Paulo (2Co 12.7-10). Veja Gl 4.13-15; 6.11 e At 23.1-5. A morte do profeta Eliseu (2Rs 13.14-21). Devemos nos lembrar que há uma cura melhor que a do corpo, é a cura da alma. Tenhamos mais medo do pecado que dos sofrimentos.
• PROFETISMO SEM BÍBLIA: Escutamos frequentemente: “Eu profetizo!”; “Profetize pra seu irmão”. A Bíblia ensina que a profecia não depende do "EU" querer: “... porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirado pelo Espírito Santo”. (2Pe 1:21). É bom observarmos que os homens santos de Deus também não usaram essa frase; ao contrário, quando profetizaram, disseram: “Assim veio a mim a palavra do Senhor...” (Jr 1.4); “Assim diz o Senhor...” (Jr 2.5; Is 56:1; 66.1); “Ouví a palavra do Senhor...” (Jr 2.4); “E veio a mim a palavra do Senhor” (...) “disse o Espírito Santo...” (At 13:2); “...Isto diz o Espírito Santo...” (At 21.11); “Mas o Espírito expressamente diz...” (1Tm 4.1). Em todos os casos, não aparece o "EU", aparece a pessoa divina.
Outro fator a pensar é este: As pessoas que profetizam bênçãos não esclarecem que tipos de bênçãos. As profecias bíblicas sempre especificaram que tipo de bênção ou de juízo sobreviria ao povo. Mas, hoje, é só isto: "Eu te abençôo". É um procedimento totalmente fora da palavra de Deus. Deus é quem abençoa.
• EXALTAÇÃO DO HOMEM: Algumas pessoas dizem: “Eu não quero saber o que a Bíblia dia, eu quero saber o que Kenneth Hagin diz”. O homem é o centro das atenções. O culto é preparado para ele. Os louvores, a pregação “positiva”. "Muitos vêm ouvir a Palavra somente para satisfazer seus ouvidos; eles apreciam a melodia da voz, a doçura suave da expressão, a novidade do conceito (At.17:21). Isso é amar mais o enfeite do prato do que o alimento em si; isso é o mesmo que desejar mais agradar a si mesmo do que ser edificado. É o mesmo que uma mulher que pinta o seu rosto e se esquece de sua saúde". Thomas Watson.
• ÊNFASE DEMASIADA NO MINISTÉRIO DOS ANJOS: A Nova Era fala também sobre o ministério dos anjos. Em nenhum lugar das Escrituras somos ensinados que podemos mandar nos anjos. Hoje existe até a troca do anjo. Os anjos estão sob a autoridade exclusiva do Senhor.
• INTERPRETAÇÕES E PREGAÇÕES MÍSTICAS: Alguns dizem que existe um sentido oculto que só pode ser alcançado pelas pessoas especiais. As pessoas dizem: “Eu quero dizer uma coisa que não está revelada na Bíblia, pois Deus me revelou nesta noite”. Ignoram as regras de Hermenêutica e Exegese. Afinal, “Deus dá na hora”. As pregações de hoje são mais de auto-ajuda do que a ministração do alto. “A demanda gera o suprimento. Os ouvintes convidam e moldam os seus próprios pregadores. Se as pessoas desejam um bezerro de ouro para adorar, o ministro „que fabrica bezerros‟ logo é encontrado” – John MacArthur Jr.
• USO DE CHAVÕES: Chavões tais como: “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu decreto", são pronunciados sem a menor reflexão ou sentido de responsabilidade. Os crentes e, infelizmente, muitos líderes, comportam-se como se fossem Deus; colocam o "EU" na frente e soltam palavras que não fazem parte das alianças divinas, das promessas divinas, dos oráculos divinos, dos estatutos divinos, da graça divina, da misericórdia divina, do amor divino. Falam da forma como Deus não mandou falar, declaram o que Deus não mandou declarar. “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, "Eu determino" são expressões despidas da espiritualidade ensinada na palavra de Deus; são frases que revelam a altivez do coração humano, são palavras que, por não terem respaldo bíblico, não mudam situação alguma. Veja o assunto: “Existe realmente poder em nossas palavras?”, na página 32.
“Toma posse da bênção”. Comparando isso com o procedimento de Jesus e dos apóstolos, afirmamos que é errado usar o termo "Toma posse da bênção" como meio de termos as bênçãos divinas concretizadas em nossa vida. Os discípulos e o próprio Jesus nunca cometeram esse tipo de equívoco, pois, em lugar de dizerem: "Toma posse da bênção”, eles disseram: “...se tu podes crer; tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23); “...Tende fé em Deus...” (Mc 11.22), “...grande é a tua fé!...” (Mt 9.28) “...Seja-vos feito segundo a vossa fé” (Mt 9:23); “Em nome de Cristo, o nazareno, levanta-te e anda...” (At 3:6). Assim, em vez de as bênçãos serem direcionadas para o homem, a palavra de Deus ensina as pessoas a direcionarem suas esperanças para Deus, através da fé. Alguns pregadores, como Lutero, falam em “tomar posse” mas num sentido muito diferente dos pregadores hodiernos.
• FALSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS: É “fogo estranho”. Levítico 9:1-24; 10:1-3. Podem-se encontrar incensários à venda, fogo em pacotinhos, se você quiser. Ninguém faz esta avaliação, ninguém pondera sobre estes sistemas, ninguém questiona nada, o que interessa é fazer o povo feliz e deter o controle e o poder. Que tipo de espiritualidade nós queremos? – Gl 3:3. Alguns dizem: - Está sob o nosso controle: a gente faz dançar, a gente faz pular, a gente faz chorar, se o Espírito não derrubar não faz mal não, a gente dá uma pernadinha e o irmão cai; uma tapa na testa e pronto, tá resolvido. É isto que o povo quer, é de espetáculo que o povo gosta, é novidade que mantém o interesse da Igreja. A diferença entre a chama divina e o fogo estranho é a de que a chama divina está no controle soberano de Deus. Fala-se hoje de “Tapete de Fogo”; “Metralhadora do Espírito”; “Granada do Espírito”; “Vassoura de Fogo”; “Unção do Riso”; “Cola do Espírito Santo”.
• USO DE AMULETOS: Um amuleto é um objeto de superstição. Pode ser descrito como: “um objeto no qual está escrito uma fórmula de encantamento ou sobre a qual se recitou um encantamento, com o fim de proteger a pessoa que usa contra perigos, doenças, demônios, fantasmas, magia negra, e para trazer boa sorte e fortuna”. (Frank Gaynor. Ed. Dictionary of Mysticism. Nova Yorque. Citadel Press. sd.pp.10).
O uso dos elementos mágicos dos cultos e das superstições populares do Brasil, entre eles o sal grosso (para afastar maus espíritos), a rosa ungida (usada nos despachos e nas oferendas a Iemanjá), a água fluidificada (usada por credos espiritualistas a fim de trazer a influência espiritual para o corpo humano), fitas e pulseiras (semelhantes na sua designação às fitas do chamado Senhor do Bonfim), o ramo de arruda (usado para afastar coisas más) e uma quantidade enorme de apetrechos aos quais se emprestam supostos valores espirituais que podem ser passados por seus usuários.
No começo era a simples fé na oração, agora a mistificação de objetos. Na crença animista cada objeto possui uma alma, ou seja, é um ser espiritual. Atualmente alguns segmentos acreditam que uma vez que se unge alguma coisa, ela passa a ter poder, ou nos proteger como se fosse um espírito.
Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (At 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1Jo 3.14); somos novas criaturas (2Co 5.17); o Diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.9; 1Tss 1.10; 4.16-17; Ap 3.10), além de outras bênçãos.

Pr. Antonio Pereira da Costa Júnior

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PENTECOSTAIS COMO PRINCIPAL COMBUSTÍVEL DO FOGO DO INFERNO. PARTE 2


Quando há uma inexistência de uma verdade absoluta, a busca por respostas se torna uma questão infinita. Inundados por idéias de novas experiências que ensinam somente a pura procura do prazer e as soluções rápidas e superficiais, que parecem nunca saciar nossa sede, ficamos alienados. Ficamos totalmente viciados e dependentes em consumo de produtos, tecnologia, relacionamentos superficiais, etc...
Quando nos são oferecidos um cristianismo de consumo, uma indústria cristã de música e mídia, igrejas do dinheiro e das respostas fáceis, olhamos com desprezo dando o mesmo valor que damos ao resto. Com isso estamos levando o cristianismo como se leva uma mercadoria. Engolimos esse sapo com pouca água assim como mais um produto. Nada muda. Então, como a igreja pode cumprir a missão de proclamação do evangelho? Comunicando a verdade de forma genuína e radical, apresentando ao mundo as antigas doutrinas da graça assim como Nosso Senhor Jesus Cristo fez.
No artigo anterior vimos um grande montante de heresias no movimento pentecostal, que de maneira terrível têm contribuído muito para que essas notícias cheguem aos nossos ouvidos. Em alguns ramos desse movimento, o Senhor Jesus é levado como uma mercadoria para satisfazer seus desejos carnais e pecaminosos. Recentemente estive em um trabalho de implantação de igreja em uma cidade vizinha e pode perceber quanta heresia o movimento pentecostal tem produzido através de sua influência maligna em igrejas tradicionais e históricas.
O método de evangelismo é totalmente humanista, onde o Juízo de Deus é retirado da palavra, prejudicando o arrependimento tão necessário a conversão genuína do pecador. É por esses motivos que escrevo esse artigo para denunciar essas malditas heresias pentecostais que está alucinando até mesmo pastores com o apóstata movimento de “crescimento de igreja” e defender a fé reformada que também sofre um pouco com essas heresias. Nessa parte dois deste artigo, continuarei a tentar convencê-lo de que os pentecostais são o principal combustível do fogo do inferno.
Vamos começar por um ponto de bastante polêmica e muito discutido por diversos autores e teólogos, que é a questão do “Batismo com o Espírito Santo e com Fogo”.
“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mateus 3:11).
Analisando com bastante cautela, tanto o texto como todo o contexto da narrativa bíblica poderá perceber que o discurso de João Batista usando a expressão “batizará com o Espírito Santo e com fogo” refere-se a dois batismos.
O batismo com o Espírito é para o trigo, ou seja, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento, aqueles escolhidos de Deus para a salvação. O trigo é recolhido no Seu celeiro em virtude de ser algo muito valioso, muito precioso, pois são os salvos pela expiação de Cristo na cruz do calvário.
O batismo com fogo é para a palha, ou seja, para aquelas “árvores” que não produziram frutos,que são as pessoas que Deus, por sua soberana vontade, resolveu não amar e entregá-las aos seus próprios desejos carnais para a degradação do corpo, as quais serão cortadas e lançadas no lago de fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.
Aqueles hereges pentecostais que persistem em afirmar que o “batismo com o Espírito Santo e com fogo” se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelar apenas para Atos 2:3 como prova de sua teoria absurda. Contudo, lemos assim nesse verso: “Apareceram línguas como de fogo, pousando sobre cada um deles”. Uma leitura atenta desse texto poderá nos mostrar que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia.
O Espírito tanto ilumina como purifica. Mateus 3:11 não se refere a esta obra purificadora nos crentes, mas ao juízo final preparado para os ímpios. Portanto, quero usar as palavras de um artigo que vi na internet de Felipe Sabino de Araújo Neto, onde ele cita as palavras de um puritano Dr. John Gill: “E como este sentido [o de julgamento para os ímpios] melhor concorda com o contexto, creio ser ele o genuíno; visto que João não está falando para os discípulos de Cristo, que ainda não tinham sido chamados, e que somente no dia de Pentecostes foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, no outro sentido desta frase [no sentido de fogo como a obra da graça purificadora para os crentes – ver Isaías 6:6,7; Zacarias 13:9; Malaquias 3:3; 1 Pedro 1:7]; mas ele se dirigia aos Judeus, alguns dos quais tinham sido batizados por ele”.
Portanto, fugir dessas verdades seria profanar a Santa Graça de Deus concedida aos homens, tornando-os como principal combustível do fogo do inferno.